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Meu destino

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Blurb

Sua missão era salvar vidas. Desde criança ele alimentava aquele sonho e agora já adulto se orgulhava do que fazia. Estava acostumado a enfrentar as mais inusitadas, perigosas e chocantes situações, mas nunca se envolveu tanto como no caso daquela mulher.

Ele parecia predestinado a ajudá-la, a salvá-la de todas as formas. Entretanto ele jamais imaginou que ele é quem seria salvo. Nunca imaginou que sua vida mudaria completamente a partir do momento em que atendeu àquele chamado:

- Pelo amor de Deus me ajude... meu bebê está morrendo.

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Capítulo 1
Noite de sexta-feira em Warbury. As ruas estavam apinhadas de gente procurando se divertir ou relaxar após uma semana exaustiva de trabalho. O clima agradável de julho era o principal responsável pela aparência satisfeita dos moradores, acostumados a dias de temperatura mais amena. Caminhando em direção ao Pike Pub, ponto de encontro favorito entre os amigos, Dean Fowler sequer percebia os cobiçosos olhares femininos em sua direção. Talvez por estar acostumado a chamar a atenção por onde passava. Era até difícil passar despercebido quando se tinha um metro e noventa e quatro, corpo sarado, olhos verdes e cabelos castanhos dourados. Claro, vez ou outra ele flertava com algumas mulheres e assim acabava tendo companhia para a noite. Entretanto seus encontros se restringiam a algumas horas em algum motel e nada mais. Não que fosse do tipo paquerador ou galinha. Se fosse comparar com seu amigo Aaron poderia até ser chamado de casto. Não curtia relacionamentos efêmeros, mas também não estava preparado para se prender a alguém. No fundo ele sabia que não era isso. Acreditava que quando a pessoa certa aparecesse o fato de não estar preparado seria irrelevante. Então, se estava sozinho era simplesmente porque ainda não tinha conhecido a mulher certa. Assim que entrou no pub cumprimentou o barman e se sentou ao lado do loiro cabeludo que já bebericava uma cerveja. —E aí cara? —Cansado. Confesso que preferia ter ficado em casa. Aaron bufou e rolou os olhos. —Está virando um viadinho, isso sim. A noite promete. Já vi tanta gostosa por aqui que perdi a conta. Dean riu e bebeu a cerveja que Hector, o barman acabara de servir. —Oscar e Darren? —Duvido que venham. A maluca da sua irmã ainda não perdoou o grandão por causa da nossa última noite de farra. Dean riu baixinho lembrando-se da fúria de Chloe. Ela não era fácil e Oscar costumava ficar em maus lençóis por causa de seu ciúme. —Eu já estou aqui. Boa noite Hector. Darren, irmão de Dean e Chloe se sentou ao lado de Aaron sendo servido imediatamente. Os três brindaram e voltaram a beber. Aaron e Dean, ambos com vinte e cinco anos são bombeiros, assim como Oscar. Apesar dos riscos constantes, os três amavam a profissão e a exerciam com dedicação. Darren aos vinte e nove anos era um advogado em ascensão, ao passo que sua noiva Christine era uma dondoca fútil que passava os dias em casa recebendo as amigas para fofocar ou fazer compras. Chloe, gêmea de Darren é uma das mais requisitadas pediatras do Hospital Geral de Warbury. —Que milagre é esse? Os dois de folga no mesmo dia? —Manobras, meu caro. Qual é a graça de ficar de folga se não terei um parceiro para beber? —Até parece, Dean. Daqui a pouco Aaron encontra um rabo de saia e nem vai se lembrar de você. —Não é para tanto. — Aaron reclamou fingindo-se de ofendido, mas sabendo que o que Darren dizia era a mais pura verdade. — Mas Dean não fica atrás... —Ei... já faz um bom tempo que não saio com ninguém. —E isso me preocupa cara. Um homem jovem, solteiro e bonito que fica o que... uns três meses sem uma trepada? Você tem problema, cara. Dean deu de ombros. Sua masculinidade não estava relacionada com a quantidade de vezes que transava. Nunca foi assim nem no auge de seus hormônios, não seria assim agora. —Tenho trabalhado tanto que às vezes até o fato de pensar em fazer esforço para o pau subir me desanima. Aaron praticamente cuspiu toda a cerveja ao ouvir as palavras de Dean e em seguida soltou uma gargalhada estrondosa acompanhado por Darren. —Puta merda... eu não ouvi isso. E desde quando precisa fazer esforço para o pau subir? Cara... basta ter uma loira gostosa e peituda que... As palavras de Aaron sequer chegavam aos ouvidos de Dean. Seu olhar estava vidrado na mulher ruiva que se aproximava. Hipnotizado pelo corpo escultural, Dean não percebeu que estava com a boca aberta, olhando embasbacado para ela. Aaron e Darren se entreolharam e giraram a cabeça na direção em que Dean olhava. A mulher não era muito alta, certamente não chegava a um metro e setenta. Os cabelos ruivos com leves cachos nas pontas chegavam até a cintura fina. Usava um vestido preto simples, mas que moldava com tanta perfeição ao seu corpo que o efeito era impactante. As coxas torneadas eram pálidas e visivelmente