Alyn

1267 Mots
Valerie — E então… e então um deles caiu na piscina — Sophia riu contra mim e um sorriso alcançou meus lábios. — Isso soa horrendo — disse, ganhando um bufo dela. — Absolutamente horrendo — disse ela antes de cair em risadas. Não havíamos ido longe dessa vez, passando tempo no jardim nos fundos onde permaneci por vários minutos. Sophia me fez companhia, me regalando com contos de alguns de seus momentos divertidos na casa da alcateia e mesmo entre seus irmãos. Ela era uma irmã mais velha, aprendi, com dois irmãozinhos filhotes que eram mais diversão do que problema, especialmente no estágio desajeitado deles de não conseguir controlar os instintos de lobo. Olhando para o verde que deixava para trás, um suspiro escapou de mim. Outra semana passou em um piscar de olhos. Ainda assim, ao contrário da primeira, as coisas pareciam pacíficas. — Algo errado, Lu… Senhora? Virei-me para encontrar o olhar curioso de Sophia. Qualquer coisinha parecia suficiente para deixá-las nervosas quando se tratava de mim. Não recebia tanta atenção antes e não pedia por isso. Levou um momento para me sintonizar com o fato de que não faziam isso unicamente por culpa ou dever atrasado. Era por afeto real. Já estava crescendo em mim, entrelaçando mais calor no meu peito. — Não — balancei a cabeça para assegurá-la. — Estou bem. Só pensando. — Está ansiosa pelo jantar? — riu ela, dessa vez me olhando com um brilho nos olhos. Franzi e bati nela de brincadeira em resposta. Ela se abaixou apologeticamente e olhei para longe. Apesar disso, sentia meu rosto ainda corar. Estava ansiosa pelo jantar? Talvez um pouco, mesmo se não quisesse. Especialmente agora quando o passava com ele. Desde aquele dia não mais tomava minha comida no quarto. Parecia Deja Vu descer as escadas, mas encontrar Tristan sozinho no outro fim. Falávamos nesses tempos com ele ou falando sobre quaisquer assuntos da alcateia e eu às vezes compartilhando conselhos ou falando sobre a floricultura nos últimos meses. Toda vez, ele me olhava de certa forma. Um olhar que parecia soletrar adoração. Não era cega para isso. Não mais. Não havia forma de negar também. Não após aquela noite. Não quando por aquele instante dividido meus olhos percorreram seus lábios. Não quando por puro impulso daquele momento, do peso de tudo antes então, pedi que ele ficasse. Especialmente não quando sentia a onda que me atravessou quando acordei para encontrá-lo ao meu lado. Era tão estupidamente claro. Apesar do nosso laço de companheiros rompido, ainda era inevitavelmente atraída por ele. E me assustava até o âmago. A Deusa da Lua deve estar rindo no céu, zombando de mim. Podia jurar que via nos olhos dele também, mas isso não podia ser. Não podia… ‘Do que tem medo?’ Uma voz surgiu na mente e meu estômago apertou. Rastejei para fora do atoleiro, consegui enterrar os sentimentos, mesmo se a dor s***a permanecesse. Queria passar por isso de novo? Mesmo se ele gostasse de mim, eu- — Isso é… — recuperei rapidamente, piscando para cima com o som da voz de Sophia para encontrá-la olhando à frente. Seguindo seu olhar, parei no lugar. Havíamos chegado de volta à casa da alcateia, só passando pela entrada alguns segundos atrás. Ainda assim, parada bem dentro à distância havia uma pessoa. Um suspiro escapou de mim com a realização. Alyn? Ela parecia… diferente. Seu cabelo cresceu, um brilho chocante de raízes marrons contrastando claramente com o loiro amarelado a que estava acostumada a ver. ‘Seu cabelo real’, processei. Parecia tão estranho nela. Mas isso não era tudo. Ela parecia longe da aparência frívola impecável e própria a que estava acostumada. Seu cabelo era mole, oleoso e ligeiramente desgrenhado e usava roupas que a faziam parecer