Plano (2)

775 Palavras
Valerie — Eu sei que você não comeu direito, então preparei outro café da manhã. — Ela disse, colocando a bandeja na minha escrivaninha. Sem dúvida, ela havia ouvido o que aconteceu no café da manhã. O aroma da comida fez lágrimas picarem meus olhos. Eram panquecas de mirtilo, minhas favoritas. — Como você está se sentindo, Luna? — Ela me perguntou. Ela era a primeira e provavelmente a última que faria essa pergunta. — Mina — suspirei. Ela era só uma empregada, mas havia sido a mais leal e carinhosa. Eu ainda conseguia lembrar, nos meus últimos momentos nebulosos, como ela me segurou. Ela era a única pessoa que realmente ficou ao meu lado, que derramou lágrimas por mim. A vulnerabilidade me fez falar sem pensar. — O que você acha de deixar esse lugar? — Perguntei. — Luna? — Ela ofegou. Eu balancei a cabeça. — Deixa pra lá. Eu só estava tendo pensamentos bobos. Eu a dispensei rapidamente antes de olhar para o caderno em que rabisquei. Os planos eram rústicos, mas eu estava determinada. Eu ia embora. .... ‘Estava na hora’, pensei para mim mesma, encarando a festa que eu havia vivido antes. Eu lidei com o planejamento da festa de aniversário com facilidade. Durante a semana toda, a maior parte do meu tempo foi gasta planejando meu verdadeiro objetivo. Agora, vestida com o mesmo vestido branco e dourado que usei da última vez, eu estava pronta. E eu havia escolhido esse dia específico para isso. Espiando para o lado, meu coração doeu. Ao meu lado, Tristan se inclinava para Alyn. Alimentando-a, rindo com ela e confortando-a. Essa era a nossa festa de aniversário, mas ele agia como se ela fosse a Luna dele, tudo aos olhos da alcateia. Não havia nada que eu pudesse fazer para impedir essa humilhação descarada dele. Eu sabia dos murmúrios ao meu redor, todos me zombando. Por que eu era a companheira dele quando ele claramente a preferia? Era um erro da Deusa da Lua? Por que eu não estava grávida? — Faz um ano e a Luna não engravidou? — Ouvi. — Talvez se ela se comportasse melhor, nós já teríamos um herdeiro agora. — Um risinho particularmente alto encheu o salão. A alcateia inteira ficou tensa por um momento em completo silêncio. Meu coração doeu, mesmo que eu esperasse aquelas palavras. Trinquei o maxilar, me levantei abruptamente, me movendo para sair. Eu sabia que não chegaria longe. Assim como eu havia antecipado, Alyn se levantou ao meu lado como se estivesse pronta para me confortar. No entanto, quando me virei para encará-la, ela ofegou. O vinho que ela pegou manchou seu vestido verde e parecia que eu era a culpada. — Valerie! O que você fez!? — Tristan latiu, se levantando. Eu sorri com amargura, olhando para as feições chocadas dela. Eu não conseguia acreditar que um dia fui cega para o quão falsa ela atuava. Esse era o plano dela, me desacreditar ainda mais apesar de tudo já estar a favor dela. — Não, Tristan, foi um acidente, Valerie não quis. — Ela implorou, se virando e se enrolando contra ele. — Peça desculpas! — Ele rosnou, ignorando as palavras dela. Meus pais se levantaram e me encararam. ‘Não era humilhante?’, pensei com amargura. Ele não hesitava em mostrar quem ele realmente se importava, nem me poupando na frente da alcateia. Na minha vida passada, eu argumentei que não era culpa minha e nada funcionou. Meus pais me ignoraram e a alcateia só teve mais rumores, dessa vez sobre minha malícia contra Alyn. A única que me encontrou foi Alyn em si, choramingando inocentemente que não quis que isso acontecesse no dia seguinte. Dessa vez, porém, seria diferente. Eu sorri serenamente antes de inclinar a cabeça. — Me desculpe tanto, Alyn. — Eu disse. Quando olhei para cima, vi o choque nos rostos deles e a máscara de Alyn cair. O plano dela falhou. Ela esperava que eu protestasse e cimentasse o problema, mas não havia necessidade. Não quando eu tinha meu próprio objetivo. Me afastando deles, me virei para a alcateia. — Parece que mesmo em um dia alegre como esse, eu continuo envergonhando a alcateia — sorri com amargura —, rumores parecem me seguir para onde quer que eu vá e até a alcateia que tento servir me vê como um fardo. Os membros da alcateia encararam em silêncio chocado. Eles achavam que eu continuaria aguentando? — Então, eu tomei uma decisão — eu disse —, a decisão de deixar essa alcateia. Erguendo o queixo, sorri. — Eu renuncio como a Luna da Alcateia do Eclipse!
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