Pequenas Vitórias

1222 Palavras
Valerie Eu olhei pela janela durante toda a viagem. Hoje havia ido melhor do que o esperado e muito pior. Eu finalmente consegui ajudar o conflito na alcateia a morrer. Deveria ter sido o fim, mas saí mais conflituosa do que cheguei. O dia inteiro havia sido uma montanha-russa e eu estava no meio dela. O que eu deveria fazer sabendo que Tristan de alguma forma sabia da nossa vida passada? Por que isso aconteceu em primeiro lugar? Por que a Deusa da Lua deixou isso acontecer? E então havia Alistair, que de repente confessou e me propôs ao mesmo tempo. Durante meu tempo no último mês, eu nunca pensei nele nesse sentido. Sim, eu ainda me sentia inquieta com ele, mas ele se tornou um conhecido e um bom parceiro. Mas como companheiro? Eu mordi o lábio inferior. Eu nem conseguia me imaginar casada novamente, muito menos com ele. Depois de deixar minha alcateia, minha mente estava decidida a viver pacificamente como uma ninguém. O plano inicial havia desmoronado com a descoberta de Alistair sobre mim, mas eu me adaptei. Eu estava pronta para ficar sozinha pelo resto da minha vida. Voltar para aquilo seria... E ainda assim, eu não consegui rejeitá-lo, mesmo enquanto ele orgulhosamente anunciava que me perseguiria. Eu estava atônita demais para fazer isso, mas acima de tudo, eu estava um pouco com medo do que aconteceria se não fizesse. —Deusa — suspirei no silêncio, me encostando na janela fria. Eu superei um obstáculo para receber vários em troca. Quais planos ela tinha para mim dessa vez? Levou mais 20 minutos para finalmente chegar em casa. Saindo, vi que a floricultura já estava fechada e escura. Olhando para cima, no entanto, as luzes do andar superior ainda estavam acesas. Eu entrei pela loja, trancando-a atrás de mim antes de me aventurar mais fundo. Perto do estoque havia a escada que me levava até o nosso espaço de apartamento compartilhado. Com uma cozinha, banheiro, parecia um mundo separado do resto do prédio. Mina me notou da cama dela, jogando o livro para longe para correr até mim. Eu relaxei no abraço dela. Se meu eu passado imaginasse fugir com minha empregada, eu não teria compreendido. Depois de voltar para esse tempo, eu estava pronta para ser verdadeiramente livre. Eu estava feliz por não estar sozinha. Especialmente agora. — Oi. Como foi? — Ela perguntou depois de se separar de mim. Apesar da atitude calma, eu sabia que ela estava abalada. Depois que eu contei a notícia do conflito entre as duas alcateias, ela ficou ansiosa. Ela não precisava mais ser. Eu dei a ela uma visão resumida de tudo, vendo-a mudar de preocupada para aliviada. Ela ainda parecia contemplativa. — Como está... você viu meus pais lá por acaso? — Ela perguntou. Isso me parou. Eu tentei não focar nos membros da alcateia. Depois de vasculhar minhas memórias desesperadamente, balancei a cabeça. — Sinto muito — eu disse enquanto ela murchava ligeiramente. Culpa apertou em mim. Não era notícia velha agora que ela havia deixado a alcateia comigo. Embora parecesse feliz, uma parte de mim sempre se perguntava se ela tinha segundas intenções. — A Alcateia do Eclipse está na cidade agora. Você está considerando... — Eu parei. As palavras ‘voltar’ ficaram não ditas, mas ela parecia entender enquanto balançava a cabeça com firmeza. — Essa é minha nova casa agora. — Ela disse com um ar de sinceridade na voz. Ela soava tão adamant quanto no dia em que saímos. — Bem, então — Mina suspirou —, tudo parece bem, então por que você parece tão preocupada? Eu pisquei de surpresa. Como ela sabia? — Você se lembra que vivi com você por mais tempo. Eu conheço cada expressão sua, Lu- Valerie — ela corrigiu, um rubor nas bochechas pelo erro. Isso me fez sorrir levemente até o lembrete do motivo vir até mim. Eu torci os lençóis debaixo de mim. Mina havia sido a primeira pessoa em quem eu podia confiar completamente em ambas as vidas, mas eu não conseguia me forçar a revelar algo que duvidava que ela acreditaria. Mesmo se acreditasse, sobrecarregá-la com uma vida que não existia mais parecia c***l. Agora, no entanto, tornava explicar o que aconteceu essa noite mais difícil. — Tristan veio até mim. — Eu disse. — Ele... ‘Ele de alguma forma teve uma visão da minha vida passada e da minha morte e da do bebê e agora tentou me persuadir a sair dizendo que o bebê se foi.’ — Ele tentou me convencer a voltar. Para a alcateia. — Eu disse e ela franziu a testa. — O Alpha Tristan nunca se interessou tanto por você antes — ela disse, e não era isso um golpe. De repente, o olhar dela se moveu para baixo, quase contemplativo. — Às vezes — ela continuou —, eu me perguntava se era culpa da sua irmã. Tudo parecia dar errado do seu jeito sempre que ela estava por perto, mas... Como se tivesse percebido o que estava dizendo, ela piscou freneticamente, balançando a cabeça. — Por favor, não se ofenda, Valerie. Eu só estava... — Não... tudo bem — eu disse. Sabendo o que eu sabia agora, não era como se ela estivesse errada. — Eu o rejeitei, é claro. Também disse algumas palavras sobre minha gravidez. A última coisa que eu queria era que ele se sentisse obrigado comigo. — Eu disse. Eu esperava que meu bebê pudesse sentir o quanto eu sentia por ter alegado que estava morto, mesmo por um curto momento. Olhando para Mina, vi a simpatia nos olhos dela. — Além disso, Alistair... Mina se encolheu com minha menção a Alistair. Depois do primeiro incidente que levou a eu conhecê-lo, ela ficou abalada e permaneceu inquieta com ele. Eu não podia culpá-la. Eu ainda ficava de certa forma, especialmente depois dessa noite. Era também o que me empurrava a balançar a cabeça. — Deixa pra lá, eu te conto sobre isso depois. — Eu disse. Mina suspirou, estendendo a mão para segurar a minha. — Ei, você está aqui. Você os enfrentou e voltou vitoriosa. Por favor, não fique ansiosa. Vamos focar nas pequenas vitórias por enquanto, ok? — Ela perguntou, curvando os lábios para cima. Eu reuni um pequeno sorriso. — Sim. ‘Pequenas vitórias...’ Como se tentasse mudar a conversa, Mina de repente bateu palmas, um sorriso mais brilhante e genuíno crescendo no rosto dela. — De qualquer jeito, deixa eu te atualizar sobre o resto do dia na loja. Lembra daquele rapaz? Você sabe, o com a cicatriz... .... Nós continuamos conversando por mais alguns minutos antes que o cansaço nos pegasse. Mina foi a primeira a ir, suas palavras ficando arrastadas antes que ela cedesse ao sono. Apagando as luzes, eu me deitei na cama, deixando as luzes da rua iluminarem o quarto. Ainda havia uma sensação estranha e inquietante se enrolando no meu estômago junto com um sentimento vazio. Parecia que algo pairava sobre mim, mas eu não conseguia entender. Fechando os olhos, forcei aqueles pensamentos para longe. Eram só minha imaginação. Antes que a escuridão tomasse conta, um flash de olhos cinzentos familiares veio até mim. Os olhos de Tristan. Era tarde demais para capturá-lo, no entanto. A escuridão me envolveu em um sono quente.
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