Ausência

1117 Palabras
Tristan TRÊS MESES ATRÁS — Alfa Tristan, eu o rejeito como meu companheiro. A Deusa da Lua é testemunha. Suas palavras de despedida ecoaram na minha mente após a celebração de aniversário fracassada. Naquela mesma noite, tomei um copo de uísque sozinho no meu escritório, completamente irritado. Eu poderia apontar o dia em que ela começou a agir de forma estranha: foi depois que ela saiu furiosa da sala de jantar, algo que nunca havia feito antes. Senti que algo estava diferente, não só nas ações dela, mas nela mesma. No entanto, afastei o pensamento. Para mim, pensar em Valerie era perda de tempo, e ela não havia agido de forma anormal desde então. Até hoje. O dia do nosso aniversário. Apesar do olhar nos olhos dela e da mudança que eu podia sentir, ainda assim não conseguia acreditar. Mas ao voltar para a casa da alcateia, finalmente caiu a ficha de que ela estava falando a verdade. Todas as coisas dela haviam sumido, junto com as da sua empregada. Ela havia deixado tudo para trás. Sua alcateia, sua família. Eu, e o laço de companheiros que compartilhávamos. Tomei outro gole de uísque. Sua saída abrupta deixou o clima da festa irrecuperável. Fiquei com os murmúrios da alcateia e o choque e a indignação dos pais dela. Todos estavam chocados que Valerie, a Luna da alcateia, tivesse tomado uma decisão tão ousada de repente. Deixando para trás palavras enigmáticas. E eu? Eu estava furioso. Enquanto tomava o próximo gole de uísque, uma risada sem graça escapou dos meus lábios. O laço rompido ardia amargamente, mas forcei a dor para baixo. Por que eu me importava? Eu não queria o laço nem ela em primeiro lugar. Foi só uma infelicidade termos sido descobertos como companheiros pouco depois do aniversário de 18 anos dela. Eu era tão jovem na época, m*l um adulto, e tão irritado por estar acorrentado. Ela era um incômodo de qualquer jeito. Parecia completamente apática a tudo, mas mentia constantemente e sempre guardava rancor contra Alyn, a própria irmã. As únicas vezes em que mostrava um pingo de emoção era para se defender, mesmo quando a verdade era clara para todos. Como eu poderia confiar nela? Sabendo como ela tratava Alyn, eu não suportava a ideia de me casar com ela, apesar de sermos companheiros. ‘A ausência dela não faria diferença.’ Era o que eu pensava. Nos dias seguintes, as coisas voltaram ao normal. Eu estava tão certo de mim mesmo, acreditando que, apesar da leve dor do laço e da sensação de ausência, nada mais havia mudado. A alcateia ainda seguia em frente sem ela. Eu estava fazendo o mesmo. Até que um problema surgiu após o outro. — Por que isso não foi resolvido antes? — rosnei enquanto o próximo conjunto de problemas era reportado para mim. O servo se encolheu. — É que… a Luna Valerie costumava lidar com isso — ele disse. ‘O quê?’ Incredulidade me invadiu com o que ele estava dizendo. Não havia como ser verdade. Ela cumpria seus deveres, mas nunca fazia tanto assim. Olhando para os assuntos, as pilhas de tarefas, eu não conseguia acreditar nos meus olhos. Uma vez, criado sob as asas do Beta, fui ensinado a me concentrar nas tarefas de Alfa. Eu não precisava me preocupar com gerenciamento quando havia uma alcateia para governar. E então me casei com Valerie pouco depois de assumir como Alfa oficial. Esses assuntos nunca chegavam à minha mente. Eu nem sabia que havia tanto a fazer só na casa! No entanto, conforme mais problemas vinham até mim, eu constantemente perguntava por que eram trazidos para mim, e a resposta era sempre uma variação da mesma coisa. — A Luna era responsável por isso. — A Luna Valerie lidava com isso. Luna, Luna, Luna. Eles pareciam igualmente perplexos toda vez que falavam, como se estivessem tão chocados quanto eu. No final do mês, minha carga de trabalho triplicou enquanto eu fazia o possível para lidar com tudo, tanto na casa quanto na alcateia. Toda noite me deixava esgotado e exausto. Eu estava acostumado a cumprir meus deveres, mas era o peso absoluto dos dela que me deixava cansado. Eu m*l conseguia acreditar. Toda vez que a via, ela sempre parecia impecável e no lugar, como se não tivesse uma preocupação no mundo. Como alguém como ela podia lidar com tantos problemas e ainda parecer tão inabalada? Se ela lidava com tudo isso, por que eu nunca percebi? … Depois disso, comecei a questionar as coisas. Valerie, a mesma mulher que eu tentava ignorar ao máximo, começou a assombrar meus pensamentos cotidianos. Revendo minhas memórias passadas dela, tentei compará-las com o estado da alcateia. A pessoa cuja ausência eu tinha certeza de que não faria diferença deixou um buraco enorme na alcateia, me obrigando a tentar tapá-lo. Levou um mês inteiro para eu lidar com o gerenciamento da carga de trabalho, e então as coisas voltaram ao normal. Ainda assim, eu lutava, e a diferença era clara. Mas, ao que parecia, eu era o único que via assim. Era chocante ver. Apenas um mês após ela partir, e parecia que eles haviam esquecido dela, mencionando-a apenas de passagem. Era como se tivessem decidido unanimemente esquecê-la sem esforço algum. E eu, que estava determinado a fazer o mesmo, pensava nela cada vez mais. Era difícil perceber no início, até difícil encarar como a alcateia para a qual ela trabalhou tanto não lhe dava importância. ‘Como se você tivesse feito melhor’, um pensamento c***l me invadiu. No entanto, não era nada comparado ao que ouvi por acaso. — É melhor que ela tenha ido embora. O Alfa Tristan deve estar feliz com isso — ouvi um m****o da alcateia dizer. Isso fez algo se retorcer no meu estômago, mas não consegui identificar o que era, então ignorei, saindo dali com pensamentos pesados. Durante o café da manhã depois, enquanto meus sogros mimavam Alyn, o primeiro pensamento que veio à minha mente não foi sobre Alyn pela primeira vez. Foi: Será que eles sabem o quanto Valerie se esforçava? A resposta era clara. Era óbvio que não, pela forma como reclamavam dela. Até revendo minhas memórias, lembrei-me de todas as expectativas impostas a ela. As mesmas reclamações que eu latia para ela. Como naquela manhã, uma semana antes de ela partir. Não havia como ela não estar exausta na época, mas ela sempre descia para o café da manhã no horário, como um relógio. A única vez que não fez isso, eu fiz um escândalo. O que foi que eu disse na época? Desculpas? Preguiça? Ela não era preguiçosa. Nem apática como às vezes agia. Ela era…
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