Drogada

1423 Palavras
Valerie Encostada no pilar mais próximo, ainda sentia os olhares penetrantes e murmúrios de algumas pessoas. Apesar de não querer ser notada antes de vir aqui, aqui estava eu. Com um suspiro, bebi o copo de suco de laranja que peguei entre o mar de vinho e champanhe espalhados pelo salão. ‘Não podia ser evitado mesmo.’ Pensei para mim mesma, me sentindo mais relaxada do que nos últimos dois dias. A música leve acalmava minha mente dos falatórios. Tomando o último gole do meu copo de suco de frutas, olhei ao redor para as pessoas vagando, dançando e o minibar. A noite continuava e assim a festa, ou nesse caso, a pós-festa dessa cerimônia fracassada. Apesar da cerimônia de acasalamento não acontecer, todos os preparativos já estavam no lugar e não podiam ser desperdiçados. Foi uma surpresa quando, após o silêncio seguindo a saída de Alyn, Tristan quebrou a tensão anunciando que a pós-festa ainda aconteceria. Os sussurros e murmúrios que seguiram foram muitos, mas a pós-festa parecia ter acalmado e relaxado todos. Essa festa final acontecia nos Jardins da casa da alcateia, um espaço mais privado, mas aberto. Não havia sinal de Alyn ou dos meus pais, mas não conseguia esquecer o olhar furioso que Alyn me lançou antes de desmoronar, que parecia prometer retaliação. Meus pais, por outro lado, não se deram ao trabalho de prestar atenção em mim enquanto passavam. Ainda fazia meu coração apertar, mas a dor não era muita. Sabia o que era o escrutínio público e, pelo que me dizia respeito, embora repentino, ninguém o culpava dada a situação. Apesar do meu envolvimento receber olhares de lado e suspeita, eu não era criticada também. Os olhos estavam focados em Alyn, que não só mentiu contra e tentou prender um Alfa, mas manteve uma gravidez falsa, mentindo para outros representantes de Alfas. Estranhamente, sua gafe durante a reunião Anual não se comparava a isso e, ao contrário de antes, não podia ser desculpada. Vê-la humilhada e de coração partido não me dava qualquer senso de satisfação ou vindicação. Não havia um pingo de mim que tivesse ódio verdadeiro por ela. Era meramente alívio por ter conseguido chegar ao salão de casamento a tempo. Os últimos dias após aquela noite ocorreram em um borrão cheio de adrenalina. Após ouvir por acaso e gravar a ligação dela aquela noite, corri de volta para o salão aquela noite com o coração acelerado. Havia o que precisava para evidência. Mas ainda havia uma ponta solta ligada ao que Tristan me contou e o assunto que não havia sido esclarecido. Mesmo se ela fingisse a gravidez com evidência, ainda poderia suplicar pelo fato de ter tido… relações íntimas com ele. Ainda afetaria a reputação dele e ainda o pressionaria. Então na manhã seguinte, só dois dias antes da cerimônia de acasalamento, parti da alcateia cedo o suficiente para ninguém notar, enviando uma mensagem e pedido de desculpas para Alistair antes de encontrar o caminho de volta para minha cidade. Visitei Mina pouco antes de ir para o local do hotel para ver se realmente estavam dizendo a verdade. Infelizmente estavam e mesmo as cópias de segurança que tinham não continham pistas até o dia seguinte quando um dos mordomos que coincidentemente ouviu minhas indagações se aproximou. Tinha que ser sorte ou bênção da Deusa, mas após isso tudo mais veio fácil. Então encontrei o caminho viajando de volta e chegando à noite bem quando a cerimônia estava prestes a começar. Graças a Deus, o esquema dela veio à luz. Sua preciosa imagem inocente foi manchada, mas mais importante, Tristan estava livre. — Um centavo pelos seus pensamentos? Pisquei de volta à realidade para encontrar a silhueta de Alistair entrar em vista. Seu sorriso provocador e palavras me fizeram assentir. Estava me sentindo relaxada hoje. — Fico feliz que esteja curtindo a festa — provoquei em resposta. — Sempre um mistério — balançou ele a cabeça. — Você tem sido secreta demais como minha conselheira e par durante esse fiasco de cerimônia. Embora nesse ponto agora entenda o que você estava realmente escondendo de mim. Lutando contra o sentimento envergonhado, dei de ombros enquanto ele se encostava no outro lado. — Agora entendo o que quis dizer — suspirou ele. — Não