Invisível

1652 Mots
Valerie Sair parecia uma lufada de ar fresco. Apesar de só recentemente ter recebido alta, não me importava no momento. Enquanto não me esforçasse, tudo ficaria bem. Passeando pela cidade da alcateia, vários olhares caíam na minha direção que tentava ignorar, mas os poucos que notei pareciam… diferentes. Estava acostumada ao escrutínio e zombaria que os membros da alcateia me davam e conseguia reconhecer de longe. Isso? Isso não era. — Com licença — disse após esbarrar em alguém que reconheci, mas ela só balançou a cabeça. — Eu que deveria pedir desculpas, Senhora Valerie — sorriu a mulher suavemente antes de sair. Não conseguia evitar boquiabrir enquanto ela se afastava. Atordoada não era suficiente, para dizer o mínimo. Após passear por um tempo, me encontrei em uma área de jardim próxima onde permaneci em um banco solitário. Fechando os olhos, me permiti relaxar sob a brisa noturna. Não tinha certeza do porquê, se era após semanas ficando aqui e me ajustando à alcateia mais uma vez ou essa liberdade recém-encontrada sem eventos, mas nesse momento, me sentia à vontade. Esse lugar não parecia lar para mim há muito tempo… até agora. Quando foi a última vez que me senti tão leve nesse lugar? O pensamento enviou uma sensação no estômago. ‘Isso era temporário’, lembrei a mim mesma. Não podia esquecer isso, não quando tinha um lar real para ir. Mina estava me esperando. A vida que criei para mim mesma estava lá. Não podia deixar esse… contratempo me fazer esquecer isso. Permaneci na paz por mais alguns minutos antes de voltar para a casa da alcateia. Virei o canto para meu corredor quando congelei. Tristan estava no outro fim do corredor, parado perto da minha porta. Seus olhos se arregalaram enquanto me olhava. — Valerie, o que está fazendo aqui? Você saiu? Deveria estar descansando — disse ele, se movendo para mim. — Como descobriu sobre as renovações que fiz? — perguntei, vendo-o parar no lugar. Havia uma sugestão de choque no rosto dele antes de seus ombros caírem. — Você descobriu — perguntou ele, seu tom surpreso era suficiente para me dizer que não estava ciente disso. — Algumas das empregadas falaram comigo sobre isso. Aparentemente é por isso que me tratavam diferente — cuspi quase asperamente, estreitando o olhar nele. Ele pareceu se encolher em si mesmo e isso fazia sentimentos mais complicados rodopiarem em mim. Por que ele estava sendo tão hesitante? — Após… — suspirou ele, quebrando o silêncio. — Após você partir, fui o único gerenciando a alcateia. Não via o quanto você fazia até começar a assumir eu mesmo. Podia me lembrar claramente do discurso dele naquela primeira noite no hotel. Suas palavras recentes, no entanto, nublavam aquelas. Pursei os lábios em silêncio enquanto ele continuava. — Para me atualizar, olhei o orçamento anterior de um ano atrás e vi as discrepâncias. O surto repentino em fundos que sabia que não era de mim — disse ele. — Coincidentemente durante o mesmo período das renovações? Não foi difícil juntar. Ele riu após e o som parecia quase melancólico nos meus ouvidos. — Você usou seus fundos pessoais para ajudar a alcateia. O engraçado era como isso não foi a última vez. Você fez várias vezes após e eu não fazia ideia enquanto a alcateia completamente a flagelava e atribuía a mim. Outro passo. Minha respiração prendeu. Ele se aproximava. — O engraçado é que não sei por quê? Por que deixaria seu trabalho duro se passar assim? Por que se deixar ser invisível. Então entendi. Era pelo mesmo motivo que não te entendi até ser tarde demais. Porque aos seus olhos não importaria. Quaisquer conquistas que fizesse seriam recebidas com crítica ou apatia. Ninguém se importava. Me atingiu como um soco no estômago. Ele usou as mesmas palavras que disse a ele antes. Ele acertou em cheio. E não era a verdade? Outrora fazia o possível para me provar digna aos meus pais, constantemente tentando conquistar coisas, mas tudo o que viam eram meus defeitos, elevando Alyn constantemente. Mesmo se saísse com quaisquer conquistas, o que importaria quando seria usado contra mim? Qual o uso em lutar uma batalha perdida? Era o que pensava. Agora não conseguia evitar me perguntar. Tinha só contribuído para os pensamentos deles. Tentava ser o mais infalível que podia, inabalada pelas provocações e fofocas, mas nunca me mostrei por tudo que fiz. Mesmo se não pudesse mudar a mente dos meus pais ou de Tristan, teria evitado as dores e boatos que a alcateia colocava contra mim se tivesse sido mais aberta? — Após ouvir por acaso eles falando. Me recuso a deixar seu trabalho duro ser invisível para eles de novo — terminou ele. Um nó se formou na minha garganta. Olhando para cima, seu olhar cinza escuro parecia se enterrar em mim. Por que ele me fazia sentir assim? — Obrigada — rapidamente forcei meu olhar para longe. Não importava o que fazia, não mudava suas ações de mais cedo. E infelizmente não estava