Valerie
No dia seguinte, assim que a cidade da alcateia acordava, eu já estava lá. Meu olhar estava fixo na janela, observando o amanhecer romper.
No bilhete que dei a ele havia três detalhes: meu número e um endereço para este lugar, junto com um horário que se aproximava a cada segundo. A mensagem dele era suficiente para me dizer que ele estaria aqui.
Escolhi este lugar especificamente por dois motivos: por ser mais perto da fronteira da alcateia e porque era o único lugar que eu sabia que abria incrivelmente cedo.
Não havia ninguém à vista além do único atendente por enquanto, mas ele não me lançou um olhar e com razão. Tomei medidas para esconder minha identidade com um capuz cobrindo meu cabelo e uma máscara no rosto para evitar que qualquer m****o da alcateia à espreita nessa hora do dia notasse.
A última coisa que queria era atenção, especialmente ao me encontrar com ele.
Quanto mais os segundos passavam, mais ansiosa me sentia.
Ao som da campainha da cafeteria abrindo, virei a cabeça e todas as minhas ansiedades sumiram. Ele se disfarçou quase da mesma forma, exceto por cobrir o cabelo, mas eu o reconhecia facilmente.
Tristan encontrou meu olhar antes de se mover para a mesa. Com o atendente fora do caminho, estávamos livres para remover as máscaras.
— Bom dia — disse ele, a voz ligeiramente rouca. Murmurei as mesmas amabilidades, virando de volta para a ampla janela para um último olhar aos raios batendo nos prédios de forma encantadora.
Nunca percebi o quanto da minha vida dediquei ao serviço que não conseguia desfrutar da beleza da alcateia e da cidade até agora. Mesmo que por uma estadia curta, ia saborear.
Com um último olhar, desviei os olhos da janela para encará-lo. Seus olhos estavam cautelosos, mas estranhamente cheios de esperança que faziam minhas entranhas se retorcerem. Inspirei fundo, me preparando.
— Eu acredito em você — finalmente disse.
Seu rosto caiu uma fração com choque no início, fazendo um nó se formar na minha garganta. Quantas vezes desejei que alguém me dissesse aquelas palavras?
‘Não é hora.’ Meus pensamentos me trouxeram de volta à realidade e continuei.
— Não queria. Mas após ver algo ontem, tenho a sensação de que ela está mentindo ou fingindo — disse.
— Mas ainda não há prova sólida, e pouco tempo, não há nada que você possa fazer a menos que encontre.
Ele assentiu em silêncio e por um momento não conseguia acreditar. Ele só estava me ouvindo falar sem interromper ou me cortar?
— Então o problema agora é encontrar prova — afirmou ele.
— Sim. Pode ser antiético, mas considerando a situação, necessário — respondi. — De qualquer forma, você vai ter que revistar o quarto dela e invadir sua privacidade por qualquer prova da gravidez dela. Não importa como a situação esteja, tenho certeza de que você não quer fazer isso, mas é o único lugar que consigo pensar para começar.
Ele assentiu em silêncio, mas não parecia repulsado ou contra. Talvez já estivesse desiludido.
— Venha comigo.
‘O quê?’ Olhei para cima em choque e incredulidade.
— Eu… nem sei por onde começar a revistar o quarto dela — gaguejou ele ligeiramente.
— Não é uma ordem. Só estou pedindo. Com sua ajuda, eu-
— Não tenho interesse em voltar para a casa da alcateia — disse friamente. Estar lá uma vez e ver Alyn, não importava como a interação foi, já era suficiente.
— Eu… entendo.
Ele assentiu, apesar das palavras, parecia longe de bem. Isso fez minha barriga se retorcer.
Só planejava dar a ele esse conselho de despedida, talvez trabalhar nos bastidores para ajudá-lo, não ser uma cúmplice direta.
Apertei o copo de vidro com força. Havia riscos demais em me envolver diretamente, com o escrutínio da alcateia e deixar um nome r**m se qualquer um de nós fosse descoberto juntos ou suspeito de fazer algo contra Alyn. Sozinha, não suportaria, mas atada a Alistair abertamente, era a última coisa que queria.
Um minuto passou. Não foi até o contorno do sol estar totalmente visível que tomei minha decisão.
— Tudo bem — resignei-me. — Vou com você.
…
O resto do dia passou como um relógio. Após voltar sem ninguém notar, o dia passou rápido comigo ao lado de Alistair para comparecer à festa. Não olhei para eles o tempo todo, focando nos outros convidados.
Ao entardecer, estávamos prontos.
— Acho que vou me retirar cedo — disse a Alistair. Ele aceitou minha desculpa e me deixou ir facilmente.
Passando despedidas e amabilidades para as pessoas ao nosso redor, saí, ignorando a sugestão de um olhar furioso que espiei na direção de Alyn.
Esperar discretamente em um canto das ruas foi fácil, mas não esperava que ele surgisse tão rápido também.
Escapar durante a festa quando estava escuro não foi difícil para mim, mas fiquei surpresa que Tristan conseguiu fazer isso facilmente considerando que era um dos anfitriões. Com o quão obviamente desinteressado ele estava no próprio casamento, ninguém havia percebido?
— Pronta? — perguntou ele e afastei aqueles pensamentos em favor de um aceno.
— Vamos — disse.
Após ir para a casa da alcateia — e me esgueirar do meu lado, entramos no quarto dela, ou pelo menos o quarto que ela usava constantemente enquanto estava aqui.
Pouco após minha cerimônia de acasalamento, ela constantemente se esforçava para visitar, ficando até que Tristan oferecesse um quarto diretamente. Lembro de discutir ferozmente uma vez que descobri, explicando as implicações de como pareceria para a alcateia. Convidar a irmã da esposa para o que deveria ser sua casa familiar?
Não mudou nada. Sem dúvida graças a Alyn, chegou aos meus pais que igualmente exigiram que eu cedesse e os deixasse ficar em retaliação à minha demanda. Tristan concordou e fui empurrada para o lado.
Balançando a cabeça, quaisquer memórias persistentes foram empurradas para o fundo.
Olhamos ao redor por qualquer pequeno detalhe, mas não havia nada, deixando uma sugestão fraca de frustração dentro de mim quando colocamos tudo de volta no lugar.
‘Talvez na casa dos meus pais’, pensei amargamente. Havia uma chance de algo estar lá, mesmo que eles tratassem a casa da alcateia mais como casa deles do que deveriam.
Um rangido alto me fez tensionar imediatamente, encontrando Tristan que parecia igualmente alarmado. Convidados e servos dentro deveriam ter se retirado com a festa, mas não havia dúvida. Havia passos.
E eles se aproximavam.
No momento em que vi a fechadura se mover, minha mente ficou em branco de pânico. O que eu ia fazer agora?
O horror me invadiu antes de me encontrar puxada com força. Não foi até minhas costas colidirem com a porta que percebi o que aconteceu; Tristan me puxou para o banheiro, nos escondendo.
As luzes estavam apagadas, nos deixando na escuridão, mas conseguia sentir e ver o quão perto ele estava. Suas mãos estavam apoiadas na porta enquadrando meu rosto, deixando-o mais perto do meu. Minha respiração prendeu ao sentir seu calor.
Ele estava perto. Muito perto.
Antes que pudesse processar, tensionei quando a porta externa se abriu completamente e pessoas entraram.