Capítulo 8

1297 Mots
  Perspectiva da Scarlett   Quando minha lâmina tocou o ombro dele, o sorriso desapareceu do rosto dele — e, a partir daquele momento, o jogo começou.   Ele investiu contra mim. Eu me esquivei rapidamente. Rapidamente demais. A multidão explodiu em aplausos. O punho dele passou pelo ar onde eu estava há um segundo. Eu golpeei com o punho da minha espada nas costelas dele — com força. Ele rosnou, brandiu a lâmina rente ao chão, mas eu saltei, acertando o cotovelo no queixo dele. Ele cambaleou. Ele atacou novamente — eu bloqueei, girei, e com o joelho, atingi seu estômago. Ele caiu no chão. Quando tentou se levantar, pisei no peito dele e levantei minha espada.   Ordenei com firmeza: "Renda-se."   E ele se rendeu.   Um grito ecoou. O círculo se desfez. Meus nervos ainda queimavam com adrenalina. Meu grupo me rodeou, o orgulho estampado nos rostos deles. Eles sorriram e assentira— e eu absorvi tudo isso.   Senti-me ainda mais orgulhosa quando alguns camaradas deram tapas nas minhas costas e outros inclinaram a cabeça em respeito.   "Está congelando," Coby murmurou com um sorriso torto ao se levantar.   "Apenas a crueldade traz resultados," respondi, limpando o suor da testa. "Agora podemos finalmente usar todo o equipamento. Chega de traçar linhas na areia. Chega de enfrentar lobos de segunda categoria."   Virei para encarar os outros. "A partir de hoje, todo guerreiro, todo ômega, todo lobo desta alcateia tem direitos iguais a este campo. Qualquer um que desrespeitar esta lei — não importa sua linhagem ou posição — enfrentará meu castigo. Incluindo exílio."   O silêncio que se seguiu foi breve — então mais aplausos explodiram ao meu redor.   Ao olhar para os rostos do meu povo, senti, por um instante passageiro, o que meu pai deve ter sentido ao estar neste mesmo campo. Um líder. Um guardião. Uma ameaça.   Meu pai. O pensamento trouxe uma dor aguda.   Ele deveria estar orgulhoso. Se a doença não o tivesse levado — se a tristeza não o tivesse consumido depois que minha mãe morreu — ele ainda estaria nos liderando. Forte. Inflexível.   Mas agora, nossos números estavam diminuindo. Minha unidade estava morrendo.   Eu não podia deixar isso acontecer.   Precisava ver Lucien. Agora.   Só ele conseguiria falar com Damon — o executor do norte — e convencê-lo a cancelar esse casamento arranjado absurdo. Eu não me casaria por política.   Ainda havia um futuro pelo qual lutar.   "Coby," eu disse abruptamente.   Ele já estava ao meu lado, percebendo a mudança no meu humor. "Qual é o plano?"   "Precisamos conversar. Não aqui." Olhei ao redor e vi alguns aliados de Alexander ainda por perto, nos observando.   Ele concordou com a cabeça. "Café?"   "Perfeito," respondi.   Caminhamos pela vila, passando por lojas e restaurantes, com o sol aquecendo nossas costas — mas não conseguia derreter o gelo no meu coração.   Assim que entramos no café, puxei Coby para um canto mais afastado.   Não queria ser ouvida.   "Preciso que você espione a reunião de Alexander com Lucien amanhã."   Coby piscou. "Pera aí, o quê?"   "Preciso encontrar Lucien a sós. Mas Alexander fará tudo que puder para me impedir, assim como fez na celebração. Ele encontrará qualquer maneira de me manter fora de vista, especialmente perto de Lucien."   Coby ficou pensando, mas só por um momento. "Você quer que eu espione o Alfa."   Eu assenti. "Quero seus olhos sobre ele. Tudo que você vir, você me conta. Tem que ficar em segredo."   Coby saltou de pé, os olhos brilhando de excitação e raiva, quase gritando: "Esperei por esse dia! Nossa rainha finalmente está voltando!"   A voz dele soou tão alto que pareceu sacudir o café inteiro.   Ele cerrou os punhos, olhando fixamente em meus olhos com uma intensidade solene.   "Luna — não, minha Alfa. Se você me permitir, eu até cortaria minha própria cabeça e a colocaria diante de você para provar minha lealdade!"   Fiquei impressionada com sua paixão, lágrimas ardendo atrás de meus olhos.   