Ponto de vista de Elena Ir ao shopping sozinha não era divertido, mas necessário. Então lá estava eu, entrando sozinha em um território de luxo. O cartão preto no meu bolso parecia algo irreal, como se não pertencesse a mim. No momento em que entrei na boutique, eu senti. O julgamento. Muitos olhares, muita atenção dirigida. Os atendentes fingiam estar ocupados, mas era claro que acompanhavam cada um dos meus movimentos, como se eu pudesse pegar algo e sair correndo. Isso me desconcentrava. Eu não conseguia nem aproveitar o momento de olhar ao redor. Então eu paguei. No instante em que o cartão preto tocou o balcão, o ambiente mudou. Sorrisos surgiram do nada. "Senhora" substituiu os olhares frios. Cadeiras foram oferecidas. Apareceram bebidas. De repente, eu era digna do tempo


