Capítulo 7

700 Mots
  Os outros riram em uníssono, uma risada c***l que ecoou no beco. O homem que me beijou à força juntou-se à gargalhada antes de voltar seu olhar para mim. Seus lábios se esmagaram novamente contra os meus num bejo brutal. Um enjoo profundo subiu da minha garganta. Outro homem me agarrou pelos braços e me jogou contra a parede de tijolos, imobilizando-me. Eu estava paralisada, petrificada.   Quando tentei, num último esforço, me debater e chutar, um deles desferiu um soco preciso no meu estômago. O ar saiu dos meus pulmões. Cuspi sangue e lágrimas rolaram pelo meu rosto, misturadas à sujeira. Um chute nas costas me fez despencar no chão outra vez. A dor era um fogo branco, consumindo tudo. Parecia o fim.   O homem com a faca se agachou à minha frente. A lâmina brilhou sob a fraca luz que entrava no beco. Meus olhos se arregalaram. Acabou.   "É uma pena", ele disse, quase cantarolando, passando a ponta da faca pela minha bochecha. "Uma garota tão bonita, toda cortada e amassada." Ele balançou a cabeça com um falso pesar. "Cadê seu herói agora, hein? Não vai aparecer pra salvar a princesinha?" Sua risada era um som de puro ódio.   Ele agarrou minha mão com força e, com um movimento rápido, rasgou a manga do meu vestido. A lâmina não parou no tecido — cortou minha pele. Um grito agudo de dor rasgou minha garganta.   E então, um estrago repentino.   O som de um tiro, seco e alto, estourou a escuridão. O homem com a faca congelou, os olhos arregalados de surpresa. A faca ainda estava cravada no meu braço. Em segundos, outro dos agressores caiu no chão com um baque surdo.   "Têm cinco segundos para sumir da frente dela. Ou eu arranco cada dedo das mãos de vocês."   A voz veio das sombras, grave, cortante e carregada de uma autoridade que fez até o ar parecer parar.   Tentei piscar, tentando focar na fonte do som, mas a dor era uma névoa vermelha. O homem com a faca se afastou de mim, sua coragem agora transformada em cautela. "Quem é você?", rosnou, avançando na direção da voz. Os outros se agruparam, formando um semicírculo hostil. Ouvi-se o som de corpos se chocando, socos surdos, gemidos abafados — uma luta rápida e brutal nas sombras.   Tentei me arrastar, me levantar, fazer qualquer coisa. Mas o sangue escorrendo do meu braço e a dor latejante em todo o corpo me prenderam ao chão. A visão do meu próprio sangue, escuro no asfalto, me encheu a boca com um gosto amargo de metal e medo. Desisti, deixando escapar apenas um gemido contínuo.   Pela visão turva e periférica, vi mais três figuras emergindo das trevas, unindo-se ao meu salvador. A briga se tornou um silêncio súbito, pontuado apenas por respirações ofegantes e passos que se afastavam em fuga.   Então, ele correu até mim. Caiu de joelhos ao meu lado. Seus olhos — os detalhes que conseguiria captar mais tarde — se arregalaram quando um soluço fraco escapou dos meus lábios e minhas pálpebras começaram a pesar terrivelmente.   "Angelina! Droga!", a voz dele era um misto de urgência e pânico contido. "Ei, fica comigo. Fica acordada, amor."   Como ele sabe meu nome? A pergunta ecoou na minha mente fraca. E por que ele soava tão… desesperado?   Tentei obedecer, tentando me agarrar ao som da voz dele. Mas era como tentar segurar água com as mãos. A escuridão ao redor dos bordas da minha visão crescia, engolindo tudo. Meu corpo não era mais meu, era uma massa pesada e quebrada.   Ele deslizou os braços com cuidado por baixo de mim e me levantou, como se eu não pesasse nada. O movimento foi suave, apesar da urgência. Ele começou a correr, e o mundo ao meu redor se tornou um borrão de sombras e luzes de rua. Ele falava sem parar, palavras sussurradas e aceleradas que chegavam aos meus ouvidos distorcidos, incompreensíveis.   Minha visão escureceu completamente. A consciência escapava por entre meus dedos.   A última coisa que ouvi, envolta em um manto de escuridão quente e promissora, foi sua voz, firme e próxima ao meu ouvido:   "Não se preocupe. Não vou deixar nada te acontecer. Meu anjo."
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