podia comprometer a cerimônia de acasalamento sem evidência. Tenho certeza de que não há amor perdido entre você e sua irmã. Isso era uma pergunta real? Tomei um gole da minha bebida e suspirei. Após um momento, olhei para cima. — Sinto muito por esconder isso de você junto com tudo mais — pedi desculpas. — Você é uma boa pessoa. Tão pura de certa forma. Ajudando pessoas a encontrar justiça, mesmo se for seu… ex-companheiro — disse ele. Poderia jurar que ele falou aquelas últimas partes estranhamente, mas o resto das palavras dele me fez congelar. Por que fui a extremos tão grandes por Tristan? Era porque Alyn estava envolvida ou porque ele estava envolvido? ‘Não.’ Lutei contra aqueles pensamentos traidores. Estava pensando demais. O que fiz era por bondade básica e justiça, algo que nunca recebi. Teria feito o mesmo se fosse qualquer outro. ‘Então por que se sente tão feliz que ele está livre?’ Minha mente estava em conflito e tinha certeza de que deveria haver uma réplica, mas quaisquer pensamentos se dissiparam assim que tranquei olhos com alguém à distância. Haviam se passado menos de algumas horas desde a cerimônia desastrosa, mas parecia que era tudo o que Tristan precisava para voltar ao seu eu anterior. Seu rosto brilhava de uma forma que as luzes douradas não podiam replicar, um pequeno sorriso nos lábios enquanto falava com outro Alfa e Luna da Alcateia Crestmoon. Ele parecia mais leve, mais feliz, ao contrário de antes. Enviava uma ease através de mim que não entendia. Antes de notarmos, seus olhos voaram para os meus e apertei o copo vazio mais forte quando ele sorriu, direcionado diretamente para mim. ‘Era só felicidade por sermos amigos.’ Raciocinei. Vim aqui por um fechamento final de certa forma e agora partia daqui em uma nota mais feliz. Por que não estaria feliz? — Vou pegar outro copo — disse a Alistair, quebrando o olhar para sorrir na direção dele antes de me afastar para o minibar por um refil de suco de laranja. Pouco depois, simplesmente me sentei no minibar. Talvez minha adrenalina tivesse sido demais. Tanto que não percebi quando desmaiei. … Meia hora passou enquanto a festa diminuía quando abri os olhos, recuperando a consciência. Sentando-me do banquinho do bar, olhei ao redor. Onde estava Alistair? Piscando para cima, ainda via algumas pessoas vagando pela casa da alcateia. m*l havia mais alguém presente, sem dúvida se retirando. Era ainda mais surpreendente que não tivesse sido incomodada, tendo caído no sono. Ele estava entre eles? Levantei-me, pronta para me mover, mas bem quando estava prestes a dar um passo à frente, minha visão borrava em branco. Fechando os olhos e abrindo, não parecia mudar. Isso não era letargia do sono. Era algo mais. Que diabos… Tropecei contra o banquinho. O barman sumiu e ansiava por uma bebida. Algo frio. Por que tudo parecia tão quente? Balançando a cabeça, minha visão clareou uma fração, só para notar o copo no balcão. Em meio ao resíduo de suco de laranja havia algo inegavelmente diferente. Branco e em ** e- ‘Estava drogado’, percebi. Não havia notado o copo muito após o primeiro conjunto de bebidas. Após voltar por um refil não saí do bar, então quem poderia ser responsável? E sabendo que não era difícil traçar os sintomas também. Terror me invadiu até a borda com o formigamento febril circulando por mim. De alguma forma, sem meu conhecimento, alguém me deu um afrodisíaco. Quando aconteceu? Quem estava por trás? Como… como… Senti com alarme, minha mente começando a vagar enquanto a ‘febre’ crescia. Precisava ir. Sair… de alguma forma. Ninguém podia me ver assim. Não havia chance de voltar para o hotel… a única escolha era… aqui. Tropecei para a parte vazia do corredor. Se pudesse alcançar meu antigo quarto. Não. Não queria ficar sozinha. Precisava… precisava… Meus instintos reagiram assim que encarei outro quarto. Parecia tão familiar. Sabia de quem era… Quem era? — Valerie? Meu lobo se animou com o chamado… era a voz de um homem. Tão familiar… Por algum motivo, não conseguia colocar um nome nisso. — Valerie! Escuridão varreu por mim enquanto sentia braços em mim. Antes que pudesse reconhecer quem era, mergulhei no nada.
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