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695 Palavras
Elara O “quarto azul” é uma obra-prima de elegância fria e sufocante. Estou parada no meio do enorme box do chuveiro, a água escaldante tentando lavar o cheiro de Silas Thorne. Mas é inútil. Ainda sinto o peso dele nos meus ossos. Ainda sinto a dor surda e latejante entre as minhas pernas — uma lembrança constante e pulsante da escrivaninha da biblioteca e do jeito que ele me olhou enquanto me corrompia. Vejo meu reflexo no espelho embaçado pelo vapor. Meu pescoço é um mapa de hematomas. Marcas escuras e roxas onde seus dentes cravaram na minha pele, onde seus dedos apertaram minha garganta. Pareço uma mulher que foi reivindicada. Envolvo-me num roupão grosso de seda branca e entro no quarto. Na cama, alguém separou um conjunto de roupas novas. Não são minhas — não trouxe mala. São novas. Caras. Calças de seda e um suéter de cashmere num tom creme que grita “dinheiro de Thorne”. Ele já está me marcando. Me visto, meus dedos tremendo enquanto abotoo as calças. O tecido é macio contra minha pele sensível, cada movimento uma lembrança repleta de atrito da noite passada. Desço a grande escadaria, a casa silenciosa e com cheiro de cera de limão e café caro. Silas está na copa, um cômodo com paredes de vidro que dá para os jardins encharcados pela chuva. Ele veste um terno azul-marinho, o cabelo impecavelmente penteado, e lê o Wall Street Journal como se não tivesse passado a noite com a ex-namorada do filho. “Sente-se”, diz ele, sem desviar o olhar do jornal. Eu me sento. Uma empregada surge do nada, me serve café e coloca um prato com ovos e salmão defumado na minha frente. Não consigo comer. Meu estômago está embrulhado, uma mistura de adrenalina e uma fome que tenho pavor de nomear. “Dormiu bem, Elara?“, pergunta ele, finalmente dobrando o papel e olhando para mim. Seus olhos são cinza-ardósia e indecifráveis. “Você sabe que eu não fiz isso”, digo com a voz rouca. Minha voz ainda está rouca. “Ótimo.” Ele se inclina para a frente, sua presença instantaneamente diminuindo o ambiente. “Julian ligou esta manhã. Ele está em Las Vegas. Ficou sem dinheiro e acha que pode voltar para casa para ‘renegociar’ sua mesada.” Meu coração dispara. “Ele está vindo para cá?” “Ele acha que está.” Silas toma um gole lento de seu café, sem nunca desviar o olhar do meu. “Eu disse a ele que a casa estava ocupada. Não disse por quem.” O ar na sala parece desaparecer. A ideia de Julian entrar e nos flagrar — entrar e nos flagrar — é um choque nauseante de realidade. Mas, por baixo do medo, existe uma emoção sombria e perversa. “O que você vai fazer?“, pergunto. “Vou deixá-lo vir”, diz Silas, com um sorriso sombrio e perverso curvando os cantos da boca. “E vou garantir que ele veja exatamente o que perdeu. Mas até lá...” Ele se levanta, dando a volta na mesa. Não vai em direção à porta. Para atrás da minha cadeira, suas mãos grandes pousando em meus ombros. Ele se inclina, sua respiração quente contra minha orelha, e eu já consigo sentir o calor familiar e intenso dele se intensificando. “Acho que ainda temos algumas coisas para discutir antes da chegada dele.” Ele desliza a mão pela frente do meu suéter de cashmere, seus dedos encontrando meu mamilo através do tecido fino. Solto um suspiro agudo e entrecortado, minha cabeça caindo para trás contra seu estômago. “Silas, o funcionário...” “Os funcionários sabem que não devem me interromper”, ele rosna. Ele estende a mão para o zíper da minha calça de seda, seus nós dos dedos roçando minha entrada. Já estou molhada. Já estou tremendo. Ele me levanta da cadeira, me prensando contra a parede de vidro da copa. A chuva cai forte do outro lado, a luz cinzenta da manhã revelando cada rubor na minha pele, cada marca no meu pescoço.
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