Amigos

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Valerie As semanas de celebração estavam chegando ao fim, a cerimônia de acasalamento estava mais próxima do que nunca. Tudo deveria parecer final, mas não era. Fiquei ao lado de Alistair o tempo todo. Não havia mais desculpas, não havia mais motivos para sair. E assim compareci aos almoços e festas de jantar, ficando ao lado de Alistair enquanto conversava com outros convidados e evitava as flertes dele. As coisas deveriam voltar ao normal. Podia ignorar tudo mais e esperar, pronta para ir para casa. Mas não conseguia. Toda vez, mesmo quando tentava não, meus olhos constantemente se desviavam para ele. Tristan. Ele parou de evitar os almoços ou jantares, comparecendo a cada evento e ficando ao lado de Alyn enquanto entretinha todos, mas assim como antes, estava longe de feliz. Ele não demonstrava, forçando sorrisos tensos para todos. Assim como disse para mim naquele dia, havia se resignado ao destino dele. Uma certa sufocação me invadia ao vê-lo. Ele claramente tentava ser feliz no que era uma situação miserável, mas ainda transparecia pelas rachaduras. Era nas pequenas coisas. Toda vez que Alyn se aproximava dele, ele quase recuava, mas parava no meio do caminho antes de erguer uma fachada de calma, se não qualquer outra coisa. Ele nunca foi de fingimento e isso se mostrava na forma como me machucava, mas preferia muito mais sua sinceridade dura e imperdoável do que essa máscara que mostrava. E ninguém mais notava. Ninguém além de mim. Sem os rancores do passado me segurando, via como ele continuava tentando atender à alcateia apesar da infelicidade. Sabia como era. Não havia vindicação ou satisfação em vê-lo passando por isso. Talvez a parte mais triste fosse vê-lo tão desiludido do sentimento de segurança e alívio que minha família, os que praticamente o criaram, outrora lhe davam. Ao longo dos dias durante os almoços e festas, m*l nos cruzávamos. Nas raras ocasiões que acontecia, ele nunca olhava para mim nem se aproximava de Alistair e eu. Isso não significava que nunca nos encontrávamos, no entanto. Só dois dias após o hospital, me encontrei de volta no café na borda do território da nossa Cidade da Alcateia. Foi por impulso e havia muitos motivos para ir; com seus horários cedo, o ambiente calmo e poder ver o sol nascer. Encontrei um conforto estranho no lugar. Empurrei quaisquer outros motivos. O que não esperava era vê-lo lá também. Sentado no mesmo lugar, ele pareceu surpreso em me ver, mas uma vez que o choque passou, havia um estranho senso de aceitação entre nós. Simplesmente me sentei e assisti ao nascer do sol. Ele fez o mesmo e permanecemos sentados em um silêncio confortável até que as bebidas trazidas para nós nas primeiras horas esfriassem. O dia seguinte foi o mesmo, e assim o próximo e continuou. Falávamos pouco, às vezes permanecendo em silêncio, mas nunca sufocante. Às vezes, poderia jurar que ele me olhava, mas nunca tentei confirmar. Sempre saía primeiro. Quando o sol nascia era hora de ir e ambos voltávamos. Ele, para o peso dos deveres e núpcias iminentes enquanto eu permanecia na companhia de Alistair, ambos nos ignorando como se os últimos dias não tivessem acontecido. Mas naquele momento, aquelas primeiras horas toda manhã pareciam ser só nossas. Um nó se formou na minha garganta com o pensamento. Apesar de sorrir e rir das piadas ao meu redor, minha mente constantemente parecia em outro lugar esses dias, tudo mais raso e superficial exceto por isso. — Você parece muito relutante em compartilhar uma bebida. Se eu fosse mais suspeita, especularia que você está na mesma condição que a futura Luna ali — brincou a Luna com quem eu conversava. Suas palavras me trouxeram de volta à realidade. Recuperando-me, sorri rapidamente em retorno. — Sempre tive baixa tolerância ao álcool, Luna Thera. Não é nada novo. Melhor não me envergonhar durante essas celebrações — contrapus facilmente, tendo que dizer uma variação da mesma desculpa vez após vez em cada festa de jantar quando as pessoas questionavam meu gosto por qualquer coisa além de