Eva
Eu li o nome de novo e de novo, mas ele não mudava.
Não podia ser possível. Tinha que ser um erro.
Balançando a cabeça, me virei para ele, tentando ignorar a sensação de vazio no peito.
— Pode repetir o nome? — perguntei com a boca seca.
— Viktor Reynolds.
O nó no meu estômago apertou quando voltei a olhar o arquivo e vi o nome ali.
Reynolds Family Corps. Só existia uma empresa com esse nome.
Durante os seis anos que passei na cidade, consegui me manter longe dele sem esforço nenhum. Mesmo quando subi de cargo e comecei a ir em festas de negócios, nunca o vi e tinha evitado com sucesso qualquer notícia sobre ele, a família dele ou a empresa desde então. Essa cidade era grande o bastante para nós dois e eu achei que ia passar o resto da minha vida sem ver ele.
Meus piores medos tinham virado realidade.
Eu ia ter que encarar meu ex, o homem que me jogou para fora sem pensar duas vezes. O homem que me traiu com a pessoa que supostamente era minha melhor amiga. Que de repente ficou c***l, me ignorou e me tratou m*l na reta final do nosso relacionamento. Que riu e zombou na minha cara antes de me expulsar sem pensar duas vezes.
Jurei nunca mais ver a cara dele, mas aqui estava eu, sem outra opção a não ser reencontrar ele.
Segurei o pânico até o Dave sair da minha sala e aí escondi o rosto nas mãos.
Eu não podia ver ele de novo. Era impossível. Outra pessoa tinha que ir no meu lugar. Eu não podia...
Não.
Não tinha mais ninguém competente o bastante para fazer isso. Era o trabalho do Jon, e ele tinha confiado em mim.
Eu não ia decepcionar ele.
Respirei fundo, abaixei as mãos e me concentrei mais uma vez em ler o arquivo. Quanto mais eu lia, mais surpresa eu ficava.
Quando o Dave disse que eles tiveram problemas, ele não tava mentindo. Nunca pensei que ia ver eles nesse estado. Eles tinham sofrido todo tipo de prejuízo financeiro nos últimos cinco anos por causa de polêmicas e escândalos entre eles. A reputação deles tava indo pro ralo junto com o valor das ações. Não era à toa que tavam tão desesperados a ponto de aceitar ajuda da nossa empresa.
Só tinha uma pessoa naquela família com quem eu me importava. Uma pessoa que eu sentia falta.
Revisei os relatórios, absorvendo todas as notícias sobre eles e sobre a empresa. Travei de novo quando li uma notícia.
Viktor estava noivo de ninguém menos que a própria Brienne fazia um ano. As notícias descreviam como uma “parceria vantajosa”, considerando que o pai dela é um dos principais acionistas da empresa dele. Dada a situação atual deles, não parecia que isso ia ajudar a longo prazo.
Na noite em que fui embora, ela tinha deixado tudo bem claro para mim. Era uma traidora ardilosa e calculista. Era tudo que eu precisava saber.
A primeira reunião era hoje e, pelos registros de comunicação, seria em menos de uma hora. Eles já tavam aqui?
Deixando as notícias de lado, revisei todas as informações que eu precisava para reunião nos minutos que me restavam.
Como se fosse um sinal, uns minutos depois ouvi uma batida forte na porta. Levantei o olhar e vi a Lucy ali parada.
— O Dave pediu para te chamar. A família Reynolds tá na sala de reuniões te esperando — disse ela.
Fechei o arquivo e me levantei. Eles esperavam que o Jonathan aparecesse, mas ele não tava aqui, e eu representava ele no lugar. Como eles iam reagir quando me vissem no lugar dele?
Sorri de leve enquanto saía da minha sala e ia para sala de reuniões. Vi as silhuetas deles através das paredes de vidro quando me aproximei do corredor, mas nada tinha me preparado para ver eles cara a cara.
Atravessei a porta e encontrei todos me encarando. Não era só o Viktor, mas a família toda. O pai dele, a mãe dele e ele ainda tinha trazido a Brienne. Os rostos deles tavam retorcidos e as bocas abertas de surpresa.
Viktor, principalmente, parecia abatido, com o rosto consumido. Ele m*l tinha mudado. O cabelo um pouco mais comprido, o maxilar mais marcado, mas ainda era o mesmo.
O mesmo homem que me beijou e me ensinou a amar e a confiar. O mesmo homem que destruiu tudo.
Desviei o olhar dele e travei o maxilar.
O silêncio encheu a sala, mas eu não me senti insegura ao olhar para a família que eu não via há anos. Lembrei das ameaças do pai dele comigo quando eu era só uma universitária. Naquela época, eles nunca me aceitaram por causa da minha classe social.
Agora, olhando para eles, eu tinha o controle.
— Que p***a você tá fazendo aqui? Você não é o CEO — para minha surpresa, foi o Richard, o pai do Viktor, quem falou. O rosto dele tava pálido feito cera.
Não sei como nem por que consegui agir com tanta calma. Sorri, debochada.
— O CEO não tá disponível. Ele me encarregou de cuidar dessa fusão — respondi.
— E quem é você para fazer isso? — perguntou Brienne. Pelo jeito que ela me olhava, parecia já ter se recuperado do choque.
— Eu sou a diretora executiva dessa empresa — respondi, ignorando os suspiros e exclamações enquanto eu me sentava e observava as expressões de surpresa deles.
Eu era a responsável aqui. Eles tinham vindo até a nossa empresa pedir ajuda, o que significava que iam ter que lidar comigo. Então não consegui evitar sorrir.
Como as coisas tinham mudado.
— Então, vamos continuar? — Um sorriso de loba se abriu nos meus lábios.