Valerie
— Obrigada, Mina. Falo com você depois.
— m*l posso esperar para te ver de novo. Tchau por enquanto.
Com aquelas palavras de despedida, nossa ligação finalmente terminou. Sentando-me na cama, estiquei os braços, prazer me invadiu com os estalos das minhas juntas antes de relaxar e olhar para o espelho com um suspiro.
Após cair no sono por mais algumas horas antes de acordar de novo, estava de melhor humor. Muito mais revigorada do que nunca. Não machucava que ouvi nada além de boas notícias de Mina, que não teve problemas com a floricultura desde então, embora com reclamações provocadoras sobre se sentir sozinha.
Não precisava do celular para checar a hora. Só pelo calor do sol sozinho conseguia dizer que já passava do meio-dia. As atividades acontecendo abaixo, no entanto, eram muito mais interessantes.
Vários dos carros e representantes de alcateias já estavam partindo. Ainda era cedo desde que a maioria das alcateias visava partir mais tarde à noite, Alistair e eu inclusos.
Talvez por isso não havia sinal de Tristan para se despedir formalmente deles. Uma pontada instantaneamente me atravessou.
Não havia esquecido meus pensamentos anteriores antes do meu sono. Após partir, havia poucos motivos para voltar aqui. Já havia dado a ele a chance de permanecer em contato, mas não conseguia evitar querer vê-lo de novo. Mesmo se fosse por um pequeno adeus.
‘Por que precisa fazer isso?’
Calei aquela pergunta. Claro que era só por fechamento.
Minha barriga roncava também e isso me dava dois motivos a mais para me levantar da cama. Escorregando para fora, fui para o banheiro.
Primeiro pegaria algo para comer, e então após, o veria.
…
Graças a Deus enquanto vagava perto da casa da alcateia todos os guardas estavam fora de vista, sem dúvida atendendo aos Alfas e Lunas partindo. Me deu a chance de me esgueirar para dentro sem me sentir tensa.
Enquanto passava por alguns servos, eles eram surpreendentemente calorosos, me cumprimentando sem questionar ou murmurar. Tentei não pensar nisso enquanto chegava ao escritório dele.
Bater me levava de volta ao passado, mas tranquei aquelas memórias. As coisas mudaram agora.
Afinal, éramos… amigos.
Com confiança, girei a fechadura, entrando. Verdade aos meus pensamentos, ele estava dentro, trabalhando na mesa. No momento em que olhou para cima, boquiabriu de choque.
— Valerie — disse ele.
— Não consegui falar de verdade com você após a festa — sorri, olhando para ele. Era só eu ou ele parecia cansado? Não havia dormido o suficiente na noite passada?
‘Pare de pensar demais.’
Rapidamente me tirei disso, dando alguns passos à frente.
Não sabia o que esperar ao vir aqui, mas estava assegurada de que ele seria acolhedor. Pelo menos agora que estávamos partindo em breve.
Ainda assim, para minha confusão, ele franziu mais, virando de volta para a mesa sem outra palavra.
— Tristan? — chamei, dando alguns passos. Da minha visão, podia ver o rosto dele apertar uma fração antes de olhar de volta para cima.
— Por que veio aqui? — perguntou ele.
Tentei ignorar o quão desdenhoso soava, mantendo o tom leve e amigável.
— Vim me despedir. A maioria das alcateias já está partindo e Alistair e eu partiremos também mais tarde…
Dessa vez não perdi a tensão que o atravessou. Preocupação me invadiu.
— Tristan? Tem certeza de que está bem? — chamei, dando um passo mais quando a mão dele de repente bateu na mesa.
— Estou bem — estalou ele e recuei. Seu tom era frio e afiado.
Uma mistura de irritação e mágoa me invadiu.
— Que diabos há de errado com você? — gritei. O que era essa mudança repentina? As respostas curtas e secas? Era irritante.
Mas ainda mais, parecia… machucar.
Por um momento ele igualou meu olhar antes de virar para longe, focando no documento na mesa.
— Agora que você está partindo, não há necessidade de falarmos ou mantermos qualquer contato — suas palavras, tão leves mas desprovidas de qualquer emoção, me cegaram.
— Mas pensei que éramos-
— Mudei de ideia — cortou-me ele. — Não somos amigos, Valerie, e embora esteja grato por me ajudar a lidar com sua irmã, acho que é onde nossas interações devem acabar.
Aquelas palavras me atingiram como um golpe. Infelizmente parecia que ele não havia terminado enquanto olhava para cima.
— Você deveria partir e esquecer esse lugar. Não era esse seu plano em primeiro lugar? — perguntou ele, erguendo uma sobrancelha.
Meu queixo doía de tão forte que apertava. Encarando seu olhar cinza, não conseguia ver quaisquer emoções, só profundezas impiedosas.
Onde havia ido o olhar de ontem? O Tristan com quem me tornei mais familiar?
— Tudo bem, então — disse amargamente, tentando manter a raiva e a mágoa de vazarem. — Foi minha culpa vir aqui. Adeus, Alfa Tristan.
Virei-me e saí sem um olhar, me mantendo forte enquanto me esgueirava para fora da casa da alcateia. Nunca vacilei no caminho para o hotel.
Não foi até reentrar no meu quarto que finalmente desmoronei.
Tirando minhas roupas, me enterrei nos lençóis mais uma vez, deixando tudo se assentar. Não havia lágrimas para derramar, só um senso avassalador de vazio.
Por que ele estava fazendo isso?
Não conseguia entender. Era como se um interruptor tivesse sido ligado nele. Era cegante.
‘Não era óbvio?’ Um pensamento veio à minha cabeça e amargura inchou em mim. Ele havia dito ele mesmo.
Agora que não precisava mais lidar com Alyn, qual o sentido de falar comigo mais?
Me atingiu como uma pontada. Apertei os olhos com força.
Ele me usou, conscientemente ou não, e caí tão facilmente nisso. Agora ele de repente se fechou.
Talvez ele sentisse muito, talvez tivesse mudado. Isso não podia ser fingido. Mas nem sua apatia repentina agora.
Tão poético e e******o que apesar das mudanças eu era a que era constantemente machucada no final.
‘Nada disso importa’, repeti para mim mesma, fechando os olhos.
Tive fechamento afinal, mesmo se não da forma que esperava. Agora era hora de seguir em frente.
De repente, partir não parecia tão assustador mais.
…
À noite estávamos todos prontos para partir. Enquanto os raios laranja do pôr do sol batiam, terminei de arrumar as malas e esperei na entrada enquanto Alistair e os outros representantes de alcateias falavam.
Tristan estava na frente, se despedindo de todas as alcateias restantes. Tentei fazer contato visual com ele em algum ponto, mas seu olhar escorregou por mim como se eu não existisse, me forçando a virar amargamente.
‘Que diabos eu estava pensando?’ Engoli em seco.
Não sabia, mas estava pronta para superar isso.
Minha garganta parecia ligeiramente mais seca que o normal. Pisquei contra os raios. O que estava acontecendo?
Empurrei o sentimento para longe enquanto Alistair se movia para mim, um sorrisinho nos lábios.
— Pronta para ir? — perguntou ele e assenti.
— Sim… — enquanto dava um passo à frente, de repente tudo borrava enquanto uma onda de náusea me atingia. Não conseguia impedir minhas pernas de dobrarem bem antes de sentir meu joelho raspar no chão.
— Valerie! — Uma voz chamou antes de pele quente de repente me cercar. Senti me sendo puxada para cima antes de um rosto vir à minha visão. Um par familiar de olhos cinza.
Tristan.
E então… nada.