DOIS MESES DEPOIS
Valerie
— Outro — Mina sussurrou no meu ouvido enquanto passava por mim com as flores. Aquelas duas palavras fizeram meu queixo se apertar.
Desculpando-me com o cliente que perguntava sobre flores para presente de aniversário, saí do prédio para encontrar um homem grande e corpulento segurando um conjunto de caixas. Olhando para ele, pela experiência eu já sabia que era algo caro.
— Obrigada — sussurrei, apesar de não estar sendo sincera. Assinando o pacote, peguei-o rapidamente, passando da nossa floricultura e subindo as escadas para o nosso apartamento. Em um quarto que reservamos para armazenamento no andar de cima, larguei a caixa de presente, intocada, assim como as outras que estavam lá.
Quando voltei, Mina estava atendendo o cliente anterior. Trocamos um olhar exasperado pela loja.
Era rotina agora, começando dois meses atrás. Desde a ‘proposta’ de Alistair, eu vinha recebendo um fluxo constante de presentes dele. A primeira vez que aconteceu, eu o encontrei para devolver pessoalmente, só para receber sua reação estranha.
— Não vou pegar de volta algo que é para você e não vou parar de enviar presentes — respondeu ele naquele dia. — Eu prometi cortejá-la, Valerie. Agora se prepare para ser cortejada.
E ele cortejou, enviando um fluxo constante de presentes, variando de joias a comida — nada de flores, graças a Deus, considerando que eu tinha uma floricultura — e todos caros. Guardei todos no quarto de armazenamento, sem tocar em um único. Se eu não podia recusar, pelo menos podia fazer isso.
Quando o último g***o de clientes saiu, deixando Mina e eu sozinhas, ela finalmente abordou o elefante na sala.
— Quanto tempo você acha que ele vai continuar com isso? — perguntou ela. Não importava quanto tempo passasse desde aquele dia em que ela foi subitamente mantida cativa nesta loja, ela ainda ficava ansiosa sempre que se tratava dele. Eu não podia culpá-la.
Dei de ombros, impotente, em resposta. Todo esforço que eu fazia para recusar os presentes era ignorado e ele enviava ainda mais, como se para provar o ponto. Tentei o oposto. Ignorar e esperar. Certamente, depois de ver que eu não estava respondendo, ele desistiria e pararia.
Mas não parou.
— Não sei — suspirei enquanto organizávamos o estoque. — Queria saber como parar com isso. Não sei por que ele está tão fixado em mim. Ao ponto de propor casamento?
— Você… considera aceitar?
A pergunta de Mina me fez parar meus movimentos para olhar para cima com força. Ela parecia com medo, como sempre quando se tratava dele, mas acima disso havia seriedade nos olhos dela.
Mordi o interior da bochecha. Minha resposta principal continuava sendo não, mas o motivo era muito mais complicado.
Não era só por causa da minha liberdade. Por um lado, apesar de nos tornarmos parceiros e amigos de certa forma, eu ainda permanecia hesitante perto dele, ainda mais com suas demonstrações.
Mas não era só isso. O motivo principal, mesmo que eu quisesse negar, era só por causa de alguém-
‘Por que você ainda está presa a ele?’, o pensamento surgia toda vez que eu considerava, uma mistura de frustração e raiva crescendo.
Pensei que havia deixado o passado para trás, mas vê-lo dois meses atrás com aquele rosto suplicante, tão diferente do homem frio e indiferente que eu conhecia, me abalou.
Pulei com um som, girando para encontrar a porta de entrada abrindo. Já era noite e estávamos fechando. Quem seria…
Enrijeci de choque quando a pessoa se revelou. Olhos escuros perfuraram os meus.
Alistair.
— A-Alfa Alistair — gaguejou Mina. Encontrei o rosto dela empalidecendo, e senti o mesmo enquanto me virava de volta.
Ele sorriu enquanto se aproximava.
— Espero que tenha gostado do meu presente — sorriu ele, focando diretamente em mim.
— Boa noite, Alfa. Por que está aqui?
— Estou fora de serviço agora, então pode me chamar só de Alistair. E quanto à sua pergunta, eu… vim convidá-la para jantar — sorriu ele de forma convidativa.
Tensionei imediatamente. Ele frequentemente propunha jantar naquele mesmo tom ‘provocador’ que usava para oferecer um lugar na alcateia dele, mas essa era a primeira vez que ele vinha até aqui.
— Estamos fechando. Há muito trabalho a fazer — disse. Era verdade e uma desculpa.
— Sua parceira está aqui para ajudar, não está? Tenho certeza de que ela pode cuidar das coisas esta noite. Além disso, isso é importante — respondeu ele, o sorriso nunca vacilando.
Meus lábios se abriram para contrariá-lo, mas não consegui encontrar outras desculpas. Minha mente estava completamente em branco.
Essa era a nova tática a que ele havia recorrido?
— Tudo bem — cedi, lançando um olhar apologético para Mina, que assentiu para me assegurar. Cheia de resignação, forcei um pequeno sorriso antes de me virar para ele.
— Só me deixe trocar de roupa.
…
O jantar foi em um restaurante a duas ruas de distância, a poucos passos da loja/apartamento.
— Eu esperava que pudéssemos compartilhar um vinho — suspirou ele decepcionado enquanto eu dava meu pedido ao garçom. Suas palavras enviaram um nó inconsciente pelo meu estômago e segurei o impulso de tocar minha barriga.
Com a maioria dos sintomas sumidos ou não tão frequentes, ninguém ao meu redor sabia da minha gravidez. Ninguém conseguia notar. Pelo que eu sabia, só Mina, a quem contei depois que começamos uma nova vida, e o Doutor Gerard, o Médico da Alcateia do Eclipse, sabiam.
E agora… Tristan foi adicionado à lista.
— Eu teria recusado de qualquer jeito. Nunca gostei de álcool — dei de ombros em um tom falso de despreocupação, me forçando a relaxar. Era uma mentira parcial, mas necessária.
Embora trabalhássemos juntos, Alistair não sabia da minha gravidez e eu esperava manter assim, deixando uma aparência de distância entre nós.
Graças a Deus, ele não pareceu notar enquanto a comida era trazida. Acomodei-me com o suco de frutas e a comida, comendo rápido graças às vontades de fome da gravidez.
Espero que quanto mais rápido eu terminasse, mais rápido pudesse ir embora.
— Por que você me trouxe aqui de verdade? — perguntei assim que terminamos.
— Eu não posso levar uma mulher bonita para sair? — sorriu ele.
— Alistair-
Ele ergueu a mão antes que eu pudesse terminar.
— Eu estava brincando. Mas estava falando sério, no entanto, quando disse que vim aqui por algo importante. Embora no final, dependa da sua escolha — disse ele.
Olhei para ele com ceticismo. Uma parte de mim queria chamar de besteira com suas palavras enigmáticas.
Meu interesse foi despertado, no entanto, quando ele tirou algo do paletó do terno, passando para mim na mesa.
‘Um cartão?’, pensei com ceticismo enquanto pegava. Franzindo as sobrancelhas, olhei de perto. A frente mostrava o suficiente para saber que era um convite para uma cerimônia de acasalamento. O que isso tinha a ver comigo, no entanto?
Abrindo o convite, congelei.
Era como se o ar tivesse sido expulso de mim. Os nomes escritos no convite…
Meu sangue gelou enquanto eu os traçava na memória.
Tristan e… Alyn.