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Casamento forçado

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Blurb

Até onde você iria para se tornar merecedor do perdão da única mulher que amou? Palavras de arrependimento seriam o suficiente? Gestos apaixonados a convenceriam? Ele estava certo de que não. Pelo menos não da forma em que viviam... cada um em um continente. Provavelmente sua única chance seria aliar palavras à ações e isso só conseguiria com ela ao seu lado.

Sem pensar nas consequências ele jogou baixo para alcançar seu objetivo. Irracional, não percebeu que cometia mais um erro... talvez mais grave e imperdoável.

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Capítulo 1
Do alto da sua elegante cobertura, em frente à porta de vidro que dava aceso à varanda Ethan observava algo que ele jamais se cansaria de admirar. Ainda não eram seis da manhã e o nevoeiro que encobria a Golden Gate era um espetáculo que ele nunca perdia. Inevitavelmente a nostalgia lhe invadia e seus pensamentos voltavam à um tempo que, por mais que tentasse esquecer, sempre voltaria para ele com força redobrada, muitas vezes atirando-o a uma quase depressão, e consequentemente o transformava nesse homem rude, frio e muitas vezes grosseiro. Ele sabia, bem la no fundo de sua alma ele sabia que tudo era culpa dele. Essa culpa vinha sendo sua fiel companheira há anos. Ele bem que tentou se redimir dos erros do passado, mas todas as portas lhe foram fechadas. Chegou a acreditar que todo aquele sentimento intenso e bonito tinha se perdido dando lugar ao ódio. Mas bastou uma única chance surgir para que ele a agarrasse com unhas e dentes. Conscientemente estava sendo cruel, usando uma situação grave a seu favor. Entretanto, movido pelo seu coração, ele não se permitiu ter escrúpulos. Usaria as armas que tinha em mãos para finalmente conseguir chegar a ela e so assim ter o perdão. Estava preparado para a fúria feminina e talvez até um revés. Em vez de conseguir o perdão... talvez atiçasse ainda mais o ódio daquela mulher. Suspirando ele se afastou com a xícara de café intacta e colocou-a sobre o aparador, seguindo em direção ao quarto. Despiu-se do roupão negro tão logo entrou em seu amplo e elegante banheiro em tons de branco e preto. O corpo esguio e levemente malhado em sua academia particular era um dos principais fatores que tornavam Ethan Crown um dos homens mais desejados de San Francisco. Com pouco mais de um metro e noventa, cabelos negros como a noite, braços, tórax e coxas musculosas ele causava furor por onde passava. Nem mesmo seus caríssimos ternos de grife conseguiam ocultar a beleza e forte masculinidade de seu corpo. Fazia as mulheres suspirarem e sonharem com suas mãos despenteando os fios rebeldes enquanto mergulhavam nas orbes verdes ou se deliciavam com os bem desenhados lábios vermelhos, ou quem sabem acariciarem o maxilar perfeito. Mas nada disso parecia abalar aquele homem. Ethan não estava disponível para as mulheres. Não significava porem que fosse um monge. Tinha suas necessidades e as saciava, mas não procurava por relacionamentos, pelo menos não com qualquer mulher. E sendo um homem rico, bonito e solteiro, uma noite apenas não seria aceita pela maioria das mulheres. Por isso quando a necessidade física se sobrepunha ao trabalho ou a sua busca incessante pelo perdão, o que aliás, era bem raro, Ethan se valia dos serviços de uma profissional. Tudo assim... muito frio, calculado, sem envolvimento além do carnal por algumas horas. Após o banho vestiu-se como de costume. Seu elegante Armani grafite caía com perfeição em seu corpo. A gravata azul foi o último complemento antes de passar os dedos pelos fios rebeldes dos cabelos e pegar as chaves do carro, carteira e óculos de sol. Teria uma hora e meia para fazer sua rotineira visita ao Vale do Silício. Sendo proprietário da EC Techonolgy, empresa voltada para a produção de Chips para computadores, Ethan se deslocava todos os dias para a empresa antes de voltar para o SF American Bank. Aquele era seu verdadeiro império. O quarto maior banco do pais e ele batalhava para subir essa posição. Ele não fazia isso por ambição. Mas a concorrência acirrada aumentava sua adrenalina e ele adorava essa sensação. Preferia se jogar no trabalho pois assim conseguia se esquecer do quanto sua vida sentimental era medíocre. Quase nove da manhã quando o Audi preto entrou na garagem do prédio de cinco andares onde funcionava o SF American Bank. Ethan estacionou em sua vaga privativa, pegou sua pasta de couro e desceu do carro, ligando o alarme ao fechar a porta. Entrou em seu elevador particular e recostou-se na parede fechando os olhos enquanto subia até o último andar. Assim que as portas se abriram Gina