O Que Eu Queria

1592 Worte
Valerie No início, m*l conseguia pensar sob o choque. Assim que o choque passou, no entanto, meus instintos entraram em ação. — Não — respondi, pronta para fechar a porta até que a mão dele se lançasse para o batente, me fazendo parar. — Valerie — chamou ele, mas eu já tinha o suficiente. Por que, em nome da Deusa, ele estava aqui? Recompondo-me, encarei-o com raiva. — Você deveria estar celebrando com sua noiva — disse friamente. — Só quero conversar. — Conversar sobre o quê? Já dissemos tudo o que tínhamos a dizer da última vez que nos vimos, Alfa Tristan — retruquei, vendo-o recuar com minhas palavras. Eu já estava exausta e cansada de fingir. A última coisa que podia fazer era ser cordial com ele nesse momento. Queria que ele fosse embora. Um suspiro escapou dos meus lábios. Fechando os olhos contra a dor fraca do nosso laço, forcei um sorriso. — Por favor, vá embora e volte para as celebrações antes que alguém note sua ausência. Você é o anfitrião, afinal, e não quero que ninguém tenha a ideia errada — disse, preparando-me para fechar a porta, com a mão dele bloqueando ou não. — Por favor! Fiquei chocada em silêncio imediatamente, de olhos arregalados. — Por favor, só me dê alguns minutos e eu a deixo em paz para sempre. Eu juro — suplicou ele. O homem que eu conhecia nunca havia pedido nada quando se tratava de mim. Nunca havia parecido tão estranho, tão desesperado. Um nó se formou na minha garganta. Eu não deveria deixá-lo entrar. Fazer isso seria fraqueza. Ainda assim, dei um passo relutante para trás. Ele entrou no quarto e eu me movi para trás em resposta, cruzando os braços enquanto me encostava na parede para tentar manter distância. — O que você quer? — perguntei em um tom neutro, minha voz ecoando contra o silêncio. Não sabia o que esperar, mas não era um baque alto. Choque me invadiu enquanto ele se ajoelhava. — Me desculpe — disse ele. Era a última coisa que eu esperava. — Não entendo… — minha voz falhou, sem palavras. — Não é óbvio? — soltou ele uma risada engasgada que parecia mais f*****a. — Todo esse tempo, eu nunca entendi você. Como você se sentia, o quanto se importava com esta alcateia, todos os sacrifícios que fez até que fosse tarde demais. Tensionei imediatamente. Ele ainda estava preso ao sonho dele da nossa vida passada? — Não é só sobre a vida passada — disse ele e minha respiração prendeu. Era como se tivesse lido minha mente. — Eu já me sentia assim antes de me lembrar de qualquer coisa, embora você possa não acreditar em mim. Não importa, no entanto. Sinto muito pela forma como a tratei, por como a humilhei inúmeras vezes e deixei que fosse humilhada. Sinto muito por só perceber tudo isso depois que você partiu. É tarde demais para voltar atrás tanto nesta vida quanto na outra, mas você precisa saber — terminou ele. O nó na minha garganta cresceu. Nunca havia recebido um pedido de desculpas por nada e acreditava que não precisava. Não haveria sentido, afinal. Mas ouvi-lo agora? Eu não conseguia- Inspirando profundamente, forcei as emoções para baixo em favor de olhar para ele. Seu olhar estava focado no chão como se não suportasse me ver. Como se estivesse verdadeiramente envergonhado. A visão me ajudou a clarear a mente. Era isso que ele queria de mim? Absolvição? — Você não precisa se desculpar por nada — disse, fechando os olhos com força. — Não é culpa sua que fôssemos um par r**m um para o outro. A Deusa da Lua deve ter nos testado na época — ri sem graça. — Agora o ciclo acabou. Ele ia se acasalar com Alyn e teria seu primeiro filho em questão de meses. Logo esqueceria tudo isso. Quando eu desse à luz e seguisse em frente, estar com ele seria só uma memória distante. Meus olhos se fecharam antes de eu falar. — Você vai se casar com Alyn. Tudo está como deveria ser. — Não! Pulei para trás com o surto repentino dele, meu coração voando para a garganta antes de me estabilizar. Tristan havia se levantado, andando de um lado para o outro e tremendo enquanto as mãos passavam pelo cabelo, destruindo os fios perfeitamente penteados. — Isso não era o que eu queria — disse ele apressado antes de se virar para mim, suplicando com o olhar. — Eu não queria esta cerimônia, não queria ver todas essas pessoas. Nunca quis Alyn como companheira. Suas palavras foram como um soco no estômago, me deixando sem ar. Ele parecia completamente sincero, como se acreditasse nisso. Ele não queria Alyn como companheira? Não. Isso não podia