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Maia.
A mesa está fria.
Essa é a primeira coisa que noto quando o diretor Vance me levanta — o frio impiedoso do mogno polido cravando-se na parte de trás das minhas coxas. É um contraste nítido e reconfortante com o calor absoluto do seu corpo pressionando o meu.
Meus livros, minhas pastas cuidadosamente organizadas e minha dignidade estão deslizando para o chão com uma série de baques abafados, mas eu nem sequer me mexo. Não consigo. Não quando a mão dele está firme no meu cabelo, inclinando minha cabeça para trás num ângulo que deixa minha garganta exposta e vulnerável.
Ele não interrompe o beijo. Ele o domina. Sua língua é um peso inquieto e pesado contra a minha, com gosto do expresso amargo que ele bebe o dia todo e da intenção sombria e perigosa que ele esconde sob aquele terno. Envolvo minhas pernas em sua cintura, minhas botas de combate batendo contra a sua lombar, e o puxo para perto de mim.
O “Diretor” sumiu. O homem parado entre as minhas pernas é um estranho — um predador que finalmente parou de fingir que não está com fome.
“Você pediu por isso o ano todo, Maya”, ele sussurra contra meus lábios, a voz tão baixa que é quase um rosnado. “Toda vez que você ‘esquecia’ a lição de casa. Toda vez que você usava aquela saia no meu seminário e sentava na primeira fila. Você queria ver o que seria preciso para me fazer perder a paciência.”
Estou ofegante, meu peito subindo e descendo contra a camisa social dele. Sinto os botões pressionando minha pele. “Eu queria ver se você era mesmo humano”, sussurro, meus dedos cravando nos músculos dos seus ombros.
“Você está satisfeito com a resposta?”
Ele não espera que eu responda. Suas mãos deixam meu queixo e encontram a barra da minha saia xadrez. Ele junta o tecido nos punhos e o puxa para cima, passando pelos meus quadris, expondo minha calcinha de renda barata à luz fraca do escritório. O ar frio toca minha pele úmida, me fazendo estremecer, mas logo em seguida suas mãos estão lá para me aquecer.
Ele se afasta o suficiente para me olhar. Seus olhos cinza-ardósia são escuros, as pupilas dilatadas a ponto de quase não haver mais cor. Ele olha para o meu peito, observando como meus m*****s se projetam contra o tecido fino da minha blusa, e então seu olhar desce mais.
“Você está tremendo”, observa ele.
“Está frio”, minto, com a voz embargada.
“Não é o frio.” Ele se inclina, seus lábios roçando a parte sensível da minha orelha. “É o fato de você finalmente estar percebendo que não vai conseguir se safar dessa.”
Ele move a mão, os dedos se prendendo no elástico da minha calcinha. Ele ainda não puxa. Apenas a segura ali, os nós dos dedos roçando a pele sensível do meu quadril. Meu corpo pulsa, uma pulsação forte e dolorida que me faz arquear as costas, buscando mais contato. Estou tão molhada que consigo sentir a umidade escorrendo pela renda, e a vergonha de como o desejo é eclipsada pela necessidade pura e cegante.
“Por favor”, sussurro.
“Por favor, o quê, Maya? Você precisa ser específica. Ética tem a ver com clareza, lembra?”
Ele está zombando de mim, usando aquela voz de professor enquanto sua mão está a centímetros de me destruir. Eu o odeio. Quero que ele pare de falar e termine logo o que começou.
“Por favor... Vance. Adrian.”
Ele se enrijece ao ouvir seu primeiro nome. É a transgressão suprema. O ar na sala parece vibrar com o peso disso. Ele solta um suspiro seco e áspero e então puxa. O som do cadarço se rompendo não é alto, mas no silêncio do escritório, soa como um tiro. Ele joga o tecido arruinado sobre a pilha de meus trabalhos de casa descartados e dá um passo para trás, apenas por um segundo.
Estou estendida sobre a mesa dele, minha saia amontoada na cintura, completamente exposta ao homem que detém todo o meu futuro em suas mãos. Eu deveria me sentir pequena. Eu deveria me sentir apavorada. Mas enquanto o observo alcançar o cinto, seus olhos nunca desviando os meus, tudo o que sinto é um calor frenético e elétrico.
Ele desabotoa a fivela com uma série de cliques metálicos que ecoam pelas paredes. Ele faz isso lentamente, me obrigando a observar cada movimento. Ele desliza o couro pelas presilhas, o olhar fixo no meu rosto, desafiando-me a desviar o olhar. Eu não desvio. Não consigo.
Quando ele finalmente se liberta, eu prendo a respiração.
Ele é grosso, enrugado e já brilha — uma realidade crua e pesada que faz minhas fantasias parecerem brincadeira de criança. Ele se encaixa novamente no V das minhas coxas, seu calor irradiando contra minha entrada.
“Olhe para mim, Maya”, ele ordena.
Eu olho. Observo a forma como seu maxilar está contraído, como seu pulso acelera em seu pescoço e como ele me olha como se eu fosse a única coisa que importa no mundo.
“Você vai se lembrar disso toda vez que entrar na minha sala de aula”, ele sussurra. “Toda vez que olhar para aquela cadeira. Toda vez que pensar em quebrar uma regra.”