no humor para perdoar. — Se me der licença, Alfa Tristan, preciso descansar um pouco — disse e seu olhar vacilou de uma forma que fazia meu coração apertar. Mas não reagiria. Não. Não agora. — Valerie- Não perdi tempo correndo para o meu quarto. Tranquei a porta atrás de mim, me pressionei contra ela e deixei meus olhos se fecharem. Era uma coisa se pudesse pintá-lo como vilão. Um homem h******l que usava simpatia para se aproveitar de mim, mas tanto na noite passada quanto ontem provavam isso errado. Por que fez tudo aquilo só para de repente me afastar? Não fazia sentido. E agora, não tinha certeza se faria sentido. Nem suas ações nem as minhas. Por que estava tão incomodada com isso? Uma voz rastejou na minha mente. ‘Era amizade que queria sozinha, ou era algo mais?’ — Bobagem — sussurrei para mim mesma. O laço entre nós foi rompido e éramos duas pessoas completamente diferentes agora. Ele nunca gostou de mim em primeiro lugar, então por que me incomodava? Em meio às negações. O beijo persistente na minha testa de dias atrás ainda formigava na minha pele. … Dias passaram e logo uma semana inteira se foi. Tentei me recuperar, fazendo check-ups com o médico da alcateia sobre os traços da d***a. Infelizmente, apesar dos meus dias de descanso, a d***a ainda estava no meu sistema, significando que ainda tinha muitos dias pela frente antes de poder deixar a alcateia. Enquanto isso, ainda passava o tempo. Quando não descansava, passava tempo dando curtos passeios pelos jardins, dessa vez acompanhada por uma das empregadas. Não estava longe dos nomes delas enquanto Camila, Sophia e Lily — a de cabelo escuro — faziam o possível para me atender ansiosamente ao ponto de quase sufocação. Elas se provaram boas companheiras e amigas, embora recentemente após uma conversa tivessem aliviado. Aprendi com elas que após o incidente do casamento, eu era surpreendentemente aclamada em vez de repreendida. Desde então, Alyn e meus pais permaneceram na casa deles, raramente sendo vistos fora e nunca pisando na casa da alcateia. Explicava por que não os vi. Agora as marés viraram aparentemente a meu ‘favor’, mas não conseguia me importar menos com isso. A única coisa que me surpreendeu, no entanto, era a comida. Antes, a comida geralmente se adequava às preferências de todos os outros, especialmente de Alyn. Então estando de volta aqui não sabia o que esperar. Ainda assim, para minha surpresa, todas as comidas que traziam para mim se adequavam ao meu gosto. E então descobri que o horário era diferente. Onde outrora constantemente me preparava cedo para chegar ao café da manhã, agora uma ou mais delas traria para mim pessoalmente nas horas tardias da manhã. Mesmo quando escolhia chegar à mesa de jantar para o café da manhã, os pratos ainda estavam quentes. Não foi até perguntar por quê que tive minha resposta. — O Alfa Tristan notou alguns dos pratos que preferia no hospital da alcateia e durante os almoços anteriores da mat- a cereal anterior — Camila, a que respondeu, se cortou com um olhar envergonhado. — Ele também nos ordenou servi-la mais tarde no dia porque você acorda tarde e nos deu instruções para notar suas preferências. Sinto muito por não notarmos antes, Senhora Valerie. Precisei conter minha reação instantaneamente, agradecendo-a e dispensando-a enquanto os sentimentos complicados pareciam crescer. Fiz o possível para evitar Tristan como a peste, raramente o vendo além de momentos nos corredores, mas constantemente parecia que ele ainda conseguia me ver através. Era em ouvir todos esses gestos que fazia sem meu conhecimento, os pequenos presentes que apareciam aleatoriamente na minha porta, os vislumbres rápidos do olhar suplicante dele. Estava em uma guerra fria com ele, mas parecia que ainda perdia. Para evitar, passei mais dias nos confins do meu quarto por horas mais longas para evitá-lo, nunca explorando o resto da casa da alcateia. Só quando tinha certeza de que ele havia saído é que saía. Mas agora mesmo isso estava ficando cansativo demais. Do que eu corria? Não sabia mais. O homem que cuidava das minhas preferências, as notava, ia muito além de sinceridade. Parecia mais profundo. Parecia mais… carinhoso. E parecia a coisa mais confusa e assustadora. Uma batida alta me tirou dos pensamentos. Abri os olhos, me sentando na cama para encontrar Sophia lá. — Você… tem visitantes esperando na sala de jantar, Senhora Valerie — disse ela, incerteza clara no rosto. Minhas sobrancelhas franziram instantaneamente. Visitantes? Quem estaria lá para me ver? Já era noite, a brisa fria noturna me fazendo arrepiar de fora. Apesar disso, assenti. — Estou indo, obrigada — disse, assistindo-a sair. Saindo, meu estômago apertou de apreensão. Quem poderia ser? Tensionei no instante em que entrei na área de jantar. Parados lá impacientemente não eram ninguém menos que minha mãe e meu pai.
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