champanhe, vinho e qualquer outro álcool. Compartilhei uma risada com ela quando algo chamou minha atenção no canto do olhar. Tristan estava saindo do salão. Não, não saindo, tropeçando. Isso era diferente. Meu primeiro pensamento foi que ele estava bêbado, mas o olhar pálido e pânico que vislumbrei mostrava que era qualquer coisa menos isso. Ele sumiu do canto, provavelmente indo para o banheiro. Preocupação rodopiou no meu estômago. ‘Não faça isso’, a parte sensata de mim argumentou contra meus pensamentos. Ainda assim, enquanto meu estômago apertava, sabia que escolha ia fazer. Após alguns minutos para evitar suspeitas, sorri e me desculpei para ir ao banheiro mais próximo. ‘Estúpida.’ Me repreendi enquanto andava pelo corredor vazio. Não tínhamos um laço e o que quer que estivéssemos construindo havia sumido. Não havia necessidade de vê-lo. Não havia necessidade de me preocupar ou me importar- Ao ver sua figura, todos aqueles pensamentos sumiram. Ele estava sentado no canto mais distante de um salão menor, cabeça baixa enquanto se encostava nela. Parecia completamente miserável. Meus saltos ecoaram baixinho pelo salão, mas ele não pareceu notar enquanto me aproximava. De perto, podia ver o leve tremor e ouvir as respirações rasas. Meu coração pulou uma batida. Sabia um ataque de ansiedade iminente quando via um. Me agachei ao lado dele, estendendo a mão para o joelho dele e apertando. — Respire — sussurrei, tentando manter minha mente de correr para o pânico. Pareceu despertá-lo enquanto ergueu a cabeça para me olhar por um breve momento. Seu olhar ainda parecia enevoado, como se estivesse lutando contra seus demônios, mas significava algo. Pressionando minha mão mais contra ele como uma presença ancoradora, inspirei fundo alto. Um ritmo fácil que alguém poderia seguir, algo que me treinei a fazer durante meus episódios solitários quando as coisas ficavam difíceis. Nenhuma palavra foi compartilhada entre nós, mas por algum motivo, o silêncio era suficiente. Lenta mas seguramente, ele voltou ao normal, o corpo relaxando. Só nossas respirações enchiam o silêncio, cada uma ecoando. A tensão dentro de mim se soltou. Desviei o olhar dele e para o teto onde os lustres brilhantes dessa área vazia do salão reluziam. Tinha certeza de que passei mais que tempo suficiente para minha ‘pausa no banheiro’. Mas nesse momento, não conseguia me importar. — Após meus pais morrerem… — crocitou ele, quebrando o silêncio. Olhei para ele em choque. Era inesperado ouvir sua voz, mas de todas as coisas que mencionaria… Meu estômago apertou com o lembrete dos pais dele. Eu ainda era criança na época, assim como ele quando a notícia veio. Não entendia completamente na época o quão dilacerante deve ter sido, mas sabia o suficiente sobre morte. O ex-Alfa e Luna morreram em um acidente de carro acidental no caminho de volta de uma visita amigável. Meus pais foram resgatá-lo e voltaram com ele em mãos. Após isso, veio o grande funeral e luto por semanas a fio por toda a alcateia. A maior parte do que aconteceu durante aquele tempo m*l lembro. Mas lembrava de Tristan. Vi ele durante o funeral. Ele era alguns anos mais velho, mas vi vazio nos olhos dele que desejei poder preencher me aproximando dele. Tão perto e tão longe. Talvez isso fosse o início dos meus sentimentos por ele, mas nunca soube que a distância permearia anos depois. Era um tópico que nunca abordei com ele, considerando que tinha pouco luxo para isso. Empurrando aqueles pensamentos para longe, assenti em silêncio, apertando levemente o joelho dele. ‘Estou aqui.’ Queria transmitir. Qualquer motivo que o levou a mencionar, estava pronta para ouvir. Um suspiro veio ao meu lado. — Fiquei sozinho pelos primeiros dias. O acidente foi perto da fronteira de outra alcateia, então fui levado para o hospital de lobisomens próximo antes de sua família ser chamada para me levar — disse ele, a voz vazia e falhando. — Por aqueles primeiros dias, curei, mas algo mais mudou. Lembro dos olhares piedosos e do novo título que me rotularam, antes de Alfa. Órfão.
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