macias. Parando o olhar em seu rosto, Dean engoliu seco ao notar os lábios carnudos e rosados presos entre os dentes numa mordida sexy. E quando passou por ele Dean percebeu que a cor de seus olhos era algo que jamais viu. Não soube dizer exatamente a cor, mas seu olhar era impressionante. —Caralho... Sibilou girando a cabeça, acompanhando o balanço suave de seus quadris. Seu coração batia absurdamente rápido numa reação jamais provocada por mulher alguma. Uma loira passou logo depois da ruiva lançando um olhar cheio de intenções para Dean, mas esse sequer a notou. Assim que as duas desapareceram de seu campo de visão ele se virou para Darren e Aaron ainda boquiaberto. —Acorde Dean... —Vocês... vocês viram aquilo? —Aquilo meu amigo, é uma ruiva de parar o trânsito. E aposto que hoje você esquece todo o cansaço e sai daqui com ela. Incrivelmente Dean não pensava em sair dali e leva-la para um motel qualquer. Ele queria sim se aproximar dela, mas... queria conhece-la. E não entendia muito bem o que isso significava. —Ela é maravilhosa. —Hum... mas bonita desse jeito provavelmente não está sozinha. Dean fuzilou Darren com o olhar e bebeu sua cerveja em um único gole. Girou o corpo de forma a enxergar quando a ruiva voltasse. Pela direção que seguiu só poderia estar indo ao banheiro. Esperaria sua volta e então interceptaria seu caminho. Perdido nesses pensamentos não percebeu quando um moreno alto e forte passou por ele com cara de poucos amigos. Percebeu quando o cara babou em sua mulher e estava a ponto de esmurra-lo ali mesmo. Entretanto sabia que sua namorada era uma safada que aceitava cantada de qualquer homem. E tudo piorava quando se juntava com a vagabunda da amiga, a loira Paige. . Irritado, seguiu atrás das duas até o banheiro e parou do lado de fora, empurrando um pouco a porta. Fechou as mãos ao ouvir a conversa entre as duas. —Meu Deus... ele é espetacular. Cristo, Kenzie... se ele tivesse me olhado do mesmo jeito que olhou para você eu certamente terminaria minha noite na cama dele. Kenzie deu uma risadinha nervosa pois percebeu o olhar do homem sobre ela. Por mais que se sentisse lisonjeada, não era mulher de aceitar investidas de outros homens, afinal estava namorando e respeitava Harvey. Se fosse sincera, ela não o amava. Cresceram juntos, quase como irmãos e aos quinze anos começaram a namorar. Hoje, aos vinte e um estavam em um impasse. Harvey queria se casar e ela queria terminar seus estudos. Na verdade, estava um pouco cansada do ciúme exacerbado do namorado. Queria terminar, mas sentia medo da reação dele. —Sem dúvida, ele é lindo. Mas... Kenzie foi interrompida pelo estrondo da porta. Bastou ouvir a namorada dizer que o babaca era lindo para a mente doentia de Harvey entender que ela queria ir para a cama com o desconhecido. —Sua ordinária. —Harvey! O que... —Eu devia saber que estava planejando abrir as pernas para outro assim que eu viajasse. —O que? De onde tirou isso? —Harvey, eu só fiz um comentário. Kenzie não disse nada... —Cale a boca, sua vadia. Eu não falei com você. Vamos embora Kenzie. Agora. Kenzie e Paige se entreolharam. Harvey estava furioso e por um momento Paige temeu pela amiga. Mas Kenzie sempre lhe garantiu que apesar de extremamente ciumento, o namorado nunca fora violento. Ela esperava que ele continuasse assim, pelo bem de Kenzie. —Va na frente Paige. Harvey ordenou, mas ela o enfrentou. —Você não manda em mim. Pensa que sou cachorrinha feito a Kenzie? Está muito enganado, meu caro. —Gosta muito da Kenzie, não é? —É minha melhor amiga. —Então é melhor fazer o que mandei. Paige obedeceu apenas por causa do olhar de súplica de Kenzie. Saiu do banheiro tão irritada que sequer reparou novamente no belo homem. Mas esse estava atento e se colocou de pé assim que viu Paige passar. Porém seu ânimo evaporou ao ver sua ruiva de braços dados com o moreno bombado. O homem a segurava possessivamente e ao passar por Dean o encarou por breves segundos. —Cara... que merda. —Aaron resmungou. —Ela está acompanhada. —Eu cantei essa pedra. Dean não teve tempo de reclamar sua falta de sorte. Seu celular tocou e ele rapidamente atendeu. Felix, seu superior o estava recrutando. —Estamos com pessoal em falta, Dean. Três doentes, vocês de folga... eu realmente preciso de você. Oscar já está aqui. —Olhe Félix... eu posso até ir, mas assumo que tomei uma cerveja. —Uma apenas? —Sim. —Venha assim mesmo. Eu encaixo você em algo mais leve. —Tudo bem. Em meia hora estarei ai. —Cara... é sua folga. Vai trabalhar? — Aaron perguntou inconformado. —Você não é obrigado. —Eu sei. — Dean respondeu colocando o dinheiro da cerveja sobre o balcão. — Mas eu já perdi minha noite mesmo. O melhor é trabalhar. Até mais. Despediu-se de Darren e saiu antes que Aaron o irritasse de alguma forma. Praticamente correu até seu apartamento onde se trocou e saiu para o trabalho. Há muito tempo não se sentia tão deprimido com um fim de noite.

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