irreconhecível. Se não fosse pelo cabelo, não a teria reconhecido. Por que ela estava aqui? Como se infiltrou na casa da alcateia? Quem estava procurando? Como se em deixa, ela olhou na minha direção e um calafrio subiu pela minha espinha. Meus instintos dispararam. Algo estava muito errado. — Olá, Valerie — sorriu ela. Sophia sussurrou ao meu lado, sem dúvida sentindo o mesmo m*l-estar. Me movi à frente para bloqueá-la só por precaução. — Alyn — cumprimentei com cuidado. — Se está procurando Tristan, ele não está aqui. — É uma boa coisa, então. Meu coração pulou para a garganta enquanto ela puxava um objeto inconfundível. Uma arma. Ela estava segurando uma arma. O grito de Sophia ecoou no meu ouvido. Minha boca secou, um nó me constrangindo no lugar. — Deixe a empregada ir. Vamos ter uma conversinha agora, irmã — zombou ela. Apesar do meu terror, um sliver de alívio se assentou em mim. Virando-me para Sophia, não conseguia colocar em palavras. ‘Vá’, supliquei com os olhos. Se ela saísse, pelo menos haveria uma pessoa a menos em perigo. Mais importante, ela poderia chamar ajuda. Apesar do medo dela, parecia resistente, mas finalmente cedeu, correndo embora. Meu peito pareceu mais leve enquanto ela virava. Virando de volta para encarar Alyn, ela nem piscou com a saída dela. Não se importava. Isso só enviava uma onda nauseante de terror através de mim. — Venha mais perto! — latiu ela, e lutei contra o impulso de recuar. Dar passos à frente parecia andar para uma armadilha. Ainda assim, não conseguia parar. Fazer isso seria um fim certo, e pelo olhar, ela estava instável o suficiente para fazer isso. Quanto mais me aproximava, mais conseguia ver a verdadeira insanidade no rosto dela, olhos selvagens. O que a fez virar assim? No momento em que ela ordenou que parasse, parei, apertando o queixo diante do sorriso zombeteiro dela. — Isso é o que você merece — murmurou ela. Cresci mais tensa diante das palavras dela. Precisei pisar com cuidado. — O que eu fiz com você? — perguntei, mantendo a voz calma e cautelosa. Isso parecia ser um gatilho. Um bufo escapou dela. Então uma risadinha. De repente começou a rir alto, cada cacarejo enviando uma enxurrada de pânico através de mim. De repente rindo se transformou em gritar. — Você me arruinou! — guinchou ela. — Você arruinou tudo. Meus objetivos. Meus sonhos! Minha reputação! Minha vida perfeita! Tropeçando, mas ainda mantendo a mira verdadeira, gesticulou para todo o quarto. — Eu deveria estar aqui — disse ela. — Tristan deveria ser meu e você deveria estar longe. Após tudo, era o que merecia, mas você nunca me deixava descansar, não é? Nem uma vez, não podia me deixar ser feliz? Hein, irmã? ‘Não podia deixá-la ser feliz?’ Incredulidade me abalou com as palavras dela. Algo me dizia que era mais que isso. Mais que qualquer coisa que pensei desde o início do meu renascimento. Meus pensamentos foram quebrados pelos risos quebrados dela. — Bem, isso é e******o dizer agora. Afinal, não somos irmãs malditas — cuspiu ela. — Você é só uma maldição, me provocando com sua presença, mas isso acaba hoje. Já que perdi, nesse caso, nenhuma de nós deveria vencer. Ela ergueu a arma e recuei- — Valerie! Meu coração poderia ter parado com o som da voz de Tristan. Levou momentos para os passos se assentarem. Virando-me enquanto ainda a mantinha à vista, conseguia vê-los. Tristan estava aqui, junto com múltiplos membros da alcateia, servos e meus pais. Estavam todos aqui. Isso era bom ou r**m? Um calafrio mais profundo me atravessou enquanto virava de volta para ver a arma ainda apontada para mim. Apesar da presença dos membros da alcateia, todos públicos com os olhos nelas, ela não parava.
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