Capítulo 7

1030 Palavras
  Perspectiva da Scarlett   "A Katie me contou tudo o que aconteceu."   A voz dele irrompeu subitamente — baixa e selvagem, como um trovão rolando pelo céu, fazendo meus tímpanos vibrarem. Senti o chão se desfazendo sob meus pés, uma onda de tontura quase me fez perder o equilíbrio. Mesmo depois de todos esses anos, ele ainda conseguia abalar meu mundo com tanta facilidade.   "Precisa da minha ajuda, pequena loba?" A voz de Lucien ressoou, afiada como garras deslizando suavemente sobre a pele. Me arrepiei dos pés à cabeça.   Minha garganta ficou seca, o ar pareceu ter sido sugado da sala. Anui instintivamente, depois lembrei que ele não podia me ver pelo telefone.   "Sim…" Limpei a garganta, tentando firmar a voz. "Preciso da sua ajuda, Alfa Lucien."   Houve um silêncio do outro lado — três longos segundos, o suficiente para me sufocar. Eu quase conseguia imaginá-lo: aqueles olhos prateados brilhando perigosamente, o sorriso preguiçoso, mas letal, nos lábios, esperando que eu me desmoronasse ainda mais.   "Heh," ele riu de repente, a voz como chamas lambendo um pergaminho antigo. "Você é ousada, pequena loba. É a primeira que me pede ajuda assim."   Meu coração pulou uma batida.   "Então, já pensou em como vai me recompensar?" ele perguntou devagar, deliberadamente, como se estivesse atraindo uma presa para uma armadilha.   Mordi o lábio, hesitei, depois sussurrei: "O que você quer?"   "Muitas coisas." A risada baixa dele sugeria significados ocultos. "Mas não agora."   A fúria brilhou nos meus olhos, e eu retruquei: "Não serei sua marionete! Se isso é só um jogo para você, então nunca deveria ter ligado!"   A linha ficou completamente silenciosa. Eu conseguia ouvir a respiração dele — lenta, profunda, como uma fera rondando na noite.   "Ah," ele murmurou finalmente, a voz roçando meu ouvido como o vento noturno. "Então a pequena loba já tem garras… Gosto disso."   Havia algo selvagem no tom dele — uma fome indomável, como um predador se aproximando lentamente. Meu coração disparou. As memórias voltaram. Há sete anos, eu era uma garotinha tímida. Sempre que Lucien aparecia, minha loba se encolhia. Mas agora, não mais.   Endireitei minhas costas, tentando manter a calma na voz. "Muita coisa mudou, Alfa Lucien. Eu preciso de ajuda de verdade, não de uma piada. Se você não consegue levar isso a sério, talvez a Kathleen tenha se enganado sobre você."   Ele não respondeu imediatamente. O silêncio era pesado, como se ele estivesse examinando minha alma pelo telefone.   Depois, veio uma risada fria. "Mudou sua estratégia, foi? Primeiro raiva, depois provocação?"   Prendi a respiração, meus dedos brancos de tanto segurar o telefone.   "Não pretendo ajudar alguém preso no passado, dividido pela hesitação." A voz dele ficou mais fria, com um toque de impaciência. "Esta ligação terminou. Se você tiver certeza de que está pronta para revidar, então conversaremos outra vez."   A linha cortou. Fiquei congelada, com o telefone na mão, o coração disparado. O tom arrogante de Lucien ecoou na minha mente. Joguei o telefone longe.   Como eu poderia depositar esperança em um alfa macho, mesmo que ele fosse o irmão da minha melhor amiga? A esperança se despedaçou novamente. Eu estraguei tudo outra vez.   Corri escada abaixo. Precisava de ar. Mas Alexander me proibira de sair.   Ruby apareceu na porta, os olhos brilhando de empolgação. "Luna Scarlett, você pode sair!"   Pisquei, atordoada. "O quê?"   "O Alfa Alexander deu a ordem ele mesmo. Você não está mais restrita!" ela sorriu, como se tivesse acabado de dar a melhor notícia do mundo. Anui lentamente, com as emoções fervilhando dentro de mim. O que ele estaria planejando agora? Me libertar assim, do nada?   Ruby percebeu a dúvida no meu rosto. Ela deu um passo à frente e me abraçou com força. "O Alfa deve ter percebido o erro dele! Ele sabe que você é melhor que Faye. Todo mundo vê isso. Só você pode ajudar a Alcateia da Lua Crescente, Luna Scarlett!"   Talvez ela estivesse certa. Mas eu não baixaria a guarda.   Foi então que meu celular vibrou. Uma mensagem de Faye. "Você realmente devia me agradecer. Convenci Alexander a te libertar. Mostrei à alcateia que sou uma Luna compreensiva, mesmo depois do seu ciúme quase ter matado meu filho."   A raiva subiu rápida e intensa. Claro que era aquela p**a interferindo nos bastidores. Como eu poderia sequer considerar que Alexander agiu por decência? Cerrei os punhos. Precisava descontar em alguma coisa. Com força. Precisava soltar essa fúria antes que ela me consumisse.   Fui com ímpeto para o campo de treino; pelo menos eu tinha minha liberdade de volta. Que melhor maneira de usá-la do que liberar um pouco dessa raiva? Preferia lutar com alguns guerreiros a deixar Faye me enlouquecer.   O sol brilhava forte. Guerreiros gritavam e lutavam na terra. Escaneei a área. Coby estava lá, treinando com alguns outros.   O campo estava dividido. Minha equipe original de um lado. A equipe de Alexander do outro. O grupo dele parecia mais novo, melhor equipado. O equipamento deles brilhava mais.   Eu me perguntava o que ele estaria tramando dessa vez, dividindo nossos guerreiros dessa maneira.   Depois notei um conjunto de arco e flecha novinho em folha ao lado — completamente sem uso. Alexander provavelmente havia ordenado que ninguém os tocasse.   Uma ideia travessa surgiu em minha mente:   Por que não cutucar a onça com vara curta?   Peguei uma das máquinas e arrastei para o meu lado — o lado dos meus lobos.   Sussurros e respirações ofegantes me seguiram. Eu não me importei.   Um guerreiro alto se aproximou. Musculoso. Orgulhoso. Usando o mesmo emblema que Alexander.   "Isto quebra as regras," ele disse, braços cruzados. Normalmente, sem Faye por perto, ele nunca se atreveria a falar comigo assim. Eu não o culpava.   Levantei uma sobrancelha. "Então me impeça."   Um sorriso astuto surgiu nos lábios dele. "Você é muito frágil. Não me faça machucá-la."   Sorri docemente. "Ah, querido. Você não está preparado para a humilhação que estou prestes a te dar."   Risadas ecoaram. Uma multidão começou a se formar.   "Quer lutar?" ele provocou.   Ajustei minha postura, olhos fixos nele.   "Não. Quero ensinar uma lição ao seu ego."   Ele riu. "As damas primeiro."   Não sorri. Alcancei uma espada sobressalente do guerreiro mais próximo e a apontei diretamente para ele.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR