Capítulo 3

950 Palavras
  Autora   Dominic Wolfe já havia caçado inimigos além-fronteiras, esmagado rebeliões antes mesmo do café da manhã e, certa vez, feito três conselhos de Alfas se ajoelharem com nada além de um levantar de sobrancelha.   Ainda assim, a mulher sentada ao seu lado no banco do carona quase o desarmara usando apenas um papel de contrato e uma língua afiada o suficiente para arrancar sangue.   Elara Park fitava a janela, a coluna ereta, o queixo erguido, uma das mãos pousada de forma protetora sobre o documento na bolsa. Ela acreditava que tinha se casado com Damian Sterling.   Dominic deveria tê-la corrigido.   Mas não o fez.   Seu lobo se movia inquieto dentro dele, furioso e radiante ao mesmo tempo.   [Minha.]   Dominic apertou o volante.   [Ainda não.]   O lobo rosnou.   [Ela está ferida. Outro macho a rejeitou. Ele tocou no que era nosso e a descartou.]   O maxilar de Dominic se contraiu com tanta força que o músculo chegou a pulsar.   Ele sabia.   Conhecia Elara havia três anos, embora ela não soubesse nada sobre ele.   A primeira vez que a viu, estava saindo da Academia Alfa depois de uma palestra que ninguém tinha gostado, mas que todos fingiram entender. Já estava entediado, irritado com os anciãos cochichando sobre herdeiros e linhagens reais.   Então o cheiro dela o atingiu.   Bergamota e chuva. Um cheiro limpo, vívido, deliciosamente desafiador.   Seu lobo ficou imóvel por um segundo impossível, depois se chocou contra suas costelas com tanta força que Dominic quase se transformou em público.   Virou-se e a viu perto dos degraus da academia, rindo de algo que Zack Blackwood tinha dito.   Desde aquela época, Dominic já não gostava dele. O garoto cheirava a ambição polida e covardia m*l escondida.   Elara olhava para Zack com calor. Confiança. Esperança.   Dominic quase atravessou o pátio mesmo assim.   Mas ele era o Rei Alfa — o último Lycan real despertado no continente. Cada movimento seu carregava consequências políticas. Se perseguisse abertamente uma jovem híbrida já ligada ao herdeiro de outro Alfa, as alcateias a transformariam em presa.   Por isso, ele apenas observou de longe.   Dizia a si mesmo que estava protegendo ela.   Seu lobo o chamava de mentiroso havia três anos.   Agora o destino a havia colocado em sua suíte com um contrato de casamento e o coração machucado.   Dominic lançou um olhar para ela.   Elara sentiu o olhar e semicerrou os olhos. "Você sempre encara seus parceiros de negócios como se estivesse decidindo onde enterrá-los?"   A boca dele deu um leve espasmo. "Só os que me interessam."   Uma ligação mental se abriu de repente.   Owen, seu Beta.   [Alfa, o conselho descobriu os acordos de fertilidade. Eles sabem que o senhor mentiu sobre as mulheres que enviaram.[   Dominic quase suspirou.   O conselho.   Claro.   No dia anterior, doze anciãos haviam lotado o salão real, rostos tensos de pânico. Falaram de linhagens, inimigos, estabilidade continental e do perigo de um rei sem herdeiro.   "O senhor tem trinta anos", dissera o Ancião-Chefe, como se Dominic tivesse esquecido a própria idade. "É a única linhagem real Lycan desperta na América do Norte. Se morrer sem um herdeiro, a linhagem real morre com o senhor."   Outro ancião batera o punho na mesa de pedra. "Nossos inimigos estão de olho. Sem um herdeiro real, as casas Lycans europeias vão nos desafiar em meses."   Dominic permaneceu sentado no trono, entediado o suficiente para contar as rachaduras no mármore.   Seu lobo murmurou, [Diga a eles que você a encontrou.]   [Não.]   [Então diga para irem para o inferno junto com esses gráficos de linhagem.]   [Tentador.]   Quando os anciãos pressionaram além do limite, Dominic finalmente se levantou.   Sua aura Lycan varreu o salão como uma tempestade. Doze lobos poderosos baixaram os olhos em segundos.   "Minha companheira", disse ele, a voz suave demais para ser inofensiva, "não será escolhida por um comitê. Meu herdeiro não será criado como gado. Se algum ancião aqui achar difícil aceitar isso, posso providenciar uma aposentadoria. Permanente."   Ninguém falou depois disso.   Agora a voz de Owen zumbia cheia de alarme.   [Alfa, o senhor me ouviu? Eles sabem.]   [Eu encontrei minha Luna], respondeu Dominic.   Silêncio.   Depois Owen engasgou. [O senhor o quê?]   [Há uma complicação.]   [Por favor, defina complicação de um jeito que não reduza minha expectativa de vida.]   [Ela acha que se casou com Damian Sterling.]   Outro silêncio.   [Alfa.]   [Sim?]   [Por quê?]   Dominic lançou outro olhar para Elara. Ela fingia não estar ouvindo, mas os olhos tinham ficado mais atentos. Lobinha esperta. Mesmo sem acesso ao elo mental, ela sentiu a tensão.   "Porque ela veio procurar por ele", disse Dominic. "E porque, se eu me apresentasse como Dominic Wolfe, Rei Alfa — o homem que vem observando ela há três anos —, ela me enfiaria a caneta do contrato no peito e fugiria pela janela."   Owen pareceu sofrer só de ouvir. Isso… não é impossível.   "Mantenha Damian Sterling longe por uma semana. Discretamente. Certifique-se de que a família dele acredita que ele está indisponível."   Indisponível como?   "Use a criatividade."   "Entendido. E o conselho?"   "Diga que estou cuidando da questão do herdeiro."   Isso vai deixá-los piores.   "Ótimo. Então divirta-se assistindo ao desespero deles."   Dominic cortou a conexão mental abruptamente.   Elara se virou para ele. "Problemas?"   "Nada com que você precise se preocupar."   Ela estreitou os olhos, avaliando — mas no fim voltou a olhar para a janela, o queixo erguido, a postura de alguém que decidiu não desperdiçar energia com batalhas que ainda não começaram.   Dominic riu antes que conseguisse se controlar.   Mal podia esperar para ver a expressão dela quando descobrisse. Primeiro o choque. Depois a confusão. Depois o reconhecimento — quando a loba dela finalmente o identificasse pelo que ele era.   Em breve, todo o mundo dos lobisomens saberia a quem Elara Park pertencia.
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