Simon abriu um sorriso ao ver o chefe. Ele sorriu de volta. Talvez a doce e bondosa Gina fosse a única pessoa a ter um tratamento mais atencioso por parte do todo poderoso Ethan Crown. Aos cinquenta anos Gina permanecia como secretária no banco mesmo após a saída do banqueiro Anthony Crown e seu lugar foi ocupado pelo neto. Lembrava-se de Ethan ainda jovem, um dos tantos colegas de sua filha Jéssica. Aliás, Jéssica mantinha uma paixão quase obsessiva por Ethan naquela época. Entretanto a cidade inteira sabia que ele era completamente apaixonado por Janette Brosnan. E era correspondido. Portanto foi uma surpresa para todos quando aqueles acontecimentos vieram à tona. Janette saiu da cidade... do pais e nunca mais voltou. Mas Ethan permaneceu... e solteiro. Fora difícil convencer a filha a não tentar uma aproximação, mas Jéssica sempre obstinada ignorou. E hoje Gina dava graças a Deus por Ethan ser um homem justo... ou ela estaria no olho da rua. — Bom dia senhor Crown. — Bom dia Gina. Assim que Peter Brosnan chegar mande-o direto para a minha sala. — Sim senhor. Café? — Obrigado. Já tomei o meu. Dizendo isso Ethan entrou em sua sala empurrando a porta após sua passagem. Gina estava mais do que curiosa com essa reunião com Peter Brosnan. Todos sabiam que o homem estava falido e a esposa gravemente enferma. Ethan seria capaz de liberar o tal empréstimo que ele necessitava? Talvez, afinal todos os bancos fecharam as portas para o pobre homem. Ignorando sua curiosidade Gina esticou o braço para pegar o telefone que começou a tocar. Melhor fazer o que sabia de melhor: trabalhar. Sentando-se em sua cadeira de couro, Ethan girou e ficou de costas para a porta, observando a paisagem através de sua janela. Mas na realidade ele não enxergava grande coisa. E tampouco estava com cabeça para analisar as dezenas de gráficos que estavam sobre sua mesa. Aproximando o horário de seu encontro com Peter ele se sentia apreensivo. Não por ele que estava desesperado e aceitaria qualquer proposta por mais absurda que fosse. Mas ela não. Ela não se dobrava fácil e certamente viria feito um touro bravo para cima dele. Ele a conhecia muito bem e tinha quase certeza de que esses anos não foram suficientes para mudar sua personalidade. — Senhor Crown? Ele girou a cadeira ao ouvir a voz de Gina. — O senhor Brosnan já está aqui. Ethan conferiu as horas no relógio de pulso confirmando que o homem estava quinze minutos adiantado. Por um instante a culpa o dominou. Ele estava mesmo desesperado. Ethan se levantou e ajeitou o terno. — Mande-o entrar, por favor. E sirva um café. — Sim senhor. Gina se afastou um pouco e deu passagem ao homem forte, mas visivelmente acabado. Peter, apesar de alto, era mais baixo que Ethan e um pouco mais corpulento. Os cabelos castanhos estavam ralos e o bigode outrora tão bem cuidado parecia desleixado demais. — Crown. — Peter. Os dois apertaram as mãos e sentaram. Ethan cruzou as mãos sobre a mesa e encarou o homem... seu futuro genro. Igualmente Peter o encarou. Sabia que não poderia recusar qualquer proposta e por mais que aquela fosse ultrajante... foi a única. Ele já não tinha mais credibilidade no mercado, sequer tinha nome, já que devia até mesmo ao mercado. De mãos atadas, ele não viu alternativa a não ser aceitar o que Ethan Crown lhe oferecia. No entanto ele precisava que alguns pontos fossem esclarecidos. — Pensou a respeito da minha proposta? Leu todos os papéis? — Sim para as duas perguntas. Entretanto eu tenho algumas perguntas também. — É justo. Pode perguntar o que quiser e responderei. Ethan falou se recostando na cadeira, mas sem deixar de encará-lo. — Eu me lembro de você, é claro. Lembro que você e Janette eram amigos... ou colegas. Depois cada um seguiu seu caminho. E agora você quer se casar com ela para me ajudar. O que há por tras disso? O que houve entre vocês no passado? Eu nunca soube de um namoro entre vocês. — E mesmo que soubesse não aceitaria não é Peter? Meus pais não eram ricos e você jamais aceitaria uma pessoa sem status para ser namorado da sua filha. Peter engoliu seco, mas sustentou o olhar austero de Ethan. Ele estava certo. Peter sempre foi pomposo e orgulhoso demais de sua posição social. Não admitiria em hipótese alguma que sua única filha namorasse alguém como Ethan Crown. Mas a vida fora irônica e aquele rapaz filho de dois professores de universidade hoje era um dos maiores empresários de San Francisco. E o tinha em suas mãos. — Por que ela? Ethan deu de ombros. Ainda não era o momento de dizer nada a ele, embora soubesse que Jane o faria. — Gosto dela. E quero me casar. Essa me pareceu uma boa opção. Peter mordeu os lábios num gesto que lembrava muito a filha. Preferiu se calar embora não acreditasse nas palavras de