Capitulo 14

1019 Palavras
Dona Narrando, Ele se mudou literalmente para a minha casa, arrumou espaço no guarda roupa e na bancada do banheiro agora tem seus produtos, ele esta afiado e com uma segurança que eu jamais pensei que ele teria, não banca o inocente e nem aparenta ter algum medo, é dedicado eu vejo como fica até de madrugada estudando e repassando falas usadas em mediações de um processo, ele se impõe como se estivesse mesmo em um julgamento, ele sabe dirigir mas não tem carteira, eu passei um carro pra ele ir para a faculdade mas disse que já pagou as aulas de motorista, ele esta bem gostado dessa vida tem em mãos um cartão meu e sempre chega da faculdade cheio de sacolas, o novinho esta me vendo como a coroa da lancha só pode, ele me aborda de todas as formas e o nosso s*x está uma loucura ele aprendeu bem, já conversa com meus seguranças e tá sempre falando uma gíria nova, eu não n**o que tem momentos que a sua companhia me faz bem, porém eu não posso deixar que ele perceba e nem que alguém veja que eu estou cedendo, ele não pode virar meu ponto fraco ou eles iriam passar ele rápido, na pista ele seria fácil de eliminar, então quando ele esta pelo morro e vem com graça eu corto e sou grossa sim, mas eu vejo como ele fica magoado e como me da gelo em casa, isso me incomoda, mas se eu contar ele vai começar a agir diferente e vai demostrar preocupação as pessoas vão perceber, e ai que o perigo começa. Essa vida não é para amadores, a vida dele sempre foi mais tranquila mesmo com a correria ele tinha outra realidade, então eu vou manter assim, ele nesse momento está indo em algum lugar desse morro, talvez está só andando, ou vai comer algo, mas passou do outro lado da rua e com um bico enorme, eu queria rir mas nem tive tempo, uma mina que esta sempre comendo quieta parou ele e começaram a conversar, em seguida foram descendo indo até a padaria, o papo estava bom ele ria como eu nunca vi antes, e isso não daria bom, se ele quiser fazer amizades ok, mas se quiser usar disso para me fazer ciúmes ele escolheu o pior caminho. - Patroa, a lista de moradores que vão subir essa semana. Já conferiu e puxou o fundamento? - Todos limpos, tem dois garotos vão morar sozinhos com uma irmã pequena, o menor foi sincero disse que o pai matou a mãe de tanto bater e eles fugiram de casa com medo, estão em uma casa abandonada na pista eles vão subir hoje, qual vai ser o proceder? Já localizou o pai deles? - Esta foragido, é alcoólatra. Quando eles chegarem pedi foto do pai, vamo atrás e ficar de olho em como a polícia ta agindo. - Pelo que o menor comentou o pai enterrou a mãe no quintal de casa. Eles viram tudo? - Só o mais velho viu. Qual idade? - 16, 13, 7 anos. Pqp, já sabe o que pode acontecer né? - Sim, e nem vou julgar, a situação dele faria o mesmo. Vamo ficar de olho e da uma assistência, por ele pra trabalhar na ong, assim ele cuida dos irmãos. - O assunto terminou e eu fui pra minha sala, casos assim mexia comigo era uma realidade que eu vivi e enfrentei sozinha, não ia por o menor na pista ele vai trabalhar direito, vou liberar uma casa e dar a assistência, estava com os pensamentos longe quando bateram na porta e para minha surpresa era Maurício, me olhou escaldado igual criança quando apronta, colocou uma sacola na minha mesa e um refrigerante. O que é isso? - Só te trouxe um lanche, eu comi na padaria. Não precisa me dar explicações, eu sei tudo que acontece no meu morro. - Foi a primeira vez que falei com essa menina, ela que puxou papo comigo, eu fui educado ela contou umas histórias e eu rir, nada além. E esta me contando tudo isso porquê? - Não quero m*l entendidos, e nem quero que pensa que estou te fazendo ciúmes, ou te provocando, eu ainda estou chateado mas não faria isso, não é da minha índole. Vai pra casa Maurício. - Eu vou arrumar as minhas coisas, vou ir ficar naquela casa do beco 13, aonde eu ia ficar primeiro. E porque disso agora? - Porque eu não quero atrapalhar a sua vida, eu estou tentando e queria muito que desse certo, mas eu também sou humano e eu não consigo me acostumar com a sua indiferença, eu sei que desde o início você sempre deixou claro, e eu errei em me apaixonar e em amar você, me desculpa ter sido invasivo e até mesmo atrapalhado a sua vida. - Eu vi uma lágrima descer em seu rosto e de fato eu era uma fdp, respirei fundo ainda pensando se deveria deixar um pouco o meu orgulho de lado, e assumir que eu sou grossa e tudo mais, eu levantei e fui até ele e o abracei sem dizer nada, ele respondeu o abraço e chorou como uma criança, e ali eu percebi que eu havia o magoado e muito. Não chora, e não precisa sair de casa, e me desculpa por agir dessa forma. - É seu jeito e eu sempre soube, eu sou tão r**m assim? Estamos nessa a quase 10 messes e até hoje eu acho que nunca recebi um carinho seu. Eu não sei fazer isso. - Mas também não quer tentar. Você não pode se tornar meu ponto fraco. - Estão te ameaçando? Mas vão se souber que eu tenho alguém que me desistabiliza. - Então é melhor eu ir embora. Eu não quero você longe. - O que eu faço Dona? Iandra, me chame pelo nome, mas só quando estivermos em casa, na nossa casa. - Quer que eu continue lá. Quero, e quero você em segurança também. - Se preocupa comigo. Eu me preocupo com você.
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