Humilhar

1220 Palavras
Valerie Luz brilhante perfurou meus olhos enquanto os abria. Gemi com a dor de cabeça latejante se formando. Tudo parecia estranho. Brilhante demais, demais. Como uma ressaca. O que era impossível. Não bebi nada. Eu havia… O que aconteceu comigo? Qualquer letargia restante sumiu completamente enquanto forçava os olhos abertos apesar do brilho áspero. Sentando-me, ainda sentia os efeitos duros da… d***a. ‘Fui drogada.’ Inspirei asperamente enquanto o resto das memórias da noite passada escorregavam para dentro. Ainda lembrava do que aconteceu após descobri-lo. Vagava ao redor e ouvi uma… voz bem antes de desmaiar. ‘De quem era a voz?’ Após ajustar à luz, olhei ao redor freneticamente. Isso não era a casa da alcateia, mas o hotel da alcateia. Mas não era o meu. Pulei da cama com os salões da porta rangendo, virando a cabeça para encontrar uma porta abrindo para revelar… Alistair. Em só uma toalha. — Vejo que acordou — sorriu ele, mas tudo o que sentia era pânico. Havia perguntas demais. Como cheguei aqui? O que aconteceu enquanto estava inconsciente? Ele havia… nós? — O quê? Eu… — consegui respirar apesar do sangue correndo nos meus ouvidos. Parecia que estava a um momento de hiperventilar. — O quê? Está se sentindo culpada por se aproveitar de mim? — sorriu ele. Pânico me invadiu enquanto a realização vinha. Queria gritar, chorar e fugir. Era demais. Não só o pensamento da d***a, mas dormir com ele?! E meu bebê. Deusa. Meu bebê que ninguém sabia nada. Como qualquer coisa disso os afetaria? Eu ainda estava bem? Era- Uma risada me tirou da minha espiral descendente crescente. Olhei para cima atordoada para encontrar a de Alistair. — Nada assim aconteceu, acalme-se — riu Alistair. No momento em que processei suas palavras, um suspiro de alívio escapou de mim. Olhando para baixo, percebi que era o mesmo do meu lado, meu vestido ainda presente. Isso tornava meu pânico ainda mais ridículo de pensar. O pânico diminuiu, mas não respondia quaisquer outras perguntas. Quando olhei para cima de novo, Alistair estava completamente vestido. Sem dúvida havia se trocado enquanto eu ainda estava profunda em pensamentos. Sentando ao lado da cama, ele se inclinou e toda a diversão deixou seus traços. — Lembra do que aconteceu? — perguntou ele, o rosto completamente sério. Engolindo em seco, ofereci minha única resposta que podia, balançando a cabeça em negativo. Um suspiro escapou dele e sua carranca cresceu ainda mais. — Encontrei você vagando pela casa da alcateia. Acabei de vir de uma reunião com Tristan quando notei seu estado. Você murmurava sobre calor e falava bobagens. Podia dizer que não era normal, então te levei de volta. Não me sentia confortável em te deixar sozinha, então te deixei se recuperar aqui para suar. Você desmaiou e então dormi no sofá — apontou ele para o último, me fazendo virar para encontrar o lugar com um travesseiro amassado e cobertor. Toda a tensão me deixou e lentamente relaxei. Nada havia acontecido e nem sentia que algo tivesse ocorrido. Estava segura. Alistair sem dúvida era a voz que ouvi antes de desmaiar. Estava segura graças a ele. — Obrigada, Alfa Alistair. Estou em dívida com você — disse. — Estamos voltando ao formal agora? — bufou ele. — Se falar de dívidas, posso aceitar a oferta. Uma sensação incômoda me invadiu com o pensamento, mas forcei uma risadinha sabendo que ele não era sério, ou pelo menos, na maior parte. O ar virou sério mais uma vez. — Mas aqueles sinais mais cedo, não é difícil dizer que tipo de d***a é essa — franziu ele. Meu queixo apertou com o pensamento. Fui drogada com um afrodisíaco. Podia ser coincidência? Duvidava. Não