Ethan. — Bem... eu falei com ela. Expliquei toda a situação e... — Toda a situação? Contou absolutamente tudo? — Sim. — E ela? Os dois se encararam por um tempo até Peter suspirar. — Ela está vindo para cá. Aliás, ela já deve estar chegando. Pegou o primeiro voo e como isso foi ontem pela manhã... Peter não ousou dizer o quanto a filha ficou furiosa ao saber o conteúdo daquela proposta. Gritou e xingou como homem, algo atípico para uma mulher tão doce e de voz tão suave. Ele realmente não queria estar por perto quando os dois ficassem cara a cara. Ethan estreitou os olhos tentando não prestar atenção às batidas do seu coração. Ela estava voltando. Sua Jane estava voltando para San Francisco após tantos anos enfurnada em Burundi, na África. Esse talvez fosse um empecilho difícil de contornar. Jane partiu para o país dois anos após se formar em medicina. A princípio ingressou no médicos sem fronteiras, mas pelo que Ethan soube ao ver o estado miserável em que vivia a população, ela não conseguiu simplesmente virar as costas. E ele duvidava que ela fizesse isso agora. Portanto, ele teria que literalmente acrescentar munição à sua proposta. E enquanto ele arquitetava... ou reformulava parte de seu plano, do lado de fora do prédio a morena de curvas estonteantes descia do táxi. Estava cansada, nervosa e irritada. Precisava urgentemente de um banho, mas não se daria ao trabalho de se arrumar para enfiar a mão na cara de Ethan Crown. Desde o momento em que ouviu a proposta ultrajante ela vinha pensando em mil e uma formas de matar Ethan bem lentamente e com requintes de crueldade. Mas tudo o que pensou ainda era pouco para o que aquele homem merecia. Pagou a corrida e arrastou a mala até a entrada do prédio e parou em frente ao segurança. — Ei... eu tenho um encontro com Ethan Crown. — Não pode entrar com essa mala, senhorita. — Eu sei que não. Mas você terá que encontrar um lugar para colocá-la ou eu darei meia volta. E eu conheço Ethan bem o bastante para saber que ele não pensará duas vezes antes de chutar a sua bunda. O homem arregalou os olhos empertigou o corpo, pegando o rádio transmissor e se comunicando com a recepção. Precisou aguardar enquanto a recepcionista entrava em contato com Gina. Ela não pensou duas vezes ao autorizar a entrada de Janette Brosnan, filha do homem que estava nesse momento na sala de Ethan. Jane piscou para o segurança quando sua entrada foi liberada. Entretanto sua mala ficou na recepção enquanto ela subia até o quinto andar. Olhou sua imagem no espelho do elevador e prendeu novamente os cabelos em um rabo de cavalo. A camiseta vermelha e justa estava colando ainda mais ao seu corpo e a calça jeans modelava suas curvas,mostrando que mesmo vestida de forma simples ela era capaz de arrancar suspiros por onde passava. Assim que as portas se abriram Gina ergueu os olhos. Estava curiosa para ver Janette após tantos anos. Sorriu ao ver a moça que retribuiu. Sinceramente ela não esperava que Janette estivesse tão bonita. Morando num lugar esquecido por Deus, imaginou que estaria envelhecida, com a pele e cabelos ressecados. Mas ela estava o oposto isso. — Gina? Que surpresa. — Olá Janette. Há quanto tempo. Você me parece ótima. — Oh sim... obrigada. E a Jéssica como está? — Em casa cuidando dos dois filhos enquanto August da duro na empresa do pai. — Então os dois ficaram mesmo juntos. Eu bem percebia que eles formavam um belo casal. Gina riu. Se ela pelo menos imaginasse quem sempre foi o sonho de Jéssica. E pensando nisso ela se colocou de pé pronta para ir até a sala de Ethan e anuncia-la. Percebendo a intenção Jane ergueu a mão e a fez parar. — Pode deixar... eu mesma irei até la. — Sim... é a porta... Mas Gina não precisava dizer. A placa reluzente indicava exatamente qual era a sala de Ethan. Sem bater Jane empurrou a porta e entrou. Ethan que estava sentado em frente a Peter se levantou visivelmente surpreso. Mais do que isso... ele estava atordoado... paralisado... encantado. Finalmente anos depois ele via Janette novamente. E não poderia estar mais deslumbrado. O tempo so fez bem a ela e mesmo morando abaixo do inferno... ela estava de tirar o fôlego. Os cabelos estavam presos, mas mesmo assim ele percebeu que estavam mais curtos, provavelmente na altura dos ombros. E aquele corpo que sempre o enlouqueceu... estava ainda melhor. Por fim os dois se encararam olhos nos olhos. Ele saudoso, apaixonado. E ela... furiosa. Não se deixou levar pela beleza estonteante do homem. Não se deixou levar pelas lembranças daqueles braços fortes a envolvendo, embora na época ele não fosse tão... másculo. Ela foi movida pela raiva. — Seu desgraçado. Falou antes de avançar até ele.               

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