Rapidamente, agarrei suas mãos e as segurei firmemente.   "Não, Coby. Não preciso de seu sacrifício — preciso de você ao meu lado na batalha. Eu prometo, desta vez, nunca mais abandonarei meu povo."   Seu olhar queimou de convicção enquanto ele assentia fortemente.   "Até a morte. Até a vitória."   Mal cheguei em casa, meu celular tocou.   Alexander. Suspirei e revirei os olhos.   Olhei para a tela, esperando dois toques antes de atender.   "O que é agora?"   "O que diabos você está fazendo?" A voz dele estava cheia de raiva. "Se exibindo na frente de todo o campo de treinamento? Minando o time? Tá tentando ganhar eles para o seu lado?"   Soltei uma risada fria. "Estou tentando evitar uma guerra civil. Ou esqueceu que você ainda é o Alfa desta alcateia?"   "Não me provoque, Scarlett. Você foi longe demais."   "Não, Alexander. Deixar Faye entrar aqui e permitir que essa loucura continue — é isso que foi longe demais. Ela esqueceu seu dever. Sou filha de um Alfa. O Alfa da Alcateia do Inverno. Não vou tolerar esse circo."   "Scarlett!" ele gritou.   Eu ri, zombando dele, mesmo sabendo que estava provocando-o para me atacar. "A alcateia perdeu a confiança em você. Na próxima vez que os rebeldes atacarem, sua pequena autoridade não vai nos salvar. Porque estaremos todos mortos."   Silêncio. Um longo silêncio. Então ele abaixou a voz. "Você ainda me ama."   Eu congelei.   Ele não estava perguntando. Estava afirmando.   "Eu vi como você olhou para mim," ele murmurou. "Aquela noite… esse laço ainda nos une. Você ainda me ama."   Merda.   Ele não estava errado. Eu senti isso naquela noite.   Ele não me ignorou? Preferiu aquela p**a?   Qual importância tem o que ele sentiu? Eu não iria ser uma Luna quieta e obediente.   "Você sempre será minha," ele acrescentou, sua voz áspera como pedra. "Quer você lute contra isso ou não."   Minha garganta ficou seca. "Você não tem o direito de dizer isso."   "Não tenho?" Seus passos ecoaram de repente. "Então me diga para ir embora. Agora mesmo."   Virei-me — e quase esbarrei nele.   Ele estava lá fora o tempo todo, ouvindo, esperando. Comecei a me afastar.   Antes que eu pudesse reagir, sua mão segurou a parte de trás do meu pescoço, e seus lábios se chocaram contra os meus.   Aquele vínculo — de traição — acendeu em minhas veias como fogo selvagem. Eu engasguei. O contato queimava.   Eu deveria ter me afastado.   Mas não me afastei.   Odiava não ter me afastado.   Meu corpo se lembrava dele. Cada toque. Cada sussurro. Cada mentira.   Seu beijo tinha o sabor de raiva e desespero. Mas antes que ele pudesse ir mais longe, ele se afastou — seus olhos agora mais escuros, tempestuosos e confusos.   "Não esqueça a quem você pertence," ele sussurrou.   Eu o esbofeteei.   Difícil.   Sua cabeça se virou para o lado, mas ele não revidou. Ele apenas me encarou.   Eu sabia que o Beta estava chamando ele através do elo mental. Algo urgente estava prestes a acontecer — se já não tivesse acontecido.   Ele praguejou, dando um passo para trás. "Isso não acabou."   "Pode apostar que não," eu sibilei. "Isso está apenas começando."   Ele saiu furioso, cada passo transbordando raiva.   Eu ainda estava tremendo quando meu celular vibrou de novo.   Uma mensagem de Coby.   Lucien chega amanhã. A alcateia dele já está limpando a antiga fábrica de embalagens.   Eu olhei para as palavras.   Lucien. Por quê? Achei que sua última mensagem significava recusa — então por que ele mudou de ideia?   Não tinha tempo para me perguntar.   Meu coração batia descontroladamente. Me obriguei a ficar calma. Eu precisava desse encontro. Ele precisava ouvir de mim — não de Alexander. Não das mentiras venenosas de Faye. De mim.   Essa era minha única chance de salvar meu povo, recuperar meu poder e acabar com esse jogo antes que nos consumisse a todos.   Eu não deixaria ninguém me impedir.   Nem mesmo Alexander.
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