Capítulo 8

460 Mots
  Angelina   Minha cabeça latejava de dor. Tentei abrir os olhos, pesados, e olhar em volta. Onde estou? Este lugar não é meu, não é da Lexi, não é da casa da minha tia... Tentei me concentrar na última lembrança, e então as imagens da noite passada invadiram minha mente como um filme de terror. Comecei a suar frio.   Meu Deus... Fui atacada por aqueles homens... Mas me lembro claramente de outro homem. Ele lutou por mim. Ele me salvou... não salvou? Será que ele me deixou com aqueles animais e fugiu? Não, ele era muito mais forte... não teria como tê-lo derrotado.   Preciso de água. Minha garganta está totalmente seca, queimando. Vi um copo de suco na mesa de cabeceira. Estendi a mão, com algum esforço, e bebi tudo de uma vez. A dor ao engolir era aguda.   Maldita garganta.   Fechei os olhos novamente, esperando a ardência passar. Quando me senti um pouco mais recuperada, abri os olhos e, desta vez, examinei o quarto onde estava deitada.   E então, o reconhecimento me atingiu como um soco no estômago. Fiquei sem ar.   Meu... Deus.   Era o quarto. O quarto que eu sempre sonhei em ter. Sempre desejei um quarto grande, com um teto de vidro acima da cama para poder adormecer sob a luz das estrelas. E queria uma parede inteira só para estantes, cheia de livros, para poder pegar um a qualquer hora.   Levantei-me devagar, as pernas ainda trêmulas, e caminhei até a estante para ver os títulos.   Meu Deus.   Eram exatamente os meus livros favoritos. Aqueles que eu tinha que devolver à biblioteca com o coração apertado porque não podia comprá-los. Senti tanta falta deles... O dono deste quarto tem o mesmo gosto que o meu?   Mas isso é... esquisito.   Como pode alguém ter exatamente o quarto dos meus sonhos, com exatamente os livros que eu amava?   Estranho.   Muito, muito estranho.   Era como se alguém tivesse roubado meu diário secreto e construído uma réplica perfeita de tudo que eu já escrevi lá dentro. Uma necessidade urgente me fez procurar o banheiro. Caminhei até a primeira porta ao lado da cama. Era um armário.   Mas não era um armário qualquer.   Era...   Ai, meu Deus.   Os vestidos. Todos perfeitamente do meu tamanho. E a maioria... era daqueles que eu havia experimentado em lojas, mas nunca pude comprar porque o preço era um absurdo. Todos os vestidos, todas as sandálias, todas as bolsas... eram peças que eu tinha visto, tocado, desejado em silêncio, durante compras com a Lexi ou com minha mãe.   Isso não está acontecendo.   Ou eu morri e isso é algum tipo de paraíso bizarro onde você ganha tudo que sempre quis, ou... o dono desta casa roubou muito mais do que apenas ideias de um diário.   Que coisa sinistra.
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