quando era a única pessoa presente que parecia prosperar em suco enquanto todos tomavam vinhos e champanhes. A única pergunta era quem e por quê. Não era tão difícil pensar. O olhar furioso de Alyn para mim durante a cerimônia fracassada, um olhar que ignorei. Empurrei para longe, me sentindo relaxada e assegurada de que nada mais aconteceria, cheia da alegria do assunto resolvido. Mas agora só conseguia questionar. Ela veio à festa sem ninguém notar? Como escorregou algo na minha bebida? Era realmente a culpada? Não me atingia como algo que Alyn faria. Apesar de todas as ações dela no passado, percebia que pareciam firmemente limitadas a truques mesquinhos e fingimentos. Mesmo agora suas mentiras foram desvendadas com só um pouquinho de evidência. Ela não parecia conseguir algo tão complexo. Não algo tão malicioso quanto drogar. Era realmente astuta o suficiente para fazer isso? Uma dor de repente atingiu minha cabeça de novo do pensamento, me fazendo gemer. Alistair se inclinou mais perto, alarmado, mas rapidamente o dispensei. — Estou bem — garanti a ele, deixando a dor aliviar antes de me endireitar. Embora a lógica disso não estivesse lá, ela era a suspeita clara e era fácil juntar o que aconteceu. Ela de alguma forma plantou um afrodisíaco na minha bebida para tentar me humilhar. Era uma vingança distorcida, e teria sucedido. Olhando para cima, encontrei o olhar de Alistair. Ele me salvou de quaisquer consequências e confiava nele o suficiente para contar isso. Precisava pelo menos retribuí-lo contando o que sabia. E assim contei a ele sobre minhas suspeitas. Quando terminei, seu rosto parecia pálido, queixo apertado de raiva. — Ela tem culhões — rosnou ele. — Temos que reportar isso. — Não — as palavras escaparam dos meus lábios antes que pudesse pensar. Ainda não estava completamente convencida da ideia de que ela era a culpada, mas se era, estava cansada de lidar com ela. Me recusava a descer ao nível dela para humilhá-la mais quando ontem foi suficiente. Fui recebida com um olhar de incredulidade dele instantaneamente. — Mas- — cortei-o, balançando a cabeça. — Estamos partindo da alcateia em breve mesmo — contrapus, encarando-o diretamente. A realização me atingiu fazendo meu peito apertar, mas segurei em favor de uma disputa de olhares. Conflito brilhou pelo rosto dele junto com uma mistura de emoções que conseguia compreender antes que a tensão o deixasse em um sopro de ar. — Tudo bem — murmurou ele asperamente. Senti uma onda de afeto enquanto sorria. Não gostava de Alistair, não da forma que ele queria que eu gostasse. Estava mais claro agora. Ele era um homem bonito e charmoso que ainda era desconcertante em formas que desejava que não fosse, mas era um bom amigo protetor. Um único pensamento fez meu sorriso vacilar e meu coração acelerar. Escolaando minha expressão, levantei-me, tropeçando ligeiramente antes de ganhar equilíbrio. — Vou embora agora. Está na hora de descansar no meu quarto — sorri. Alistair parecia querer protestar, mas me afastei antes que pudesse dizer algo. Enquanto entrava no meu quarto, o peso de tudo me atingiu como uma tonelada de tijolos. Não hesitei em me enterrar nos lençóis enquanto a letargia e a dor de cabeça persistiam. Mas acima de tudo era a realização. Estávamos partindo. A Cerimônia de Acasalamento sumiu e não havia necessidade de ficar aqui mais. Assim como todas as outras alcateias, precisava partir com Alistair, voltando para minha vida normal, a real que criei para mim mesma. Deveria estar feliz. Aliviada. Ainda assim, tudo o que permanecia na minha mente era ver Tristan por uma última vez.
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