Tristan
O choque fervilhava, cercando todo o salão. Não sentia o peso das minhas palavras ressoando por todos.
Mas não as retiraria.
— Alfa… Tristan, qual o significado disso? — gaguejou o pai dela.
Meu maxilar se contraiu em resposta, enquanto eu desviava o olhar do olhar de Valerie para fixá-lo em seu pai. Algo em mim se revirou com os rostos pálidos deles, mas não era preocupação.
Pelo que me dizia respeito, eles eram minha família. Foram os que me criaram após a morte dos meus pais e me trataram como filho próprio.
Sempre tentei agradá-los o melhor que podia, mesmo quando a realização do que coletivamente fizemos a Valerie veio a mim.
Mesmo enquanto sentia vontade de gritar com como eles tratavam Valerie tão descaradamente. Apesar daquelas palavras escaldantes que ouvi por acaso deles dizerem sobre ela no quarto de Alyn e em todas as outras vezes. Apesar de tudo que sentia sobre como a tratavam.
Afinal, não podia odiá-los tanto quanto me odiava.
Mas agora, encarando o homem à minha frente parecia encarar um estranho. Nesse momento, havia só uma coisa na minha mente.
Me recusei a me conter mais. Não dessa vez.
— Nunca quis esse casamento ou cerimônia de acasalamento — sorri amargamente. — Toda essa cerimônia foi forçada da minha parte, pressionada pelos meus deveres, as expectativas da alcateia após o anúncio repentino de Alyn da gravidez dela. E especialmente na época, já suspeitava que Alyn mentia sobre tudo. Simplesmente não ousava dizer por medo da percepção, para manter a paz e ironicamente o suficiente, para preservar a reputação dela. Mas agora não há necessidade de conter o que ela já destruiu ela mesma.
Um suspiro delicado alcançou meus ouvidos e virei para encontrar uma lágrima escorrendo pelo rosto de Alyn, sua expressão se tornando devastada. Encarando-a, não encontrei nem um pingo de simpatia.
Para armar tudo isso, para manter essa fachada, só para se casar comigo…
Eu havia desempenhado um papel nisso, mas era claro que ela não era nada como outrora acreditava. Não essa conspiradora e astuta. Ela não era a menininha rogue abandonada que acreditava precisar proteger nem era uma vítima que pensava não poder fazer nada errado.
Não era há muito tempo.
— Tristan, isso tem que ser um erro — tentou argumentar a mãe de Valerie. — Todos podem ver você e Alyn-
— Vou declarar isso claramente na frente da alcateia. Eu, Tristan, nunca tive qualquer interesse nela além de como irmão — declarei, alto e claro para todo o salão ouvir, cortando o pai dela no processo. Todos me olharam atordoados.
— Toda ação que fiz foi por empatia e cuidado platônico. Posso admitir livremente que com o tempo passou a ser extremo, fazendo as pessoas entenderem errado. Posso admitir que cometi um grande erro ao fazer isso. Mas também posso admitir isso — disse, virando-me para ela.
— Nunca a amei e nunca amarei.
Eu podia não ter sentimentos, mas a conhecia bem o suficiente, ou pelo menos pensava que sim. E bem nesse momento, podia ver o coração de Alyn se partir no local.
Um soluço escapou dela enquanto ela tropeçava para trás, lágrimas escorrendo livremente.
Um fio de simpatia surgiu em mim, não pelo que ela fez, mas pela parte que desempenhei nisso. No passado, teria sido compelido a pedir desculpas por ser tão direto e áspero. Poderia ter colocado as coisas de forma mais suave e provavelmente assumido a culpa sozinho no caminho.
Esse não era o momento para fazer nada disso. Ela não era uma criança e eu não era o mesmo homem de antes.
Me endireitei, me sentindo mais empoderado. Imbuindo minha voz com a autoridade que ganhei como Alfa, virei-me para Alyn.
— Alyn, você não foi nada além de uma irmã mais nova para mim, uma irmã mais nova para minha ex-companheira, Valerie — poderia jurar que os olhos dela endureceram com o nome de Valerie, mas continuei.
— O Beta Hamish e a Senhora Valentine me trataram como filho desde a morte dos meus pais, me ajudando a me tornar o homem e Alfa que sou hoje. É uma dívida que nunca poderia pagar. Pelo bem de todos esses relacionamentos, não vou puni-la por isso e pelo dano que causou, não só a mim, mas à alcateia. Só talvez eu possa até perdoá-la com o tempo. Mas me recuso a manter qualquer relacionamento com você daqui em diante. Não quando foi m*l interpretado e usado a seu favor. Daqui em diante, somos nada além de estranhos. Considere isso minha última misericórdia como ex-irmão e amigo — finalizei.
Com aquelas palavras, Alyn desmoronou. Um lamento alto perfurou meus ouvidos antes de um borrão de branco se mover. Alyn estava saindo, tropeçando para longe do altar sem uma palavra. Só pude assistir enquanto ela corria, seu vestido branco arrastando atrás dela enquanto saía do salão.
Não senti absolutamente nada ao longo. Em vez disso, virei-me para a que tornou tudo isso possível.
Valerie também olhava para a entrada por onde Alyn saiu, mas como um relógio, virou-se para mim a tempo.
Seu cabelo, embora completamente solto, se espalhava pelo rosto como um halo, enfatizando seus olhos azuis.
Ela havia feito isso. Ela me ajudou, encontrando evidência quando desisti. Quando parecia não haver esperança.
Eu a amava.
Ela sorriu e senti me sorrir em resposta. Meu coração martelava de empolgação. Havia tantas coisas que queria fazer nesse momento. Queria falar com ela, abraçá-la. Deusa, eu podia-
Meu estômago apertou com o pensamento. Ela estava tão perto do altar e uma imagem assustadora e eletrizante de estar nessa cerimônia de acasalamento com ela ao meu lado, casando com ela de novo, me enviou em espiral. Empurrando aqueles pensamentos para longe, olhei para o salão para me distrair.
A alcateia me olhava, murmúrios enchendo o ar junto com o olhar dos outros representantes de alcateias. Alfas, Lunas, Betas iguais tinham os olhos em mim, mas não conseguia me importar com as pressões da alcateia mais.
Para o inferno com obrigações e deveres e expectativas.
O laço no meu pescoço sumiu e pela primeira vez em muito tempo, senti verdadeiro alívio.