Segredo

1212 Palavras
Valerie Abri os olhos para um teto de mogno familiar e lençóis macios que nunca pensei que estaria de novo. Aqui, não havia cheiro de antisséptico no ar. Sumido estava o zumbido fraco de paredes estéreis. Não estava mais no hospital da alcateia, mas na casa da alcateia. No meu antigo quarto. Só algumas horas após o amanhecer fui liberada pelo médico da alcateia, que me aconselhou a descansar. Saindo, Tristan estava lá me levando para a casa da alcateia e falou de como moveu meus pertences para lá. Ignorei ele o tempo todo, nunca dizendo uma palavra. Não deveria me surpreender que moveram minhas coisas para cá em tão curto prazo. Ainda assim, acordar pela terceira vez em um lugar completamente diferente, mas familiar, fazia uma sensação estranha rastejar em mim. Não havia tempo claro antes da d***a passar de acordo com o médico da alcateia. Podia levar uma semana ou semanas no melhor, tudo enquanto precisava ser cuidadosa para não me mover ou ficar sob estresse para evitar piorar os sintomas. Suspirei, sentindo minha barriga roncar. Estava com fome, mas não conseguia me forçar a me mover. O pensamento de ir para a sala de jantar era familiar demais. E meus pais? Estavam lá embaixo? E Alyn? Eles sabiam que eu ainda estava por perto ou estavam como sempre, absortos em Alyn para se importar? Uma batida ecoou da minha porta, me tirando dos pensamentos. Sentei-me alarmada. — Entre — disse e a porta se abriu para revelar uma serva segurando uma bandeja junto com duas outras flanqueando-a em ambos os lados. — Saudações… Senhora Valentine — a do centro me cumprimentou. Uma nova sensação rodopiou no meu estômago. Reconheci elas facilmente. Era estranho ser atendida por qualquer um além de Mina no passado, e por bom motivo. Além de Mina, na época eu era sujeita a escrutínio completo pelo resto delas, ela inclusa. Se eram os olhares delas ou as coisas que diziam sem notar que eu escutava, era suficiente para eu dispensá-las do meu atendimento pessoal. Só Mina ficou ao meu lado sem escrutínio. Nada disso importava agora, no entanto. Meu olhar focou na bandeja de comida. Tristan ordenou isso? Parecia estranho ser atendida. O pensamento de ser servida na cama após meses de independência era estranho. Isso foi o que me empurrou para os pés. Levantei-me antes de poder pensar, ignorando quaisquer avisos passados sobre estresse por um momento. Elas pareceram tensionar quanto mais me aproximava até eu me mover para pegar a bandeja. — Obrigada — disse, olhando para as silhuetas delas com cuidado. Todas pareciam nervosas. Assim como ontem, assim como o dia que cheguei, me olhavam com uma mistura de ansiedade e nervos que não entendia. Por quê? Enquanto virava, no entanto, passos ecoaram antes de uma mão me parar no lugar. Virei por minha vez para encontrar a loira do centro — Camila? Clara? — era a culpada. — Espere… deixe-me servi-la — disse ela, parecendo surpresa e descrente. — Não — balancei a cabeça. — Eu insisto. Já estou acostumada a lidar com as coisas sozinha. Além disso, não sou mais Luna, então não há necessidade de me servir. Todas as três pareceram hesitantes por um momento. Sorri para assegurá-las. — Obrigada por trazer isso. Não tinha certeza se deveria descer para comer ou não. Obrigada — ofereci. Virando-me, coloquei a bandeja na mesa quando um baque alto e barulhos me pararam no lugar. Virando-me, só consegui boquiabrir. Todas as três estavam na entrada ajoelhadas. — Luna… Senhora Valerie — soluçou ela, o rosto se contorcendo em lágrimas. — Nos perdoe — chorou ela e as outras duas seguiram em tandem, corpos tremendo. Segurei na mesa para conter o choque e pânico. O que estavam fazendo? — O que querem dizer? Levantem-se, por favor — disse, mas Camila no centro só balançou a cabeça e ergueu. — Somos culpadas. Nós e os outros servos. Todos. Sinto muito — fungou ela, olhando para mim. — Eu e os outros servos éramos culpados. Costumávamos fofocar sobre você, constantemente encontrando algo errado e espalhando para a alcateia. Todos a julgamos m*l, assumindo que Alyn era melhor. Por causa de todos os boatos, ignoramos sua bondade conosco ou como nos tratava bem. Sinto muito. Sentimos muito. A garota de cabelo escuro ao lado dela fungou, olhos brilhando com lágrimas antes de falar. — Não sabíamos dos sacrifícios que fez até recentemente. Nós… não sabíamos que você era o motivo de termos melhores espaços de moradia. O quê? Recuei de choque. Como sabiam disso? Era verdade. Pouco após me tornar Luna, usei meu dinheiro pessoal para financiar melhores espaços de moradia para eles. Mas isso foi quase um ano atrás e garanti que fosse segredo, daí por que usei meu dinheiro pessoal em vez do orçamento. Com eles acreditando que era graças a Tristan, não foi difícil. — Como vocês… — minha voz falhou, incapaz de completar minhas palavras. — O Alfa Tristan revelou um mês atrás. Ele… ele nos viu falando sobre você e nos repreendeu. Com razão — disse a outra serva morena, reconheci como… Sophia? Sorrindo autodepreciativa. Tristan fez isso? Minha respiração prendeu. — Você fez tanto por nós e manteve silêncio enquanto a tratávamos injustamente. Você pode não ser mais Luna, mas estamos prontos para servi-la não importa o quê. Nunca pode retribuir o que fez — disse Sophia. — Por favor, nos deixe servi-la — suplicou Camila e algo no meu peito apertou. — Com toda a honestidade, não estou mais acostumada a essa vida de ser servida. Não é nada pessoal. Mas se e só se vocês quiserem, eu… posso permitir — disse tentativamente. Disse a coisa certa? Preocupação me invadiu até que os rostos delas de repente relaxaram, parecendo mais aliviadas do que qualquer coisa. — Obrigada, lu- Senhora Valerie — entoaram elas. Forcei um sorriso. — Agora, por favor, levantem-se. Elas não perderam tempo se levantando para sair, me passando sorrisos gratos que retribuí. Só quando a porta fechou deixei cair e deixei as emoções se assentarem. Havia tantas perguntas. Como Tristan sabia disso? Mas acima de tudo, por que ele me defenderia? Julgando pela linha do tempo, isso ocorreu um mês atrás, bem antes dos convites de casamento ou meu retorno aqui. Certamente ele não saberia que eu voltaria, então por quê? Não conseguia entender. O que Tristan queria de mim? Primeiro vindo até mim e então de repente agindo frio antes de se preocupar comigo e me trazer de volta aqui. Primeiro me olhando com aqueles olhos suplicantes e então dizendo coisas para ajudar nos bastidores? Era tão confuso, e precisei de tudo em mim para não correr para fora do quarto e encontrá-lo, mas me contive. ‘Depois.’ Pensei. Virando-me para a mesa, me preparei para comer. Após a refeição, tentei descansar de novo, mas provou ser inútil. Estava completamente inquieta. Meu celular provou ser uma distração ainda pior. Minha frustração cresceu e fechei os olhos. Olhando para fora da janela, um pensamento veio à mente. Não levou muito para tomar uma decisão. Escorregando para longe da cama, me movi para o armário para trocar por quaisquer roupas confortáveis que estivessem lá. Com aquele pensamento em mente, saí do meu quarto, saindo da casa da alcateia.
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