Febre

1002 Palavras
FLASHBACK: A NOITE DA PÓS-FESTA DA CERIMÔNIA DE ACASALAMENTO Tristan As celebrações diminuíram lá fora, mas ainda continuavam. Suspirei, me encostando no sofá do meu quarto. Após tudo o que aconteceu essa noite, era um resultado melhor que nada. Muitos dos representantes de alcateias que falaram comigo ofereceram simpatias durante a pós-festa. Alegres pelo que ocorreu antes de eu cair em um casamento falso e até elogiaram minha ‘magnanimidade’. A isso, disse algo em linhas semelhantes. — Valerie é quem merece todos os elogios. — Se não fosse por Valerie, eu não estaria assim. — Valerie me ajudou muito. Em algum ponto, tinha certeza de que pegaram que era mais que apreciação o que sentia. Cada um das diferentes alcateias estava mais que ciente do nosso laço anterior, da saída dela e de como agora ela ficava ao lado de Alistair. Enviava frissons de vergonha através de mim o quão óbvio parecia. Mesmo vislumbrando-a ligeiramente à distância me fazia derreter. Meu coração parecia em overdrive contínuo quando se tratava dela. Quando voltei à conversa, tinha certeza de que os Alfas da alcateia com quem falava haviam notado. Como se meus sentimentos estivessem expostos por todo o salão. Era talvez a coisa mais triste que de todas as pessoas com quem falei pela noite, ela não era uma delas. Após múltiplas amabilidades, cansei de estar perto dos convidados por tempo suficiente e saí, para me retirar cedo. E agora estava no meu quarto, deixando a festa para descansar cedo, mas ainda não havia encontrado um pingo de sono. Um conjunto de baques altos fez minha pele formigar, instantaneamente alerta. Isso não era parte da casa da alcateia que qualquer dos convidados deveria estar e tinha certeza de que a maioria dos servos atendentes teriam se retirado agora. Então quem poderia ser? Saindo do meu quarto, virei para o corredor mais próximo para não encontrar ninguém à vista. Então, passos altos e irregulares de repente vieram atrás de mim. Virei a cabeça e virei para ver- — Valerie? — disse em voz alta, choque me invadindo. Era ela. Reconheceria aquele vestido e aquele cabelo loiro platinado. Ainda assim, a visão da silhueta trêmula dela, como se lutando para ficar em pé, enviava ansiedade através de mim. Ela olhou para cima e meu coração pulou. Seu rosto parecia corado demais rosa, mas seus olhos eram cegos, vidrados sem direção real. Era como se ela estivesse… Ela estava caindo. — Valerie! Peguei-a a tempo antes que pudesse atingir o chão. Seu corpo era maleável contra o meu, calor emanando dela enquanto murmurava coisas que não compreendia. — Preciso… Você… Eu… Sua mão tentou agarrar minha gola só para escorregar, caindo mole. Meus instintos se reviraram de preocupação. Era bem diferente do olhar de uma pessoa bêbada, muito mais quando sabia que Valerie não poderia ter tocado um gole de álcool, deixando uma opção maldita. Ela foi drogada. Raiva ferveu dentro de mim. Quem diabos fez isso com ela? Estendendo a mão para tocar o rosto dela, minha raiva virou pânico gelado aos ossos. Ela estava queimando. Sofrendo uma febre. Precisava ir, levá-la para a clínica da alcateia- Não podia. A realização era como gelo. Senti meu corpo tremendo contra o dela. Se chamasse o médico da alcateia ou alertasse qualquer um, seria interpretado errado. Não podia sair nessa hora também. Ser visto de qualquer forma seria comprometedor. Não hesitariam em interpretar errado. ‘Importava qualquer coisa disso quando se tratava da saúde dela?’ Uma parte de mim se revoltava contra. Mas então pensando de volta em quão bem ela falava com os outros membros da alcateia, quão confortável parecia ao lado de Alistair na alcateia dele, o pensamento se cimentou. Sim. Importava. Se faria qualquer coisa que pudesse fazer os outros questionarem a reputação ou lealdades dela, importava. Mas não significava que ia arriscar qualquer um. Olhando ao redor pela última vez, garanti que não havia mais ninguém à vista antes de erguê-la no estilo noiva. Entrei no meu quarto, colocando-a na cama. Podia dizer que ela ainda estava incomodada, mexendo as pernas juntas em um movimento que fazia calor corar minhas bochechas, mas logo ela ficou completamente inconsciente. Não conseguia dizer que outros sintomas havia, mesmo que com o calor e movimentos sozinhos pudesse adivinhar o que era. Mas isso não importava agora. Ela estava queimando e precisava reduzir a temperatura dela. Mas para fazer isso… Engoli em seco, olhando para a silhueta mole dela. Isso nunca foi como desejei que qualquer coisa fosse. O pensamento de despi-la, no estado vulnerável e inconsciente dela, fazia náusea me invadir. — Sinto muito — sussurrei sinceramente, um pedido de desculpas à Deusa da Lua e à própria Valerie pelo que estava prestes a fazer. Tirei as roupas dela o mais rápido possível, nunca me demorando nela mais que necessário. Imediatamente após, corri com ela para a banheira do banheiro, enchendo-a com água gelada. Movendo seus fios prateados do rosto dela, deixei minhas pernas escorregarem até me sentar no chão do banheiro, bem ao lado da banheira, fechando os olhos. Agora tudo o que precisava fazer era esperar. … Às vezes ainda havia movimentos. Pequenos murmúrios, seu corpo e braço se debatendo contra a água, tentando se mover contra o corpo. Mas era claro que o corpo dela era fraco demais para se mover em primeiro lugar, muito menos fazer qualquer coisa mais. Entre raiva e ansiedade, não sabia qual triunfaria. Não tinha ideia de quantas vezes orei à Deusa da Lua no tempo, mas funcionou. Após esperar ansiosamente por 20 minutos, a febre dela finalmente quebrou. Fiquei aliviado ao ponto de lágrimas enquanto ela murmurava incoerentemente, ainda inconsciente. Mas nada disso importava. Ela ia ficar bem. Tirando-a da banheira, vesti-a rapidamente antes de deitá-la na cama e cobri-la com um edredom. Com a ausência de qualquer rubor, seu rosto parecia completamente pacífico. O pânico restante lentamente se esvaía até que um baque alto me alertou. Virei a cabeça e congelei ao ver. Alistair na minha porta.
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