Tristan
— Alfa Tristan — cumprimentou friamente.
Seu olhar percorreu para o lado. Precisei de tudo em mim para não rosnar e protegê-la do olhar dele. Ainda assim, assim que a viu, seu olhar furioso voltou para mim.
— O que está fazendo com ela? — perguntou em um quase rosnado.
Meu lobo eriçou com o impulso de mandá-lo embora. Ele estava invadindo minha casa. Meu quarto. Meu território.
A imagem de Valerie ao lado dele, puxando-o para longe de mim nos jardins atingiu minha mente e me resignei.
— Encontrei ela no corredor, inconsciente e drogada. Estava com febre, então a ajudei. Por acaso sabe algo sobre isso? — rebati.
Poderia jurar que algo piscou nos olhos dele, mas não conseguia captar.
— Perdi o rastro dela — disse Alistair, soando uma mistura de preocupação e choque.
Ele ‘perdeu o rastro’ dela? Como ousava?
Uma parte de mim queria morder de volta em raiva, mas contive. Era claro que ele não podia ser o culpado se se importava com ela.
Ele de repente invadiu o quarto antes que pudesse dizer algo, olhando para ela. Meu queixo apertou, mas consegui conter enquanto seus olhos percorreram ela, preocupação claramente no olhar.
Quanto tempo ele esteve procurando por ela?
A boa vontade que consegui reunir estalou assim que ele de repente a pegou da cama.
— O que está fazendo? — cuspi, agarrando um dos pulsos dele asperamente, parando-o no lugar quando encontrei seus olhos desafiadores.
— Estou levando ela de volta para o hotel — disse ele e minhas cerdas se ergueram. Ele só queria levá-la?
Que inferno não.
— Ela fica aqui — cuspi. — Ela precisa ver o médico da alcateia-
A risada de Alistair cortou minhas palavras.
— Acho que esquece, Tristan. Você não é mais o companheiro dela para controlá-la, embora pareça que nem conseguia fazer isso.
Um rosnado profundo e retumbante escapou de mim dessa vez, minhas garras quase irrompendo do impulso primal. Queria agarrá-lo e expulsá-lo, longe da minha companheira-
‘Ela não é mais sua companheira.’ O lembrete me banhou dolorosamente com o vazio do laço rompido. Me recusei a recuar.
— Você não sabe de nada-
— O que sei é que ela te deixou e a esta alcateia por um motivo — cortou-me Alistair e recuei.
— Se tudo o que testemunhei sobre o tratamento da sua alcateia para com ela era qualquer indicação, foi um bom. Sem mencionar que após ela voltar aqui, você a trouxe para sua bagunça e isso aconteceu. Quem diz que isso não foi trazido indiretamente por você?
Era como um soco me atravessando. A pergunta circulava minha mente.
‘Ela foi machucada por minha causa?’
— Então confie em mim, Alfa Tristan, o último lugar em que confiaria é você ou sua alcateia — cuspiu ele, me encarando asperamente.
O impulso de mordê-lo era quase insuportável, mas gelo se infiltrou nas minhas veias. Virando para a forma inconsciente de Valerie, um nó se formou na minha garganta.
O que ela quereria?
Ela parecia tão pacífica, mas quando dei a ela esse senso de paz na alcateia?
Após o que pareceu uma eternidade de deliberação, finalmente tomei minha decisão. Meu aperto nele se soltou.
Ele arrancou o braço instantaneamente. Precisei de tudo em mim para não reagir enquanto se movia à frente, erguendo-a da cama. Por um momento, vi um sliver de suavidade nos olhos dele enquanto percorria ela com algo akin a preocupação.
Meu coração doeu. Quão próximos eram? Ela também o via como amigo ou algo mais?
Mas claro que não tinha direito de pensar. Não importava o quanto odiasse, ela não era minha. Ela era tudo, mas eu era só um bastardo egoísta que se arrependia das coisas tarde demais.
Ele escorregou por mim com ela e meus punhos apertaram. Não podia deixá-la ir sem saber quão segura estava.
‘Não.’ Pensei. Precisava deixá-la ir. Só por agora. Talvez amanhã quando ela estivesse melhor-
— É melhor ficar longe dela — as palavras de Alistair me pararam no lugar.
— Desde que ela esteve na sua alcateia, você só trouxe problemas para ela. Você é especialmente má sorte para ela.
Suas palavras me atingiram como um soco, mas como parecia, ele não havia terminado.
— Nem ouse dizer uma palavra sobre isso também — continuou ele. — Olhe para a ótica. Já é r**m o suficiente que ela foi drogada por algum bastardo desconhecido, mas se ela ouvir sobre isso relacionado a você, não seria difícil juntar as peças. Pode adivinhar o que aconteceria após isso.
Meu sangue gelou. Suas implicações eram claras. Se ela pensasse que de alguma forma tentei me aproveitar dela…
Ela me desprezaria.
O peso me manteve preso ao chão. Enquanto Alistair virava, carregando-a, não o parei.
— Considere esse conselho meu único presente de boa vontade para você, Alfa Tristan. Boa noite — disse ele.
A porta bateu fechando. Meu punho apertou instintivamente com o som.
Ele estava certo. Não importava o quanto desejasse que não estivesse.
Eu a trouxe para isso. Não tinha certeza se isso era coincidência. Se isso foi premeditado por Alyn de alguma forma que não sabia.
Mas ainda era uma possibilidade. Que ao trazê-la de volta para minha bagunça, por ela me ajudar, ela foi alvo.
Eu podia não tê-la trazido de volta para a alcateia, mas isso aconteceu sob minha vigilância e poderia ter sido causado indiretamente por mim mesmo.
Quando minha presença trouxe qualquer bem a ela? Na minha vida passada, ela morreu por causa das minhas ações e agora isso. Antes de eu invadir minha vida na dela de novo, ela parecia estar bem. Ela era mais leve. Mais feliz.
Olhando para fora da janela, um nó se formou na minha garganta.
Amanhã era um novo dia. Até então, a maioria das alcateias partiria e ela sem dúvida faria o mesmo.
Precisei afastá-la.
Ela era melhor sem mim mesmo.