19

955 Palavras
19 Elara. O silêncio que se seguiu à partida de Julian foi mais pesado do que o barulho que ele fizera. Pela primeira vez, a propriedade Thorne não parecia um campo de batalha disputado; parecia um reino que havia sido purificado. Silas não voltou para o quarto de hóspedes, e não me mandou de volta para o quarto azul. Ficamos na suíte principal, o ar denso com o cheiro de sexo e frio. Acordei na manhã seguinte com o som de uma mala sendo fechada. Silas estava perto da janela, já vestido com uma camisa branca impecável e calças cinza-escuras, de costas para mim. A luz da manhã era cinzenta e impiedosa. “Ele ligou para a mãe dele”, disse Silas, com a voz baixa e rouca, sem a firmeza de sempre. “Ela está em Paris. Está histérica. Aparentemente, Julian disse a ela que eu roubei a única coisa que lhe restava. Elara está ameaçando causar um escândalo. Quer levar a história do CEO que roubou a namorada do filho para a imprensa.” Sentei-me, os lençóis de seda deslizando até minha cintura. Minha pele era um mapa de sua possessão — os hematomas no meu pescoço, as tênues marcas vermelhas nos meus quadris onde seus dedos haviam se cravado. “Deixe-a falar. O que ela pode dizer que não seja verdade? Que você cuidou de uma mulher que seu filho abandonou?” Silas se virou e, pela primeira vez, vi um lampejo de algo que não era poder calculado em seus olhos. Era algo bruto. Era uma fome que havia ultrapassado a territorialidade e se transformado em algo muito mais perigoso. “A verdade é uma arma, Elara. E nas mãos erradas, pode destruir tudo o que construí.” Ele sentou-se na beira da cama, sua mão pousando no meu joelho. Ele não acariciou a pele; ele a apertou, o polegar pressionando o músculo. “Mas percebi algo ontem à noite enquanto te observava dormir. Não me importo com a empresa. Não me importo com o conselho. Passei trinta anos construindo um legado para um filho que não é digno de carregar meu nome. Se o preço para te manter for o império, então que se dane.” A intensidade daquilo me deixou sem fôlego. Ele não estava mais falando apenas de sexo. Estava falando de uma devoção total, avassaladora. Ele não esperou por uma resposta. Estendeu a mão, deslizando-a pela curva interna da minha coxa, os nós dos dedos roçando o calor úmido e dolorido entre minhas pernas. Eu não usava nada por baixo dos lençóis, e o atrito da mão dele contra minha pele sensível fez minha coluna se arquear. “Você não vai sair deste quarto hoje”, rosnou ele, baixando a voz uma oitava. “O mundo pode esperar. Os advogados podem esperar. Quero sentir cada centímetro seu até esquecer que alguma vez existiu uma versão desta vida que não incluía você.” Ele não precisava fazer nada. A lembrança dele da noite passada foi suficiente para acelerar meu coração. Ele se moveu sobre mim com a confiança de alguém que sabia exatamente o efeito que causava, seu peso pressionando-me contra a cabeceira de veludo. Suas mãos percorreram minhas laterais lenta e deliberadamente, e eu estremeci com o calor do seu toque. Ele se aproximou, seus lábios roçando levemente minha orelha. “Você sente isso? Você sente o quanto eu te quero?” Só consegui arfar, minhas unhas cravando levemente em sua camisa enquanto eu tremia. O ar entre nós era denso e quase eletrizante. Cada toque de seus dedos, cada pressão de seu peito contra o meu, era uma investida intensa, um movimento que me deixava tonta, trêmula e desejando mais. Ele se moveu um pouco, me abraçando mais forte, nossos corpos tão próximos que cada respiração parecia compartilhada. Seus olhos encontraram os meus, intensos, implacáveis, uma tempestade de desejo que tornava impossível pensar. “Só você“, murmurou ele, com a voz baixa e rouca, “só você poderia me fazer perder o controle assim.” Suas mãos deslizaram para o meu cabelo, inclinando minha cabeça para trás para que eu pudesse ver o fogo em seus olhos. Não houve hesitação, apenas um puxão forte que me deixou sem fôlego, tremendo e desejando mais. O espaço ao nosso redor pareceu desaparecer. Os lençóis de seda, o rangido da cama, até mesmo as paredes do quarto se desfizeram no nada. Tudo o que existia era o calor dele, o roçar da pele contra a pele e nossa respiração compartilhada. Eu sentia cada pulsação de sua energia, cada toque prolongado, cada reivindicação silenciosa que ele fazia através da proximidade e da pressão. “Você é minha”, ele sussurrou novamente, e desta vez não eram apenas palavras — era um voto, uma promessa, uma verdade que não precisávamos que mais ninguém testemunhasse. Eu podia sentir isso na pele, no jeito como ele me abraçava, no jeito como se recusava a me soltar. Meu corpo estremeceu, tremendo em resposta a ele, e uma profunda e avassaladora sensação de libertação me invadiu, vinda da i********e intensa e do calor de ser vista, desejada, reivindicada de uma forma que transcendia as palavras. Eu estava perdida, suspensa na intensidade dele, cada nervo pulsando com a dor do desejo e da conexão. “Partiremos para a ilha”, disse ele, com a voz fria e precisa, mas com uma inegável ponta de satisfação. “Deixem-nos falar. Deixem-nos gritar. Quando voltarmos, não haverá nada para eles reconhecerem.” Assenti com a cabeça, ainda tremendo pela proximidade, ainda cantarolando com o segredo que havíamos criado entre nós. “Estou pronta”, sussurrei, e desta vez, eu estava realmente pronta.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR