Valerie
Levei vários minutos pensando antes de finalmente sair do banheiro. Meu ser inteiro parecia gelado enquanto voltava para o salão.
— Você demorou — comentou Alistair enquanto eu me sentava.
— Algo errado?
— Algo na comida aqui, talvez — disse, m*l contendo a acidez na voz para dispensá-lo. Levou um milissegundo depois para me arrepender da aspereza. Ele só estava preocupado comigo.
Virei-me para oferecer um sorriso gentil e apologético na direção dele. Para meu alívio, no entanto, Alistair não se ofendeu.
Enquanto eu continuava comendo, meu olhar voou para o assento vazio ao lado de Alyn. Era, sem dúvida, onde Tristan deveria estar.
O almoço estava chegando ao fim e eu não tinha ideia de onde começar a procurá-lo. Mesmo assim, seria impossível me aproximar dele sem chamar atenção dos outros.
Eu podia ter sido a ex-Luna desta alcateia, mas agora, ao lado de outra pessoa mesmo como convidada, a reputação importava.
Eu precisava encontrar uma forma de contatá-lo sem que ninguém mais notasse.
Meus olhos se estreitaram em Alyn pela última vez antes de desviar o olhar para me focar na comida.
Depois que terminamos, todos nós, como convidados, éramos livres para fazer o que quiséssemos e vagar pela alcateia. Alistair, entre alguns outros, ia participar de uma corrida pela alcateia pela floresta próxima dentro da nossa Cidade da Alcateia, geralmente reservada para festivais de Lua Cheia, onde todos nos transformaríamos e abraçaríamos nossos lobos.
Os tempos haviam mudado há muito dos dias antigos em que vagávamos e vivíamos em reclusão, nos transformando e batalhando uns contra os outros à vontade. Agora, no mundo moderno, ajustados à vida urbana e à tecnologia entre humanos, nossa cultura também mudou. Alcateias se formaram em Cidades de Alcateia, territórios grandes próprios. E nós, como lobisomens, nos engajávamos mais confortavelmente em nossas formas humanas ou em uma transformação parcial, no máximo. Só em eventos em grupo como corridas de alcateia e festivais sentíamos a liberdade para nos transformar completamente em nossas formas de lobo.
‘A única alternativa sendo os períodos de guerra, claro.’ Minha mente forneceu.
A oferta era incrivelmente tentadora comparada à exploração mais cedo. Não importava o quão ‘modernos’ fôssemos, não havia nada mais libertador que a transformação da nossa segunda metade. Mas precisei recusar.
Após sair do salão, me retirei direto para o meu quarto de hóspede para pensar.
Eu vim aqui decidida a não interferir, mas aqui estava eu de novo. Dessa vez, no entanto, não conseguia deixar passar, não importava o quanto quisesse.
Se isso era fraqueza ou compaixão, não sabia, mas não podia deixar ninguém à mercê de si mesmo de forma tão errada. Se eu estava certa e Alyn era o cerne disso, então precisava.
Eu havia sido sujeita às maquinações dela enquanto era gaslighted do contrário. Chega.
Mas como?
Não havia como encontrá-lo abertamente, especialmente se não queria sussurros. O que quer que precisasse fazer, precisava ser discreto.
‘A menos que…’ Minha respiração prendeu ao me ocorrer.
Claro. Como não pensei nisso antes?
Havia caminhos diferentes para a casa da alcateia, um ou dois menos gerenciados que os outros.
Meu pai e minha mãe geralmente estavam fora nessa hora para os deveres de Beta e, se eu fosse honesta, não planejava ficar muito, só o suficiente para entrar e sair.
Resolução me invadiu, rasgando uma folha de papel comecei a escrever.
…
Exatamente como esperava, a casa da alcateia estava praticamente vazia, exceto por algumas empregadas e guardas. Consegui evitá-los com sucesso. A rotina para os servos não havia mudado.
Cheguei ao quarto dele bem a tempo, me abaixando no chão. Foi como um movimento do pulso. Leve e m*l perceptível-
— Valerie?
Enrijeci imediatamente. Era a voz dela. Olhando para cima, forcei-me a manter um ar de normalidade enquanto encarava Alyn, andando na minha direção.
— Por que você está aqui? — perguntou ela. Eu teria me divertido com a expressão dela se não estivesse tensa. Qualquer máscara de boa-fé que ela tinha m*l estava lá e seu descontentamento era óbvio.
— É crime visitar o que já foi minha casa? — brinquei, forçando um sorriso.
— Parecia que você estava feliz na Alcateia da Lua Sombria. Não esperava que fosse convidada — sorriu ela, uma coisa forçada.
‘Você deveria ter ficado lá.’
Ouvi suas implicações silenciosas sem muito esforço. Como se tornou tão fácil lê-la?
— De qualquer forma, fico feliz que esteja aqui. Pode testemunhar meu casamento — seu sorriso se suavizou em algo mais astuto.
Não tinha planos de jogar os jogos dela. Em vez disso, deixei meu olhar percorrê-la para me distrair. Do cabelo aos olhos…
Espera…
Parei e olhei para ela de novo, uma sensação estranha me invadindo.
— Espero que não esteja brava. Afinal, Tristan e você nunca foram bons um para o outro — riu Alyn, mas sua voz soava distante nos meus ouvidos.
Vagamente, conseguia reconhecer que ela provavelmente tentava me provocar, mas caía por terra diante da visão à minha frente.
Eu estava vendo coisas?
‘Não.’
Minha respiração prendeu. Talvez eu tivesse sido cega para isso, constantemente vista como segundo lugar.
Como ela se parecia exatamente comigo, ou tentava.
Seu cabelo era loiro descolorido, um tom amarelado longe dos meus fios prateados. Havia muitas mudanças, considerando como o cabelo dela era estilizado em cachos mais apertados em contraste com meus cabelos ondulados, mas era similar o suficiente para dar uma dupla olhada.
O que mais chamou minha atenção foi o vestido que ela usava, embora ligeiramente alterado, era o mesmo vestido de jantar que usei um ano atrás.
Olhando para o cabelo dela, seu palor amarelo descolorido similar, mas não próximo do meu loiro platinado prateado natural, não conseguia me lembrar de quando o cabelo dela não era assim.
Ela havia sido… todo esse tempo?
Quando ela começou a me imitar? Foi anos atrás? Começou de repente, como não notei antes? Era para que ela pudesse se sentir pertencente?
Parecia inacreditável pensar em alguém fazendo tal coisa. Era quase psicótico imitar alguém. Mas não conseguia desver.
De alguma forma, voltar aqui me deu muita perspectiva.
Em meio ao meu choque, algo mais brotou dentro de mim.
Piedade? Não conseguia dizer.
No passado, apesar de todos os ‘honras’ que eu tinha, nunca era suficiente. Eu era constantemente rebaixada.
Toda vez me perguntava por quê?
Por que eu não era melhor que ela? Por que todos a preferiam a mim?
Agora, livre daqueles fardos, quase conseguia rir dessa realização. Parecia igual partes perturbador e libertador.
Era esse o fantasma que me atormentava por tanto tempo?
Lembrando das palavras dela no meu leito de morte, meu coração apertou. Algumas coisas começavam a fazer sentido.
Voltando à realidade, via ela em silêncio, um olhar de satisfação no rosto como se pensasse que eu estava atordoada ou magoada.
Algo se soltou no meu peito. Olhando para ela, me sentia livre de um fardo que não percebia que carregava.
— Parabéns pelo seu casamento, Alyn — disse, sorrindo para ela.
Veio aquele olhar suspeito dela de novo, como se esperasse que eu me lançasse sobre ela, mas não tinha tempo para me importar.
Dando uma reverência formal, virei-me, andando sem uma palavra.
Tinha a sensação de que ela não ia mencionar me encontrar aqui para ninguém. Mesmo se mencionasse, não importava o que pensasse ou dissesse. Minha missão aqui estava completa.
O bilhete que preparei e escrevi para Tristan havia sido enfiado com sucesso no quarto dele. A bola agora estava com ele.
Tudo o que precisava fazer era esperar.
Após voltar para o meu quarto, tirei todas as roupas, afundando na cama nua de exaustão. Estava cansada, não só fisicamente, mas mentalmente. Era bom que Alistair não planejava estar na festa de celebração dessa noite também.
Colocando a mão na minha barriga firme para me lembrar da criança dentro, mergulhei no sono facilmente.
…
Quando acordei no meio da noite, estava escuro. Chequei o celular pela hora só para notar uma nova notificação.
Era um número desconhecido, mas a mensagem revelava claramente quem era.
Tristan.
‘Estarei lá’, dizia, e era tudo o que precisava.
Deitada na cama, fechei os olhos e enviei uma prece silenciosa à Deusa da Lua, esperando estar fazendo a coisa certa.
Só a Deusa sabia como amanhã se desenrolaria.