Capítulo 9

801 Words
  Após todos se retirarem, Cassandra olhou para o avô, que parecia submerso em pensamentos, e tomou a iniciativa de admitir o próprio erro: "Desculpa, vovô. Eu passei dos limites e te deixei chateado. Não importa a punição que o senhor decida me dar, eu não vou reclamar. Faça o que achar correto — eu preciso aprender a lição.   "Ela sabia o quanto aquele senhor sempre agira como seu porto seguro, e pensar nisso fez seus olhos arderem levemente. No fundo do coração, ela jurou a si mesma que jamais voltaria a desapontá-lo.   Alexander fixou nela um olhar complexo e indecifrável antes de soltar um longo suspiro: "Cassie, você vai passar a próxima semana confinada na propriedade. Sem festas, sem passeios, sem visitas de amigos. Amanhã cedo, quero você no Salão dos Antepassados. Você vai se sentar lá e copiar o estatuto da família Taylor à mão — palavra por palavra. Use esse tempo para refletir sobre o peso e a responsabilidade de carregar esse sobrenome.   "Ele sempre fora exatamente assim — generoso quando merecido, mas implacável quando a disciplina se fazia necessária.   "Sim, vovô," Cassandra assentiu respeitosamente, sem contestar a punição por um único segundo. "Por favor, não guarde mágoa de mim por muito tempo. Vá descansar um pouco. Assim que eu terminar tudo, trago as cópias para o senhor. Estou indo agora para o salão. Boa noite, vovô."   Com isso, ela saiu em silêncio.   Durante todo o período de castigo, Cassandra manteve a cabeça baixa e seguiu uma disciplina rígida. Ela estabeleceu uma rotina constante: corria todas as manhãs e, aos poucos, seu corpo antes frágil começou a ganhar uma aparência muito mais saudável, viçosa e radiante.   Ao mesmo tempo, ela aproveitou os dias para estudar o comportamento de cada habitante daquela mansão, aprendendo a domar e lapidar o próprio temperamento.   Semanas depois, Alexander decidiu que já era hora de ela voltar ao convívio social. Ele determinou que ela acompanhasse Vera e Evelyn a um leilão exclusivo do Grupo Regalon — alegando que seria uma ótima oportunidade para ela expandir seus horizontes.   Por trás do Grupo Regalon, operava a misteriosa e centenária família Langley — um clã cuja fortuna acumulada era comparável a impérios inteiros.   Ninguém no mercado financeiro compreendia como o Grupo Regalon conseguia obter relíquias tão raras e exclusivas; muitas das peças que eles colocavam sob o martelo estavam dadas como desaparecidas há décadas, ou até séculos.   O grupo era reverenciado como a lenda viva do mundo dos leilões. Além disso, os Langley figuravam entre as quatro grandes famílias da Gavaria.   Assim que Cassandra cruzou o tapete vermelho do evento ao lado de Evelyn e Vera, deparou-se imediatamente com uma roda da alta sociedade, repleta de socialites e mulheres ricas.   E, bem no centro daquele círculo, estavam Mara e sua mãe.   No instante em que seus olhos bateram nelas, o semblante de Cassandra congelou. Uma onda de ódio reprimido e violento chocou-se contra o seu peito — mas, externamente, ela apenas moldou nos lábios um sorriso calmo, impassível, esbanjando uma elegância fria e distante.   "Sra. Taylor, quanto tempo! A senhora parece mais jovem a cada vez que a vejo," disparou uma das socialites com um sorriso polido. Ninguém ali tinha coragem de ofender Evelyn — afinal, ela fora uma figura formidável e implacável em sua juventude.   "Ah, por favor, Sra. Harris, não exagere. Sou apenas uma velha carcaça," respondeu Evelyn com um aceno de mão e uma risada contida, ostentando uma modéstia estudada, longe de soar falsa.   Embora estivesse quase com setenta anos, os cuidados estéticos meticulosos e a maquiagem impecável camuflavam perfeitamente sua idade real.   O olhar da Sra. Harris pousou nas duas jovens ao lado de Evelyn. Lindas e com boa postura, ambas se destacavam. Ela reconheceu Vera imediatamente — a segunda filha dos Taylor, nem dezoito anos ainda, mas já considerada uma socialite modelo em seu círculo. Nada mais precisava ser dito sobre ela.   Mas a outra garota — mais magra, um pouco delicada na aparência — tinha uma beleza que não podia ser ignorada. Sua presença até ofuscava a de Vera.   "E quem é essa jovem?" a Sra. Harris perguntou com curiosidade, voltando-se para Cassandra.   Antes que Evelyn pudesse responder, Mara interveio com suavidade, a voz leve com um toque de tristeza: "Ah, essa é Cassandra, a filha mais velha dos Taylor. Ouvi dizer que ela era muito próxima da minha irmã antes de ela falecer. Sabe como é... a minha irmãzinha detestava preto, mas eu, no calor da emoção, acabei escolhendo um traje preto para o funeral. A Cassandra ficou tão abalada que acabou me dando um t**a por isso." Ela fez uma pausa milimetricamente calculada para saborear o choque das madames, antes de concluir: "Mas, no fim das contas, graças à intervenção dela, a minha irmã teve a despedida digna que merecia."
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