Ficar

1276 Palavras
Valerie — Mmmh. Pela segunda vez, as luzes pareciam cegantes demais enquanto sentia me saindo da inconsciência. O cheiro de álcool e antisséptico atingiu meu nariz antes mesmo de olhar ao redor. Eu estava em um quarto de hospital. Não qualquer hospital, no entanto. Podia reconhecer as paredes familiares do hospital da Alcateia do Eclipse qualquer dia. Minha garganta parecia seca enquanto tentava engolir. Um segundo eu estava bem e então… eu… desmaiei. Tentando me sentar, uma onda de tontura me invadiu. Fechei os olhos contra o borrão e a náusea. ‘Respirações profundas.’ Repeti. Apesar disso, sentia pânico. Que diabos estava acontecendo comigo? E meu bebê? O sentimento passou e bem quando olhei para cima só para ver a porta bater abrindo. Alistair e Tristan invadiram o quarto sem alarde, me olhando alarmados. — Valerie — Alistair correu para mim, se sentando ao lado da cama e pegando minha mão. — Você acordou. Ouvi barulhos de fora — disse Alistair apressado. Ainda me sentindo cansada demais, não conseguia me dar ao trabalho de puxar minha mão dele. — Que horas são? — perguntei, minha voz mais rouca do que esperava. Limpei a garganta para aliviar a sensação. Precisava de água… Enquanto virava para o outro lado, um copo foi de repente empurrado para mim, cheio de água. Congelei, reconhecendo instintivamente aquela mão. Não queria olhar para cima e ver o rosto dele. — É um pouco depois da meia-noite. Você ficou inconsciente por quase quatro horas — a voz de Tristan rimbombou acima de mim. Senti meu peito apertar por uma dor diferente, a ferida de mais cedo ainda fresca. Sem pensar muito, peguei o copo sem tocá-lo, virando para longe para beber. Enquanto bebia, vislumbrei Alistair focado na direção dele, uma carranca no rosto. — Eu poderia ter pegado isso para ela — disse Alistair. — Importa quem pegou? — a voz de Tristan ecoou ao meu lado antes de passos. A aspereza da voz dele dizia qualquer coisa menos isso e enquanto ele entrava em vista do outro lado, sentia a tensão enquanto se olhavam. Da última vez que estiveram verdadeiramente próximos no jardim, senti hostilidade de ambos, mesmo enquanto cheia de outras emoções. Isso não culpava, considerando que havia um conflito entre eles recentemente resolvido e o fato de eu estar em aflição aos olhos de Alistair. Dessa vez, no entanto, parecia completamente diferente. Parecia quase… competitivo, como se tentassem superar um ao outro em algo. Que diabos? Graças a Deus, o momento foi interrompido enquanto outra pessoa entrava pela porta aberta. O médico da alcateia me olhou e minha respiração prendeu alarmada. — Doutor — cumprimentou Tristan bem enquanto Alistair se levantava. — Sem necessidade de amabilidades. Fiz um check-up nela e sei o que há de errado. — Você, por acidente, tomou uma d***a que a fez sofrer de inconsciência similar a pílulas para dormir? Minhas mãos apertaram os lençóis instintivamente. De fato, fui drogada com um afrodisíaco, não fui? Poderia jurar que sentia dois olhares penetrantes na minha direção, mas ignorei. Era surpreendente o suficiente que não tivesse reagido com mais que desmaiar. Meu olhar pareceu suficiente enquanto o Doutor Gerald assentia. — Após fazer um exame de sangue, está claro que a d***a ainda está presente em alta concentração. Mesmo que o efeito principal tenha sumido, você ainda sofrerá dos efeitos colaterais, até que seu corpo a purgue completamente, fazendo você sofrer de sintomas sob estresse. — Há algum tipo de antídoto que ela possa tomar? — estalou Alistair impacientemente. — Ela não pode tomar quaisquer drogas. Não na condição dela. Meu sangue virou gelo com as palavras do médico da alcateia antes de olhá-lo. O olhar que me deu só podia ser descrito como sabedor. Um