Errado

1174 Palavras
Valerie — Suponho que seja isso que você tem feito — disse Alistair, sua voz carregando uma dureza visível. Quase me fez eriçar de irritação. Ele não tinha direito de ficar bravo com quem eu estava, nem de falar asperamente comigo. Mas minha irritação rapidamente se dissipou em vergonha. Afinal, pelo que me dizia respeito, eu só estava aqui por causa dele como sua mais um, mas havia feito o oposto de lhe fazer companhia. Também fui eu que disse a ele que não tinha nada a ver com Tristan ou esta alcateia mais, mas aqui estava eu. — Sinto muito — pedi desculpas antes que ele pudesse dizer algo. — Essa não é a melhor forma de explicar as coisas, mas sinto muito por não ser a parceira que você precisava. Não posso explicar completamente, ainda, mas algo importante surgiu. Isso não muda nada. Uma vez que terminei de falar, sua raiva pareceu diminuir um pouco, mas seus olhos endureceram enquanto olhava atrás de mim. — É por isso que você está com ele? — perguntou, erguendo o queixo na direção de Tristan. Tentei não dar sinais de nervosismo. — Sim — cedi. — Não torne isso óbvio demais, no entanto, ninguém deveria saber. — Posso ver — disse ele em um tom risonho, gesticulando para a máscara na minha mão. Seus lábios se ergueram uma fração, mas enquanto me olhava, seus olhos ainda estavam estreitados em suspeita. — O que vocês dois estão fazendo aqui, então? — perguntou ele, suas palavras laced com um subtom que peguei facilmente. Considerando minha história com Tristan, ele sem dúvida acreditava que… ah. — Não posso te dizer exatamente por quê, ainda pelo menos, mas se você está suspeitando de qualquer outra coisa, te digo agora que não há nada acontecendo entre nós — falei com cuidado. Suas sobrancelhas se ergueram uma fração, confirmando meus pensamentos. — Absolutamente nada? Assenti, ignorando o quão estranhamente errado parecia admitir. Seu olhar vacilou por um momento antes de ele suspirar. — As coisas que eu faço… — sua voz falhou em um tom resignado, mas seu olhar parecia mais brilhante. — Por que você veio aqui? — perguntei. Agora que pensava nisso, nunca me preocupei em raciocinar por que ele estava aqui. Ele pareceu ligeiramente surpreso com minha pergunta, antes de erguer os lábios em um sorrisinho. — Eu também vim ver como o hospital aqui rivaliza com o nosso — sorriu ele. — Francamente, não faz muito em comparação. Se você adoecer, é melhor estar na minha alcateia quando voltarmos. Você terá o melhor tratamento como m****o da alcateia. — Há uma clínica na cidade perto da minha floricultura. Vou arriscar, Alfa — respondi secamente antes que ele bufasse divertido. Um sorriso veio ao meu rosto com o lembrete da nossa brincadeira usual. Vê-lo agora, não conseguia deixar de me perguntar por que fui tão cautelosa com ele em primeiro lugar. Ele era espirituoso, descontraído e a brincadeira era divertida. Não fosse pelas investidas repentinas dele e o medo residual e estranheza que Mina e eu tínhamos na presença dele, ele era uma boa pessoa e um bom Alfa para seu povo. Por agora, a cautela sumiu e me sentia mais confortável com ele. Por impulso, estendi a mão e bati no ombro dele. — Preciso ir agora. Te vejo mais tarde no hotel — disse apressada, oferecendo um pequeno sorriso em resposta. — Boa sorte com o que quer que esteja fazendo — disse ele com um sorrisinho final antes de se afastar. Quando voltei para o corredor, fiquei surpresa ao encontrar o lugar completamente vazio. Isso só significava… As gravações foram recuperadas. Corri para o escritório do doutor e como esperava, o médico da alcateia havia voltado com as gravações e… Tristan. Congelei assim que vi o olhar no rosto dele. Ele parecia pálido e abatido como se tivesse levado um choque. — Tristan? — perguntei, meu peito vacilando com a falta de resposta dele. O que aconteceu enquanto eu estava fora? Virando-me para o médico da alcateia com algo akin a confusão, ele suspirou. — Lu… ex-Luna — o doutor se curvou, o rosto abatido. — Encontrei as gravações de CCTV do dia em que a futura Luna Alyn fez o teste de gravidez. O vídeo mostra que não houve sinal de adulteração durante o teste. ‘Não’, sussurrei por dentro, horror me invadindo. Isso não podia ser. — Tem certeza? — perguntei. — Pode ver por si mesma — ligou ele o monitor de novo, sem dúvida tendo feito Tristan assistir antes. Ele saiu em silêncio, mas permaneci ao lado de Tristan, olhos focados no monitor. Podia ver claramente a silhueta de Alyn enquanto esperava do lado de fora do consultório. Antes de ser atendida pelo médico da alcateia. Entrando para o teste de urina e saindo, não havia outra pessoa ou adulteração envolvida. Quaisquer outras pistas que tínhamos murcharam com isso. Uma parte de mim ainda estava desesperada, tentando encontrar qualquer prova de que algo estava errado, mas o que havia para ver? Essa era nossa última pista e nos deixou com nada. Agora não conseguia deixar de questionar meus pensamentos. Estávamos errados? Alyn estava realmente grávida? — Acho que eu estava errado — riu Tristan, interrompendo meus pensamentos. Ao contrário da risadinha a que estava acostumada, essa soava completamente sem graça e morta. Virei-me para ele e meu coração caiu ainda mais. Seu rosto continha uma mistura de emoções, nenhuma delas boa, mas a mais prevalente de todas era resignação. — Você estava certa, Valerie. Devo enfrentar as consequências das minhas ações. — Tristan — tentei falar, mas ele balançou a cabeça. — Sinto muito — disse ele, me parando. — Por te levar em uma caçada inútil. Cometi um erro. Não deveria estar em negação. Deveria aceitar a verdade e assumir responsabilidade. Talvez tornasse todas essas celebrações mais fáceis. — Eu… Minha voz falhou, mente correndo. Que palavras poderia dizer a ele nesse momento? ‘Não sinta muito’, era uma opção. Como ele podia se desculpar quando eu tinha as mesmas suspeitas? Quando conhecia bem o suficiente a malícia que Alyn disse e fez? Ainda assim, parecia que entre tudo isso, fingir uma gravidez para prendê-lo não era uma delas. Lembrando das palavras que disse a ele no hotel me fez encolher. Eu havia explodido com um acúmulo de emoções passadas e minhas próprias suposições na época, mas não importava. Mesmo se ela tivesse se aproveitado dele enquanto bêbado, mesmo se ele não quisesse isso, ninguém ia se importar. Elas ainda eram verdadeiras, gostasse alguém ou não. Ele ia se casar com Alyn não importava o quê, pelo bem do passado dele. Assim como dois anos atrás, era outro casamento relutante. Que palavras eram suficientes para confortar isso? — Preciso ir agora — murmurou ele após um instante antes de se virar. Assisti ele sair do quarto em silêncio. O som da porta batendo já havia sumido, mas eu a encarei, uma dor baixa se formando no meu peito.
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