Ele agarra meus quadris, seus dedos deixando marcas na pele, e avança.
Não é uma entrada lenta. Ele não me dá tempo para me acostumar. Ele mergulha com um único grunhido pesado, se enterrando até o fundo. Eu grito, o som abafado pela mão dele enquanto ela tapa minha boca, meus olhos arregalados. Ele é tão cheio, tão incrivelmente grande, que parece que está me rasgando ao meio.
Não consigo respirar. Não consigo pensar. Tudo o que consigo fazer é sentir as batidas fortes e rítmicas do coração dele contra o meu peito e a pressão avassaladora dele dentro de mim.
“Fique quieta”, ele rosna no meu ouvido, seus dentes roçando meu lóbulo. “A menos que você queira que o zelador nos encontre.”
Ele começa a se mover. É um ritmo brutal, como o de um pistão, seus quadris se chocando contra os meus com uma força que faz a pesada mesa gemer e deslizar alguns centímetros pelo chão. A fricção é intensa, uma mistura de dor e prazer que se agita no meu estômago. Envolvo meus braços em volta do seu pescoço, minhas unhas cravando na pele da sua nuca, tentando me firmar enquanto ele me arrasta.
Cada investida arranca um grito abafado dos meus lábios, suas mãos grandes e calejadas machucando a pele dos meus quadris enquanto ele me prende ao mogno.
O som disso é a coisa mais proibida que já ouvi — o estalo rítmico e úmido da pele dele contra a minha, ecoando nos tetos altos e nas estantes de livros com frente de vidro.
“Diga-me”, ele ofega. Sua compostura finalmente começa a ruir, seu ritmo acelerando para um frenesi predatório. Sua respiração é uma marca quente e áspera contra a pele sensível do meu pescoço, enviando arrepios pela minha espinha que nada têm a ver com o ar frio. “Diga-me que você é minha, Maya. Diga.”
“Sou sua”, soluço em seu ombro. As palavras são quase inaudíveis, interrompidas por um suspiro agudo e ofegante quando ele se encaixa perfeitamente contra mim. Meus dedos estão cravados nos cabelos da nuca dele, puxando-o para mais perto, desesperada pelo atrito. “Sou sua, Adrian. Por favor...”
Ele não diminui o passo. Pelo contrário, minha confissão só o torna mais c***l. Ele me empurra ainda mais para trás, sobre a mesa, e seus livros e canetas caem no chão enquanto ele abre caminho.
Minha cabeça pende da beirada, o mundo girando de cabeça para baixo enquanto as luzes fracas do escritório se transformam em faixas douradas. O quarto está girando, e a única coisa sólida é o peso dele me penetrando, me preenchendo até eu sentir que vou me quebrar.
O prazer está se tornando insuportável — uma tensão intensa e ardente no fundo do meu estômago, apertando cada vez mais a cada estocada profunda e implacável. Estou vibrando com ele, minhas pernas tremendo onde estão entrelaçadas em sua cintura, meus calcanhares cravando em sua lombar.
Estou à beira do abismo, minha visão turva, meu corpo inteiro vibrando como um fio desencapado. Não consigo respirar; só consigo emitir pequenos sons guturais.
“Aí está“, ele geme, a voz rouca de desejo satisfeito enquanto sente meu corpo começar a se contrair. Ele não suaviza as estocadas. Não me dá o luxo de uma construção lenta. Ele acelera, as estocadas ficando mais curtas, mais intensas e mais frenéticas, me levando ao ápice. “Venha para mim, Maya. Aceite seu castigo como uma boa garota.”
A explosão é imediata e devastadora. Grito no escritório vazio, o som abafado pelas pesadas cortinas enquanto minhas paredes se contraem ao redor dele em uma série de espasmos violentos e rítmicos. Vejo estrelas atrás das minhas pálpebras, meu corpo inteiro enrijecendo enquanto o clímax me invade em ondas de calor puro e incontaminado. É uma falha total do sistema — nada existe além da forma como ele me estica e do fogo que queima em minhas veias.
Adrian me segue um segundo depois. Ele solta um rugido gutural e animalesco que não se parece em nada com o homem que faz discursos de formatura. Seu corpo estremece, me prendendo à mesa com todo o seu peso enquanto ele ejacula profundamente dentro de mim. Ele permanece ali, com a testa pressionada contra a minha, o peito subindo e descendo enquanto me inspira.
Ficamos assim por um tempo que parece interminável. O único som é nossa respiração irregular e sincronizada e o tique-taque constante e indiferente do relógio.
Ele finalmente se retira, o som úmido e desagradável no silêncio do quarto. Um arrepio gélido invade imediatamente o espaço que ele deixou. Eu fico ali deitada, exposta e tremendo, observando-o ajeitar as roupas com a mesma calma e precisão profissional que usa para assinar diplomas. Ele abotoa a camisa, ajeita a gravata e passa a mão pelos cabelos.
O “Diretor” está de volta, e o homem que acabou de me humilhar em cima de uma mesa sumiu.
“Vista-se”, diz ele, com a voz fria e firme mais uma vez. “E Maya?”
Olho para ele, minhas pernas ainda tremendo enquanto deslizo da mesa, minha calcinha arruinada ainda jogada no chão.
“Não se atrase para a aula amanhã.”