Valerie
Juntar-me à alcateia dele?
O pensamento enviou um arrepio pela minha espinha. Eu havia acabado de conquistar minha liberdade, e a última coisa que eu queria era ser acorrentada a outra alcateia, presa pelas regras e expectativas deles.
Mas recusar a oferta de Alistair não viria sem consequências. Eu estaria fazendo dele um inimigo, e isso era um risco que eu não tinha certeza se estava disposta a correr, especialmente dele, que havia causado a morte de mim e do meu filho.
Isso me deixava com o pior tipo de dilema.
Eu pesei minhas opções, minha mente correndo com os prós e contras.
Eu poderia realmente confiar em Alistair? Mesmo se pudesse confiar nele como Alpha, e quanto à alcateia?
Eu estava considerando isso? Não.
Quanto mais eu pensava, mais conflituosa eu ficava. Eu estava dividida entre meu d****o por independência e os perigos potenciais de recusar a oferta de Alistair. O silêncio entre nós parecia crescer mais espesso, mais pesado, enquanto Alistair esperava pela minha resposta.
Eu não sabia o que fazer.
Se eu recusasse, não sabia o que ele faria. Mas juntar-me à alcateia dele...
Depois de minutos pensando, finalmente veio a mim.
— Não — eu finalmente falei, fazendo-o franzir a testa antes que eu me apressasse a dizer.
— Eu não vou me juntar à sua alcateia, mas tenho um acordo alternativo.
Ele parou, erguendo uma sobrancelha, mas eu continuei falando enquanto escondia meus nervos.
Quando terminei, ele riu, mas eu permaneci firme. Mesmo que eu pudesse ver que não era o que ele queria, ele finalmente assentiu.
— Você faz uma boa barganha. Tudo bem, então — ele concordou, erguendo a mão para apertar.
— Prazer em trabalhar com você... Valerie. — Ele ronronou.
Eu não respondi, apertando sua mão. No momento em que o toquei, uma faísca aguda percorreu meus sentidos. Eu m*l consegui processar enquanto soltava, encontrando seus olhos azuis gelados.
— Igualmente — eu só consegui dizer.
Enquanto saía do salão, minha mente girava em torno da sensação. Eu havia feito a coisa certa?
....
UM MÊS DEPOIS
Naquele dia, eu havia estabelecido um acordo alternativo, um que era um compromisso suficiente entre nós.
Apesar de rejeitar sua oferta, eu concordei em ser sua Conselheira Pessoal e Mediadora da Alcateia quando necessário. Em troca, eu recebia minha liberdade com um bônus adicional de p******o dentro da nossa cidade e da alcateia dele. Era um acordo intermediário onde nós dois conseguíamos o que queríamos.
No final, eu não me importava. Mina assumiu parte do trabalho na floricultura enquanto eu era obrigada a comparecer às reuniões da alcateia deles pelo menos duas vezes por semana.
Trabalhar ao lado de Alistair era intimidante, mas inesperadamente, ele relaxava ao meu redor, agindo mais como um chefe descontraído e às vezes amigo, mesmo que eu ainda mantivesse distância. Ele continuamente me oferecia uma posição na alcateia e eu frequentemente a rejeitava. Outras vezes, no entanto, ele ligava, e era imprevisível se era sério ou não.
Como ele fez agora.
— Desculpe — eu me desculpei, saindo do balcão enquanto chamava Mina para cuidar do cliente. Pegando meu telefone tocando, eu atendi rapidamente só para receber xingamentos.
Eu instantaneamente me enrijeci com a raiva trovejante no tom dele. Eu nunca o havia ouvido tão irritado antes.
— O que aconteceu? — Perguntei.
— Parece que sua antiga alcateia não sabe o significado de respeito, nem entende o que acabou de fazer. — Ele cuspiu.
Meu sangue gelou.
Enquanto ele explicava, meu coração despencou. Aconteceu exatamente como no passado, com Alyn iniciando um problema que escalou para isso.
— O que você vai fazer? Você declarou guerra? — Perguntei, tentando não tremer. Eu havia jurado não ter mais contato com eles, mas o pensamento da guerra começando de novo...
— Não — ele riu e minha respiração parou em alívio —, por quê eu faria isso? Afinal, eu tenho uma mediadora, não é? Uma que coincidentemente está relacionada à alcateia.
O alívio se transformou em preocupação.
Talvez eu tivesse esperado que as coisas mudassem, mas fui provada errada. Não havia como escapar disso.
A Alcateia do Eclipse, meus pais, Alyn e Tristan. Eu ia encará-los de novo.
Dias se passaram depois que Alistair anunciou sua decisão. Ele havia sido o responsável por escolher o lugar, que era, sem surpresa, o salão da alcateia dele. Com todos os detalhes definidos, tudo o que restava era eu enfrentá-los.
Eu tive tempo para me preparar durante a viagem até o local. Agora eu estava pronta.
Eu murmurei um obrigado enquanto os guardas da alcateia me davam uma mão para descer. Seja por causa da minha permanência contínua ou do acordo, eles haviam se tornado muito mais amigáveis e educados. Alguns membros da alcateia me cumprimentaram no caminho, mas isso ainda não parava minha ansiedade.
Entrando, eu abri a porta e fui reunida com ambas as alcateias. Meu passado e presente.
— A Conselheira da Alcatéia da Lua Sombria, Valerie Valentine! — Eles anunciaram.
Foi preciso tudo em mim para não tropeçar enquanto entrava, ignorando os olhares. Só quando me sentei no meu lugar no assento do meio entre ambas as alcateias foi que finalmente olhei para cima.
Os membros da minha antiga alcateia me olhavam com choque, como se tivessem visto um fantasma. Meus pais também estavam presentes, com olhos arregalados.
E Tristan...
Eu congelei sob a força do olhar dele. Ele não parecia irritado, mas... diferente. Aquecido de uma forma que eu nunca o havia visto olhar antes.
Meu pai de repente se levantou, com o rosto vermelho.
— O que é isso, Alpha Alistair? Como ousa capturar nossa filha para mediar essa briga? — Ele gritou.
— Cuidado com suas palavras, Sr. Valentine. Você pode ser mais velho e respeitável, mas ainda é só um Beta, um que está no meu território. — Alistair o interrompeu. — Ela não é mais m****o da alcateia de vocês ou Luna, como nós e muitas outras alcateias estamos cientes. Vocês todos estavam orgulhosos de dizer isso também durante a reunião anual, então por que estão reclamando agora?
Ela aceitou minha posição por livre e espontânea v*****e. Não há razão para vocês reclamarem, a menos que... estejam preocupados com algo?
Murmúrios começaram, mas eu não conseguia me concentrar. Por que Tristan ainda me olhava tão intensamente?