Capítulo 7

1348 Palavras
  Ponto de vista de Elena   O sininho acima da porta tocou suavemente quando entrei no Bluebird Café, e por um momento, perdi o fôlego.   Nada havia mudado.   A iluminação aconchegante. A música baixa. Aquele cheiro familiar de café torrado e baunilha—tudo isso me envolveu como um fantasma, me puxando de volta para um tempo que eu preferia esquecer.   Meus olhos imediatamente encontraram a mesa perto da janela. Nossa mesa. Onde tudo começou. Mas eu não fui até lá. Em vez disso, escolhi um lugar próximo ao balcão, escondida atrás de um alto fícus, de onde poderia observar a porta sem ninguém me notar. Sentar naquela mesa seria como aceitar algo em que eu não acreditava mais.   Por que o Mark escolheu este lugar? Depois de tudo que ele fez, com que cara ele ousa?   Tudo bem. Que termine aqui. Onde começou.   Pedi um suco de laranja e mantive as mãos cruzadas no colo, verificando meu celular a cada poucos segundos. Nenhuma mensagem. Típico.   Apesar de tudo, a estranha magia do café começou a me atingir. O barista ainda cantarolava enquanto trabalhava, exatamente como antes. O mesmo ritmo calmo animava a equipe. Memórias que eu queria enterrar surgiram sem pedir licença.   O rosto do Mark do outro lado da mesa—relaxado, confiante, charmoso sem esforço. Sua mão alcançando a minha, seus dedos quentes e firmes enquanto se fechavam sobre meus nós dos dedos.   "Nunca amei ninguém como amo você, Elena."   Lembrei como minhas bochechas ficaram vermelhas. Como meu coração perdeu o ritmo ao toque dele.   "Um cargo na Thompson Crest já está reservado para você"—ele disse com suavidade. "Um apartamento também. Você nunca vai precisar ter dificuldades de novo. Eu cuidarei de tudo."   Ele beijou meus dedos então, seus olhos fixos nos meus com toda a sinceridade do mundo.   Agora, um riso amargo escapou de mim. Como eu fui ingênua. Como eu fui cega.   Afastei as lembranças à força, concentrando-me, em vez disso, na condensação escorrendo pelas bordas do meu copo. Contando as gotas. Observando-as desaparecer.   Os minutos passaram. Depois, mais alguns.   Eu já estava prestes a ir embora—convencida de que ele tinha me dado um bolo, de novo—quando o sino da porta tilintou.   Mark entrou como se fosse o dono do lugar. Como se não estivesse vinte minutos atrasado. Como se me fazer esperar fosse um direito divino dele.   E então eu vi—as marcas escuras no pescoço dele. Frescas. Óbvias. Exibidas sem o menor cuidado.   Meu peito se apertou, mas mantive a compostura. Não importava o motivo desse encontro, eu não ia deixar que ele percebesse o quanto ainda podia me ferir.   Ele se sentou na cadeira à minha frente, cruzando uma perna de forma displicente sobre a outra. Recostou-se, jogando um braço no encosto curvado da cabine, irradiando aquela arrogância irritante que um dia eu já tinha achado atraente. Um sorrisinho debochado apareceu nos seus lábios.   "Me deixou esperando," eu disse, minha voz firme apesar do coração acelerado no meu peito. "Do que se trata isso, Mark? O que você quer? Estou fora da sua vida. Por que está sabotando minhas entrevistas? Me colocando na lista n***a de todos os empregos que eu tento?"   Ele deu uma risada curta. "Elena... eu só queria que você visse algo." Ele inclinou a cabeça. "Queria que visse o que acontece quando você tenta sobreviver sem mim. Você acha que é independente? Não é. Sem mim, você não é nada."   Engoli em seco, obrigando-me a manter a calma. "E? O que você espera? Que eu caia aos seus pés e implore para você me deixar viver?"   "Exatamente." Ele abriu as mãos, como se isso explicasse tudo. "Eu investi tanto em você—cada cheque que eu aprovei, cada apartamento que eu arrumei, cada luxo que você aproveitou. E o que eu recebi em troca? Nada. Você não cuidou de mim, Elena. Nenhuma gratidão. Nem mesmo uma única massagem. O pior retorno de investimento que já fiz."   Meu estômago revirou. "Você tá chamando tudo o que me fez passar de investimento?" retruquei, sentindo minha voz tremular de raiva. "Eu que conquistei tudo o que eu tinha. Não te devo nada!"   Os olhos dele escureceram, algo predatório brilhando nos seus olhos. Ele se inclinou para frente. "Você me deve, sim, Elena. Mas podemos resolver isso. Uma última noite comigo—me dá algo doce para lembrar—e estamos quites. Depois disso... você pode ter a sua vida."   Algo dentro de mim explodiu.   Meus dedos encontraram o copo antes que eu pudesse pensar. O suco de laranja voou da minha mão, cortando o ar, espirrando no rosto dele como uma explosão dourada. Escorreu pelo queixo, encharcou o colarinho, formou pequenos rios pela camisa cara.   "Seu ser desprezível!" Eu me levantei de uma vez, a cadeira arrastando-se violentamente contra o chão. "Você acha que dinheiro e poder te tornam intocável? Eu confiei em você! Eu amei você! E isso—" minha mão tremia enquanto eu apontava para ele, anos de mágoa e raiva transbordando, "—isso é quem você realmente é? Patético!"   O café ficou completamente em silêncio.   Por um momento glorioso, Mark apenas ficou ali sentado, congelado, com suco de laranja escorrendo pelo seu cabelo impecável e sua camisa sob medida arruinada.   Então ele começou a se levantar, gaguejando, o rosto roxo de raiva. "Você vai pagar por isso, Elena!"   Eu não fiquei para ouvir o resto.   Saí do Bluebird Café de cabeça erguida e coração acelerado, deixando Mark para trás—encharcado, humilhado e completamente destruído por uma garota que se recusava a ser propriedade de alguém.   ***   O mês que se seguiu ao confronto no Bluebird Café me ensinou uma verdade brutal: as palavras de Mark, sua arrogância, seu alcance—nada daquilo era blefe.   Toda inscrição que eu enviava batia num muro. Ofertas eram retiradas sem explicação. Entrevistas terminavam cedo, abruptamente. Eu conseguia sentir a mão invisível dele esmagando cada oportunidade até nada restar. As contas médicas da minha avó cresciam como uma tempestade inevitável. No fim, o único trabalho que consegui foi como garçonete.   Foi assim que acabei no The Moonlight Lounge—o trabalho noturno mais bem pago do bairro.   O uniforme era... humilhante. Um traje apertadíssimo, ridiculamente revelador, como uma fantasia de "Mulher-Gato", que m*l cobria alguma coisa. Fiquei ajustando o tecido enquanto amarrava o avental, tentando salvar o pouco de dignidade que me restava.   "Primeira noite?" Uma colega se aproximou de mim, com um brilho de diversão nos olhos. "Não se apavore. Apenas sorria, sirva os drinks e sobreviva ao turno. Esse é o lema."   Assenti silenciosamente, focando. O lounge zumbia com o barulho—o tilintar de copos, uma música baixa, o som abafado de muitas pessoas espremidas em um espaço pequeno. Eu me movia entre as mesas, mantendo as mãos firmes e a mente vazia, suprimindo a ansiedade que se enrolava no meu peito.   Os primeiros clientes foram tranquilos—trabalhadores bêbados, universitários—até que eles entraram.   Um grupo de homens com olhares vorazes me avistou instantaneamente. Antes que eu conseguisse escapar, eles me encurralaram perto do balcão de serviço. Um deles riu, empurrando uma bebida na direção do meu peito. "Vamos lá, querida. Toma uma com a gente."   "Estou trabalhando." Forcei as palavras saírem. "Por favor. Me deixa em paz."   Isso só os encorajou. Seus sorrisos se tornaram cruéis. Uma mão encontrou minha cintura, me puxando para mais perto. Meu coração disparou — não de novo, por favor, não de novo —   "Relaxa," outro provocou, encostando um copo nos meus lábios.   Tentei me afastar, mas eles se fecharam ao meu redor, bloqueando qualquer saída. O pânico começou a apertar minha garganta.   Uma sombra caiu sobre eles.   "Tirem as mãos dela. Agora."   Todos se viraram. Até os homens que me assediavam pararam no meio do movimento. Aquela voz — eu conhecia aquela voz.   O Alfa Eric Thompson estava ali, alto e emanando pura e letal autoridade. O ar ao redor dele parecia mudar, carregado, elétrico.   Não. Agora não. A humilhação queimava dentro de mim enquanto meu coração falhava o ritmo.
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