segundo passou antes de ele virar de volta para eles. — Ela já está em um estado frágil. Adicionar quaisquer químicos a mais do que já há no sangue dela a tornaria pior antes de melhorar. Felizmente por agora… ela e tudo mais está seguro. Soltei um suspiro quieto de alívio, enviando um olhar grato para ele. Se ele fez testes em mim, já sabia que ainda estava grávida, mas não mencionou, mesmo se soubesse que provavelmente era o caso. E sua mensagem velada na última frase era clara. Apesar do efeito da d***a, meu bebê estava seguro. Antes que pudesse dizer algo, Tristan de repente deu um passo à frente. — Até ela melhorar, ela ficará nesta alcateia — anunciou ele. ‘O quê?’ Choque me atravessou e sentia todo o quarto carregado com isso. Encarando Tristan, minha mente corria. Antes que pudesse argumentar, Alistair falou ao meu lado. — Nesse caso, eu fico também — disse ele, me fazendo virar para ele. — A saúde dela não diz respeito à sua. Além disso, você tem sua alcateia para lidar. Não há motivo apropriado para você estar no meu território — argumentou Tristan. — Ela está sob minha p******o e minha responsabilidade. Não saio desse lugar sem ela — estalou Alistair. — De qualquer forma, por que eu não a levo de volta? Ela pode se recuperar na minha alcateia. — E arriscar a segurança dela? Colocá-la sob estresse? É assim que a protege? Meu foco está em garantir a segurança dela. Tive o suficiente. Olhando para o doutor, os interrompi. — Vou conseguir viajar na minha condição? Todo o quarto ficou imóvel com minhas palavras. Apertei os lençóis sob mim, esperando por uma boa reação enquanto o olhar do Doutor Gerald virava contemplativo. Mas aquela esperança morreu assim que ele balançou a cabeça. — Não posso aconselhar que faça isso. O estresse poderia aumentar os sintomas e afetá-la de… muitas outras formas — falou ele intencionalmente. Em outras palavras, afetaria meu bebê. Inspirando fundo, olhei para os dois homens ao meu lado. Estava tão certa sobre partir daqui após essa tarde, mas como se provou, não tinha escolha. Assenti em resignação. — Vou ficar. Tristan relaxou. Seu rosto, que era tão apático da última vez, suavizou em um sorriso de alívio. Apertando o queixo, olhei para longe dele, o lembrete da atitude dele mais cedo ainda fresca. Em vez disso, foquei em Alistair. — Posso estar afiliada a você, mas tecnicamente não sou m****o da alcateia. Não há bases verdadeiras para você ficar — disse. — Volte para a Alcateia da Lua Sombria. Vou ficar bem aqui. Alistair lutou e parecia preparado para argumentar, mas dei a ele um olhar afiado. Após um minuto completo, cedeu. Passando sua despedida — e um olhar furioso aberto para Tristan — Alistair saiu do quarto, assim como o médico da alcateia. Uma pequena onda de náusea fez bile subir. — Os efeitos colaterais estão te incomodando? Uma voz me forçou a olhar para cima. Tristan ainda não havia saído. Ele parecia tão preocupado, como se não tivesse me fechado horas atrás. Como se não tivesse admitido me usar. Como ousava? — Eu poderia pegar mais águ- Cortei-o com uma mão erguida antes de falar. — Acredito que concordamos que não há necessidade de falarmos, Alfa Tristan. Não somos amigos ou qualquer coisa um para o outro — disse, mantendo o tom neutro apesar de tudo. Sua expressão caiu, virando abatida. Me recusei a deixar ele me afetar. Não dessa vez. — Valer- — Saia — disse, me deitando na cama e virando para longe. Após o que pareceu uma eternidade de silêncio, finalmente ouvi seus passos antes da porta bater fechando. Estava sozinha. E agora, ia ficar aqui, no mesmo lugar de onde escapei, sozinha de novo. Fechando os olhos, tentei processar ter que ficar aqui por mais tempo do que desejava.
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