Resgate

1223 Palavras
Valerie Eu me virei para trás o mais rápido que pude para procurar a voz. No momento em que encontrei a pessoa, toda a tensão me deixou. Eu sabia que reconhecia aquela voz. Ele saiu das sombras, seu cabelo loiro prateado brilhando ao luar. Enquanto se aproximava de nós, eu me senti tensa por um motivo completamente diferente. Eu o senti ao meu lado, seu olhar focado para frente. — Eu fiz uma pergunta, Alpha Tristan. — Ele disse arrogantemente, me fazendo me enrijecer. — O que você está fazendo aqui com a minha Conselheira? Tristan ainda parecia pálido, mas fiquei surpresa quando sua postura de repente mudou para algo estreito. — Eu estava falando com Valerie. Minha companheira — Tristan disse. — Ex-companheira — Alistair corrigiu —, você não tem direitos sobre ela, então não deveria encurralá-la no meu jardim. Você se lembra que essa é a minha alcateia, certo? — Alistair — eu falei, interrompendo o que quer que eles fossem dizer em seguida. Ambos os olhos se voltaram para mim, mas eu me concentrei em Alistair. Eu nunca disse o nome dele em voz alta em público, constantemente deferindo ao título dele, mas no último mês nós nos tornamos amigos e aliados de certa forma. O que quer que estivesse acontecendo era demais para eu me esquecer de me censurar. Mas o mais importante, eu não tinha tempo para isso. A adrenalina e o pânico da percepção momentos atrás ainda persistiam, mas toda a luta me deixou por enquanto. Agora, eu só queria ficar sozinha. Felizmente, Alistair leu minha mente e eu senti sua mão reconfortante nas minhas costas. — Nós acabamos de chegar à paz essa noite. Deixe ficar assim. — Alistair disse, direcionado a Tristan. — Aproveite os jardins, Alpha Tristan. Batendo levemente em mim, eu captei o sinal rapidamente, me virando ao lado dele. Meu olhar voou para Tristan logo antes de eu me virar. Com a pseudo-briga perdida, qualquer confiança falsa que ele havia colocado havia sumido, deixando o mesmo olhar de antes. Seu rosto estava pálido, ombros caídos enquanto ele me encarava com aquele mesmo olhar devastado. Ele parecia derrotado. Eu senti seus olhos atrás de mim enquanto eu andava ao lado de Alistair. O lembrete do que eu havia dito ecoando. O que ele estava sentindo agora? Eu forcei esses sentimentos para longe. Meu passado se foi e essa era a única forma de seguir em frente. Eventualmente... o amor que eu tinha por ele também desapareceria. No momento em que Alistair me levou para dentro, ele não me levou para o salão, em vez disso se movendo pelos corredores. — Você está bem? O que aconteceu lá atrás? — Ele perguntou. Eu pisquei de surpresa. Eu nunca havia ouvido sua voz tão suave ou a preocupação carregada nela. Como eu poderia explicar o que diabos eu havia ouvido e feito nos jardins? Fazer isso incluiria revelar minha vida passada, o que era uma loucura em si. — Não se preocupe. Tudo bem se você não quiser compartilhar — ele sorriu levemente. Nós paramos e, para minha surpresa, me encontrei em uma porta familiar. Eu estava tão fora de mim que não notei para onde ele estava me levando. Ele a abriu e eu fui recebida pelo escritório pessoal dele, banhado em luz quente, diferente do trono alto e poderoso em que eu o encontrei pela primeira vez nessa vida. — Você pode ficar aqui se quiser ficar sozinha e esperar a festa acabar. — Suas palavras me fizeram virar para ele de surpresa enquanto ele curvava os lábios. — Havia um motivo para você ir pegar ar fresco. Já é r**m o suficiente que eu te fiz ficar para a festa, pelo menos me deixe fazer isso por você. Ele estava certo. A última coisa que eu queria ver, mesmo de longe, era Tristan. Essa era minha saída e eu já havia estado aqui várias vezes. Entre isso e voltar para a festa, eu escolheria isso. Quem era eu para recusar? — Obrigada — murmurei enquanto entrava. Com um sorriso final, ele fechou a porta, me deixando sozinha no quarto. Eu fiquei lá pelo resto da noite, passando meu tempo no sofá com meu telefone enquanto não fazia nada. Não foi até uma hora depois que Alistair entrou de novo. — O caminho está livre. Eles foram embora. — Ele piscou de forma brincalhona, confusão me atingiu. Foram embora? Era tarde demais para qualquer viagem e eu duvidava que eles não estivessem embriagados. — Onde eles estão? — Perguntei, minhas implicações claras. — Por ordens do Alpha deles, a alcateia se retirou cedo e saiu. Eles estão ficando em um hotel na cidade essa noite. — Alistair disse, se sentando na sua escrivaninha. Eu não deixei de notar como ele não estava usando o nome de Tristan. ‘Ainda assim...’ Eu suspirei, uma mistura de alívio e culpa. — Obrigada, por isso. — Eu disse. Eu não esperava que o homem que me matou na minha vida passada fosse o que me ajudava agora, mas ele não só me defendeu na frente da minha alcateia, como veio ao meu resgate de novo no jardim. Nós éramos amigos e aliados e eu era ainda mais lembrada disso agora. — Eu não vou bisbilhotar, mas ele estava te incomodando lá atrás? — Ele perguntou, seus olhos semicerrados como se estivesse pronto para ir e ameaçar Tristan por mim. Eu balancei a cabeça, sorrindo com amargura. — Não é nada que eu não pudesse lidar — eu disse, mas nem conseguia me assegurar completamente. Eu não havia processado completamente o que aconteceu essa noite, para pensar que Tristan sabia sobre mim. Eu não queria me preocupar com a mudança. — Sabe, se você estiver preocupada, minha oferta para se juntar à alcateia ainda está de pé. Você terá toda a p******o que precisa aqui. — Ele disse, um sorriso provocador nos lábios. Eu lutei contra um sorriso meu enquanto suas palavras aliviavam o fardo. Mesmo depois de eu concordar em trabalhar para ele, ele ainda continuamente oferecia para eu fazer parte da alcateia dele, sempre conseguindo inserir isso na conversa de um jeito ou de outro. A essa altura, era mais uma piada recorrente para ele do que uma pergunta séria de verdade. Minha resposta era a mesma toda vez. — Você já deu a mim e a Mina toda a p******o que precisamos — eu sorri, erguendo as sobrancelhas de forma maliciosa. — Eu não deveria ter caído na sua mão tão facilmente. Agora parece que fui enganado — ele suspirou desconsoladamente, me fazendo bufar. Mudando na minha cadeira, eu olhei para o céu noturno pela janela. Se eles haviam saído, não havia necessidade de eu estar aqui mais. Já era tarde de qualquer jeito. — Eu preciso ir agora. Mina deve estar me esperando. — Eu disse, me levantando. Eu estava a dois passos da porta quando sua voz veio de trás de mim. — Há outra forma de garantir que ele não se aproxime de você — ele disse. Era só minha imaginação ou sua voz soava ligeiramente diferente? Eu me virei para trás e encontrei um olhar contemplativo no rosto dele. Ele quase parecia sério. — Ah é? — Eu ri levemente. — De que forma, então? — Seja minha companheira.
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