Capítulo 3

616 Words
  TESSA   O pânico ainda me dominava, agudo e gelado.   Por quê?   Por que essa falta de sorte justo comigo?!   Ainda não conseguia processar. Aquele homem era meu novo chefe.   Revirei na mente cada palavra dura que lhe disse naquela manhã.   Ahh, por que falei aquilo? Devia ter medido as palavras.   Será que ele ia me demitir por causa do que disse?   Não. Não podia ser demitida. Tinha minha mãe e minha irmã para ajudar.   Precisava me acalmar e pensar.   Respirei fundo algumas vezes, forçando o corpo a obedecer.   Arrisquei um olhar rápido para a frente, onde ele estava sentado. Declan Hudson, apresentara-se.   Quando seu olhar não pairou sobre mim, baixei a cabeça, usando meu cabelo como uma cortina. Naquele momento, minha única prece era que ele não me tivesse reconhecido.   Cada minuto naquela sala foi uma tortura.   A felicidade foi quase física quando a reunião finalmente terminou.   Esgueirei-me para fora do auditório, alimentando a frágil esperança de que tinha passado despercebida.   De volta à minha mesa, a primeira coisa que fiz foi despejar toda a história na Audrey.   “Você tá de brincadeira, né?”   “Pareço que tô brincando?”, retruquei, a voz ainda trêmula.   Seus olhos arregalaram-se de verdadeiro choque. “Então você devia é estar feliz, mulher! Dormiu com um deus grego!”   “Para com isso, Audrey! Tô morrendo de medo que ele queira se vingar e me demita. Eu não posso ficar desempregada agora, você sabe.”   Meu Deus.   Não devia ter ido àquele bar. Queria tanto voltar no tempo.   Devia ter sido mais cuidadosa. Não devia ter cedido àquela noite. Não devia ter jogado os duzentos dólares. E definitivamente não devia tê-lo insultado.   Por que me meti numa enrascada dessas?   Audrey tocou meu ombro. “Não pira assim. Talvez ele nem tenha te visto.”   Foi quando a voz do gerente ecoou pelo corredor:   “Tessa! O Sr. Hudson quer você em seu escritório. Agora!”   Oh.   Estou ferrada.   Bati na porta do seu escritório com os nós dos dedos trêmulos.   “Entre.” A voz barítona, profunda e agora terrivelmente familiar, veio de dentro.   Entrei, relutante.   A ansiedade tomava conta de mim. Era surreal: o homem de roupão naquela manhã estava agora, de terno impecável, atrás de uma enorme mesa de chefe.   A vida é cheia de surpresas. Pena que essa era do tipo que eu queria muito devolver.   Fiquei parada em silêncio enquanto ele, deliberadamente, continuava a examinar alguns documentos, ignorando minha presença.   Soltei um suspiro que nem sabia estar prendendo. “Sr. Hudson, o senhor me chamou?”   Ele ergueu a cabeça. Ofereci-lhe meu sorriso mais profissional e inofensivo.   Talvez ele me veja de outro jeito, pensei, desesperadamente. Como uma funcionária dedicada.   Seus olhos percorreram-me de cima a baixo. Eram escuros, gélidos, impenetráveis. Senti um desconforto tão intenso que precisei me concentrar para não tremer.   Ele recostou-se na cadeira giratória, com uma casualidade que era tudo menos relaxada.   “Imaginei que as pessoas que trabalham para mim fossem… responsáveis”, começou, sua voz suave como uma lâmina. “Não esperava vê-la aqui.”   A frase caiu como um tapa.   Sim, eu cometera um erro. Mas aquilo não lhe dava o direito de questionar meu caráter profissional. Se havia uma coisa que eu detestava, era ser menosprezada.   A resposta saiu antes que meu cérebro pudesse filtrar:   “Bem, senhor, não costumo achar profissional discutir a vida privada no trabalho. Mas, já que o assunto veio à tona… o senhor talvez não devesse se apressar tanto em julgar.”   A expressão no rosto de Declan Hudson congelou instantaneamente, seus traços se tornando ainda mais severos.   Droga.   Parece que o deixei ainda mais furioso.   Estou definitivamente sendo demitida.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD