Sentimentos

1229 Mots
Tristan O copo de uísque na minha mão parecia âmbar na luz fraca do meu escritório. Toda vez eu era trazido aqui por causa dela. — Ninguém se importava comigo, nem mesmo você. Suas palavras queimavam mais que o uísque jamais poderia. Queimavam quentes e chicoteavam em raiva direcionada aos pais dela. Pelas p************s, imperdoáveis, ignorantes e insultantes deles. Mas acima de tudo, para mim mesmo. Uma parte de mim ansiava pelas memórias da minha vida passada ao ponto de desespero, mas o outro lado temia o que eu veria. Se eu ia ser tão h******l quanto, se não pior. Não importava muito considerando como eu estava plenamente ciente de como a tratava. Sua morte foi revertida, mas não mudava tudo que levou a isso. Nosso laço de companheiros foi rompido e ela estava livre. Ainda assim, apesar de tudo isso, ela estava aqui, me ajudando. A alcateia constantemente falava a meu favor, mas todos estavam errados. Era eu quem não a merecia. Não merecia sua bondade, essa segunda chance que ela me dava. Não merecia sua ajuda, seu amor, seu sorriso- Ouvi o som de uma porta abrindo no silêncio, mas não reconheci como a minha até que passos viessem no último minuto. — Tristan? Pulei com a voz, reconhecendo-a rapidamente. — Por que você está aqui? — perguntei, mantendo o tom neutro para evitar cair em amargura. Só ao som dos passos dela me forcei a virar para ela. Alyn estava perto da entrada do escritório, encolhida na porta. Um flash de memória de uma menininha, encolhida da mesma forma, fria e desesperada, abandonada, veio à mente. Ainda assim, enquanto ela se aproximava, a memória sumia. Ela não era aquela menininha há muito tempo, era? — Vim ver você. Você saiu cedo da festa de jantar e não esteve no almoço de hoje também. Não temos passado tempo juntos preparando o casamento. Faz tempo que estamos sozinhos. Tensionei com a palavra casamento. A última coisa que queria ouvir. Desde que ela anunciou a gravidez repentina para a alcateia durante uma festa, meu destino estava selado. Não queria vê-la. Minha mente corria por uma desculpa para afastá-la, dizer que ela não deveria estar no meu escritório, mas parei. A ironia era que sempre a deixei vir aqui. Deixei que invadisse todo espaço, mesmo os que deveriam ser privados. Era surpreendente que as coisas terminassem assim? — Alyn — virei-me para ver seu sorriso tímido e olhar arregalado. Outrora, eu teria me enternecido se não por essa situação. Não, mesmo antes disso, meses atrás quando minha perspectiva mudou, tudo mudou junto. Sempre vi Alyn como uma irmã. Do momento em que a conheci quando era jovem, ela tinha um ar frágil que me fazia querer protegê-la. Sua bondade e abnegação ou o que percebia como tal na época me tornavam, como o resto da alcateia, enternecido e sabendo suas origens verdadeiras como uma rogue órfã me tornava protetor. Queria garantir que ela não faltasse nada, que não sofresse o mesmo vazio que eu sentia ao pensar nos pais dela. Era óbvio que ela não via assim. Não, ninguém razoável poderia ver assim. Entendia agora por que Valerie me olhara tão ceticamente. Eu havia armado essa armadilha para mim mesmo ao não notar ou me importar com minha atenção para ela. Era por isso que a alcateia não piscava para esse noivado ou por que meus ex-sogros soavam tão alegres de uma forma que revirava meu estômago. Eu era só cego. Não quando um conjunto prateado de cabelo loiro platinado permanecia preso na minha mente. — Nunca tive qualquer interesse romântico em você — disse, vendo-a se encolher enquanto continuava. — Me importava com você como uma irmã e cometi erros nisso, mas não tenho interesse em você e nunca terei. O rosto de Alyn estava abatido, uma lágrima escorrendo pela bochecha, mas eu estava entorpecido para isso. Os únicos olhos em que conseguia pensar eram os que brilhavam com raiva e tristeza quando ela me disse que ninguém se importava com ela. ‘Valerie, Valerie, Valerie.’ Não conseguia parar de pensar nela. Não queria. — Isso não pode ser verdade. Tristan, você está mentindo — choramingou ela. — Não quero essa cerimônia — rosnei, mas segurei a língua. — Não importa. Nós dormimos juntos. Você veio até mim. Deve ter algum sentimento — insistiu ela. Precisei franzir os lábios para segurar minhas dúvidas de que não tinha certeza se havíamos dormido juntos em primeiro lugar. Me irritava ver sua justificativa aparentemente delirante. — Eu estava bêbado — rosnei com raiva. — Eu estava bêbado e tonto. Não sabia que era você. Eu estava pensando em- Cortei-me antes de terminar, mas o dano estava feito. O lembrete da única noite que passei com ela fazia calor ecoar junto à memória recente do rosto e corpo dela perto do meu no banheiro. Mesmo seus traços disfarçados na cafeteria me atingiam contra a luz crescente do sol. Ela era tão linda e sempre foi. Nunca estive com nenhuma mulher antes dela, focando nos meus deveres. Por que levei tanto tempo para apreciar aquelas curvas suaves, seus traços doces e rosto? Por que passei tanto tempo a desprezando por coisas pelas quais ela nem era responsável? O rosto de Alyn endureceu de uma forma que nunca vi antes. Não tinha ideia se ela sabia ou escolhia ignorar, mas não havia muito a ignorar. Eu havia chamado por Valerie na época, afinal. — Você mudou — sua voz quebrou o silêncio. Apertando o queixo, passei a mão pelo rosto. Estava cansado. Da celebração, da alcateia. Dos meus ex-sogros. Dela. — Saia agora, Alyn. Está tarde — disse. Era a única aparência de gentileza que podia dar a ela essa noite. Se era para evitar suspeitas dela ou o último resquício de bondade que tinha por ela, não sabia. Mas após tudo, especialmente agora. Não conseguia olhá-la da mesma forma. — Não importa o que você pense. Nossa cerimônia de acasalamento vai acontecer. Nosso bebê não vai a lugar nenhum também — ergueu ela o queixo orgulhosa e teimosa antes de se virar. Olhei para longe bem antes da porta se fechar. Havia tantas emoções fluindo através de mim, da culpa persistente e perguntas a ver esse novo lado de Alyn a verdadeiramente sentir o viés unilateral escaldante do meu Beta e ex-sogros. Mas de todos esses pensamentos, Valerie superava minha mente. Vê-la hoje solidificava. Não era só culpa ou arrependimento ou apreciação recém-encontrada. Era algo mais, algo que deveria ter sentido há muito tempo se não pela minha estupidez. Eu era atraído por ela. Gostava dela. Sentia falta dela. Mas ela não aceitaria, disso tinha certeza. m*l havíamos conversado e mesmo se não conseguisse dizer sua relação com Alistair, ela me rejeitaria, unicamente baseada no nosso passado. Ela estava tão perto e tão longe e não havia forma de preencher a lacuna. Pegando o celular, enviei uma mensagem para o número recém-adicionado. Uma oferta para encontrá-la de novo, se ela permitisse, se não estivesse tão brava. Duvidava disso também. Estava cansado demais para me mover, o álcool zumbindo pelo meu corpo me pesando. Fechando os olhos, deixei o cansaço me puxar para o sono. Não importava a resposta dela, precisava acordar cedo para vê-la, só por precaução. Tudo o que podia esperar era conseguir me banhar na luz dela por um pouco mais.
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