estar certo. — Você só está com frio na barriga — desculpei. — Ou se sente culpado pela minha presença, é isso? Talvez tenha sido um erro vir aqui… — Não — disse ele, a voz áspera antes de parar e me olhar. Imediatamente, forçou-se a relaxar. — Nunca pretendi me acasalar com Alyn. Nunca quis e nunca vou querer — disse ele. O quê? Choque não era suficiente para como me sentia. Como ele diria tudo isso? As memórias de como ele constantemente a favorecia vieram à mente. Lembrei-me da pontada de ciúme que sempre reprimia quando ele passava tempo com ela, cuidando dela mesmo na minha frente. Desde o início, era claro. E agora ele dizia que não queria ficar com ela? As emoções deviam estar óbvias no meu rosto quando sua expressão caiu com algo como incredulidade. — Você pensava assim? Foi por isso que antes de partir… — cortou-se com um olhar tão ofendido e incrédulo que quase ri histericamente. — O que diabos eu deveria pensar? — disse. — Só a via como uma irmã — argumentou ele. — Uma ‘irmã’ a quem você se dedicava constantemente aos olhos da alcateia, acima da própria companheira — apontei, mantendo o ressentimento longe do tom, mas não pareceu importar enquanto o rosto dele caía. — Não era só eu, mas toda a alcateia, minha própria família. Eles nunca diziam, não abertamente para você, mas nos olhos deles, todos acreditavam que ela era mais adequada como sua companheira. Você a apoiava de todo o coração, exibindo suas afeições e preferências tão publicamente. O que diabos eles deveriam pensar? — continuei. Uma coisa que eu sabia, mesmo através da dor, era que Tristan nunca mentia. Ele desdenhava honestamente e se importava da mesma forma. Então, olhando para sua expressão, sabia que ele estava sinceramente perplexo. Ele era tão alheio às ações dele? Era por causa da astúcia de Alyn, da tolice dele ou ambos? E importava agora que ela estava grávida do filho dele? — Eu nunca a teria tocado. Aquela noite- — cortou-se, os olhos arregalados e pálidos como se tivesse acabado de perceber o que disse. Seu rosto parecia abatido. Algo desconfortável se enrolou na minha barriga? — Que noite? — falei contra o silêncio, incapaz de manter o tom afiado longe da voz. Vi o conflito passar pelo rosto dele e um flash de emoções que não consegui captar antes de ele suspirar, derrotado. — A noite em que nos encontramos, depois que você me rejeitou e me disse sobre nosso bebê… — balançou a cabeça. — Quando a alcateia ficou em um hotel, fui ao bar. Fiquei bêbado e no caminho de volta para o quarto, eu… pensei que era… não me lembro. Minha barriga apertou com as palavras dele, o cenário vívido demais e similar às minhas memórias. Já antecipava o que viria a seguir. — Quando acordei na manhã seguinte, estava de volta no meu quarto e ela estava ao meu lado — terminou ele. Um suspiro que não sabia que estava segurando escapou de mim enquanto apertava a superfície mais próxima para me recompor. Não sabia se ria ou chorava. Era tão irônico, não era? Alyn havia engravidado da mesma forma que eu, através de uma noite de s**o com ele bêbado. A única diferença era que dessa vez, ela, ao contrário de mim, ficou, sem dúvida feliz com o rumo dos eventos. ‘Parabéns, Alyn’, pensei amargamente. ‘Você faria qualquer coisa pelo seu final feliz.’ Olhando para cima, encontrei o rosto abatido dele, não muito diferente do olhar no pódio. Sabendo de tudo, sua infelicidade era compreensível agora. — Isso não muda nada — disse, minha boca seca enquanto ele olhava para cima de olhos arregalados. — São necessários dois para dançar. Goste ou não, você dormiu com ela e a engravidou. Vai ter que assumir a responsabilidade por isso, goste ou não — continuei. Era uma verdade desconfortável. Não só a noite de s**o, mas o tratamento dele com ela do passado até agora solidificava isso. Para a alcateia e meus pais, eles eram um bom casal. Era só o curso natural para isso acontecer. Não havia volta. Ainda assim, senti que minhas palavras soavam duras demais, então falei de novo. — Se há algo que sei sobre Alyn, é que ela se importa profundamente com você. Você também se importa com ela. Talvez com o tempo, sinta o mesmo. Não sabia o que esperar dele em seguida. Ele ia aceitar em silêncio, parecer ainda mais abatido ou ir embora? Não foi nada disso, me pegando de surpresa enquanto balançava a cabeça. — Esse é o problema, Valerie — disse ele. — Tenho certeza de que não dormi com Alyn.
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