Valerie
Eu poderia jurar que parei de respirar por um momento, se não fosse pelo batimento cardíaco martelando contra mim como um baixo.
Olhei de novo, mas os nomes não mudaram.
Eles iam ter uma cerimônia de acasalamento. Um casamento. Eles iam ficar juntos.
O resto da realidade voltou ao foco e percebi que Alistair ainda me observava.
Pigarreando, recompus-me rapidamente e larguei o convite de volta na mesa, ignorando como queimava as pontas dos meus dedos. Forcei-me a relaxar, mantendo a boca em uma linha neutra enquanto olhava de volta para ele.
— Você não vai me perguntar o que aconteceu? — perguntou ele, erguendo uma sobrancelha. Ele estava antecipando minha reação por causa do meu relacionamento passado com Tristan ou da vez em que nos interrompeu no jardim?
Mantive-me o mais impassível possível.
‘Não.’
Queria gritar, mas não podia. A escolha guerreava dentro de mim. Uma parte de mim não queria saber — meses atrás eu já esperava isso de qualquer jeito —, mas uma parte de mim questionava o porquê e o como?
Ainda assim, não disse uma palavra e ele tomou isso como iniciativa para falar.
— Recebi o convite ontem à noite e ouvi pelos boatos que o casamento foi marcado há apenas alguns dias. Aparentemente, as celebrações vão durar cerca de duas semanas, mas os preparativos ainda estão corridos. Pelo que ouvi, é por causa da gravidez de Alyn… sua irmã.
Um calafrio gelado me invadiu. Grávida?
Dessa vez, não consegui me impedir de pressionar a palma da mão contra minha barriga, felizmente escondida da vista de Alistair. O pensamento sozinho me destroçava.
Alyn estava grávida… do filho de Tristan.
Não sabia se ria ou chorava. Ele realmente não perdeu tempo, não é?
Eu estava certa. Eles eram mesmo feitos um para o outro. Eu era o único obstáculo no caminho deles, como eu pensava. Eu esperava isso.
Não era para doer.
No final, meus lábios se curvaram em um sorriso azedo. Por que diabos eu, não importava quão breve o momento, tive dúvidas? Hesitei só por causa daquele pequeno reencontro?
Estava claro que qualquer flerte que Tristan teve na época se foi. Ele só estava interessado no bebê e, uma vez que menti, isso diminuiu e ele se lembrou de como se importava pouco comigo, saindo da névoa do bebê. Com isso resolvido, ele seguiu em frente com a vida, e agora ia ter seu novo filho com ela.
— Parabéns para eles, suponho — quebrei meu silêncio antes de beber o suco para minha boca seca.
— E onde eu entro nisso? — perguntei. Sabia que ele não havia vindo só para me contar a notícia.
Meus pensamentos se provaram certos quando ele sorriu.
— Venha comigo — disse ele e eu me sobressaltei, incredulidade me preenchendo.
— O convite foi dado para vários representantes de alcateias e somos incentivados a levar nossos acompanhante — continuou ele. — Quero que você venha como meu par para o casamento.
Isso significaria passar uma semana lá. Uma semana vendo-os juntos.
— Você não tem mais ninguém para levar? Tenho certeza de que há muitas outras mulheres só na sua alcateia que adorariam ir — disse.
— Ah, mas há só uma em quem estou interessado. Embora ela não faça parte da minha alcateia — sorriu ele mais largo, a implicação clara.
— É sua escolha se quer vir comigo ou não, embora eu odiasse ficar sozinho. Você pode ver como uma breve escapada para voltar à sua alcateia. Além disso, vou considerar como um favor que retribuirei depois — piscou ele.
Seu rosto ainda parecia suave, mas eu conseguia ver através disso. Ele estava tentando todas as vias para me convencer.
Eu ainda queria recusar, mas um único pensamento me parou.
Quando parti há meio ano, foi abrupto e planejado. Meus únicos pensamentos eram me salvar e ao meu filho. Eu tinha tanta certeza de que ninguém sentiria minha falta e acreditava que era melhor esquecer todos inteiramente. Pensei que havia recebido um fechamento.
A aparição repentina de Tristan virou esses pensamentos de cabeça para baixo. Desde aquela noite, a parte de mim que havia cedido. O motivo de eu ainda pensar nele era porque ainda considerava os “e se”.
Se eu os visse juntos, isso solidificaria na minha mente.
— Tudo bem — cedi. Alistair sorriu mais largo, mas ignorei em favor de beber o restante do suco de laranja.
Talvez esse fosse o verdadeiro fechamento de que eu precisava.
….
Quando voltei ao meu prédio subindo as escadas, o lugar estava escuro. Mina estava dormindo profundamente quando entrei no nosso quarto. Já era tarde da noite, não me surpreendi.
Depois de trocar de roupa e me deitar na cama, meu olhar voou para o teto. A sensação de afundamento permanecia no meu estômago mesmo depois que Alistair se despediu antes de partir.
Havia tantas coisas para lidar, falar com Mina sendo uma delas, mas eu não podia voltar atrás. Eu havia feito minha cama.
Agora tudo o que restava era esperar.
Fiquei no lugar inquieta, as palavras persistentes e o convite me assombrando antes de eu mergulhar na escuridão.