Capítulo 6

1317 Words
  PONTO DE VISTA DA AUTORA   Eliza saiu do carro e caminhou em direção ao enorme edifício à sua frente.   Paredes de mármore branco com acabamentos pretos e colunas imensas a encaravam de volta, destacando o poder e a opulência contidos naquele único prédio.   Sua importância e presença eram ao mesmo tempo fortalecedoras e perturbadoras.   Aquele era o castelo do Rei Lycan — o centro de poder do Reino Lycan.   Ela respirou fundo e se acalmou.   Mesmo que quisesse entrar ali cheia de fúria pela decisão que o rei havia tomado em relação a Derek e Maya, precisava se controlar.   Afinal, ele era seu rei, e ela não estava disposta a morrer por causa de um erro impulsivo.   Com uma postura calma, Eliza subiu as escadas com a intenção de solicitar uma audiência com o rei. Mas assim que chegou às portas, foi detida pelos dois guardas que montavam guarda.   "Qual é o seu propósito aqui?" Um dos guardas perguntou, estreitando os olhos para Eliza.   "Sou a Luna da Alcateia Lua Prateada e solicito uma audiência com o Rei Lycan. É de extrema importância que eu o veja imediatamente." Ela respondeu, sabendo muito bem que ninguém, nem mesmo um Alfa, vinha ver o rei sem marcar uma audiência.   Mesmo assim, havia chegado por impulso e tentou usar seu status um tanto ambíguo para conseguir entrada.   Eliza observou os homens, esperando que cedessem ao seu pedido e a deixassem entrar no castelo, mas eles apenas a encararam com olhares estreitados e bocas firmemente fechadas.   "Uma audiência foi marcada?" o outro questionou.   "Não foi. Como eu disse, o que tenho a dizer ao Rei Lycan é importante," ela argumentou, os ombros tensos. Precisava que isso funcionasse.   Os guardas trocaram olhares antes que um deles falasse de novo.   "Muito bem. Aguarde aqui enquanto informo o rei da sua chegada."   Com isso, o homem que havia acabado de falar se virou e entrou pelos portões, deixando Eliza e o outro guarda num silêncio desconfortável.   O guarda entrou no castelo, passando por várias camadas de segurança antes de parar diante de duas enormes portas de carvalho gravadas com ouro de verdade.   Deu um aceno de cabeça para os colegas que montavam guarda do lado de fora das portas.   Os guardas abriram a porta, permitindo a entrada do guarda principal.   Ele entrou, com os olhos fixos no chão, pois ninguém sem alta patente tinha permissão para olhar diretamente para o rei sem autorização.   "Louvado seja o Rei Lycan." Cumprimentou o guarda.   "O que você tem a me dizer?" Kyle, o Rei Lycan, falou, com sua voz retumbando na sala enquanto seus olhos percorriam o documento em suas mãos.   "Uma Luna está aqui para vê-lo. Ela é da Alcateia Lua Prateada."   O rei pausou sua leitura e olhou para o guarda, sabendo muito bem quem estava nos portões.   Eliza.   Havia apenas um motivo para ela estar aqui — sua recente anulação do casamento dela com o Alfa Derek.   Na visão dele, ela havia vindo implorar para que sua decisão fosse revertida — um resultado que ele não tinha nenhuma intenção de conceder.   "Ela pode esperar lá fora até eu terminar aqui. Não quero ser perturbado," o Rei Kyle disse com um suspiro, voltando ao trabalho.   "Claro, Majestade," o guarda respondeu com uma reverência antes de sair e retornar ao seu posto.   Em cerca de vinte minutos, o guarda voltou ao portão principal, com uma expressão impassível no rosto.   "Você deve aguardar aqui até ser chamada," ele anunciou, fazendo Eliza franzir a testa. Ela não tinha muito tempo.   "Você lhe disse quem eu era?" ela perguntou, ansiosa para entrar o mais rápido possível.   O guarda lhe lançou um breve olhar antes de se virar para frente, optando por ignorá-la pelo resto do tempo.   "Com licença," Eliza disse de novo, as narinas se dilatando, mas vendo que o homem não diria mais nada, ela bufou e se acomodou, decidindo esperar.   Afinal, quanto tempo poderia demorar para entrar?   *   Eliza gemeu pelo que parecia ser a milionésima vez naquele dia, o calor a desgastando.   Havia esperado por horas, a paciência testada pelo atraso deliberado.   Os guardas do palácio ficavam como estátuas, as expressões imutáveis, claramente seguindo ordens para fazê-la esperar.   Eliza sabia exatamente o porquê.   O Rei Kyle presumia que ela havia vindo implorar, suplicar por misericórdia, reverter o casamento de Derek e Maya.   Ele m*l sabia que ela estava ali por algo muito mais calculado — algo que ela queria ainda mais do que continuar ligada ao marido infiel.   As horas passaram. O sol deslizou pelo céu, lançando longas sombras sobre os ornamentados jardins do palácio.   Finalmente, um guarda se aproximou.   "O Rei Lycan vai atendê-la agora," ele anunciou, com uma voz sem emoção.   Eliza caminhou com ele através dos portões enquanto ele a conduzia à sala do trono.   O cômodo era imenso, com tetos altos e paredes adornadas com tapeçarias históricas retratando governantes Lycan do passado.   O Rei Kyle estava sentado num trono elaborado, a presença imponente e intimidadora.   "Eliza," ele disse, a voz profunda e medida, "entendo que você veio em relação ao casamento do seu marido."   Ela sustentou o olhar dele com firmeza, a voz calma.   "Rei Kyle," ela reconheceu com uma reverência, "vim solicitar sua intervenção oficial nos procedimentos do meu divórcio. Não para detê-lo, mas para auxiliar na dissolução."   Um leve erguer de sobrancelha foi o único sinal da surpresa dele. Não era o que ele havia esperado.   "Continue," ele a incitou.   "Solicito que o rei supervisione pessoalmente a cerimônia de dissolução do laço," Eliza declarou com clareza. "E peço que envie representantes oficiais para arbitrar a divisão justa dos meus bens."   O cômodo caiu em silêncio.   O Rei Kyle a estudou por um longo momento, e então um lampejo de reconhecimento cruzou suas feições. "Em circunstâncias normais, eu teria rido do seu pedido, mas por causa do serviço do seu pai e do seu irmão ao Reino Lycan, vou considerar isso," ele disse por fim. "As contribuições deles foram significativas, e o preço que pagaram foi mais do que suficiente para qualquer homem."   Ele pausou, e Eliza prendeu a respiração.   "Diante disso, seus pedidos são concedidos," ele declarou, um pequeno sorriso tocando o rosto marcado.   Um alívio inundou Eliza, embora ela mantivesse a compostura. Ela havia pensado que isso seria uma batalha, mas foi tão fácil quanto qualquer outra coisa.   Era uma vitória pessoal e um movimento estratégico para se proteger e afrontar o marido.   Com um sorriso satisfeito e uma última reverência, o rei a dispensou e Eliza saiu.   Ao deixar o palácio, Eliza sentiu uma sensação de libertação que não experimentava há meses. O peso do casamento fracassado parecia se dissipar a cada passo.   Por impulso, ela decidiu ir ao shopping, um empreendimento comercial no qual havia investido pessoalmente e supervisionava com frequência.   Assim que entrou, o gerente do shopping se aproximou nervosamente.   "Luna Eliza, que prazer inesperado," ele murmurou entre os dentes.   "Venha comigo," Eliza ordenou, o olhar perspicaz já identificando vários problemas no estabelecimento.   Ela apontou os problemas, incitando o gerente a anotá-los e corrigir tudo antes do fim do dia.   O gerente ouviu com atenção, acenando com a cabeça enquanto anotava tudo.   "Vamos resolver isso imediatamente, Luna. Obrigado por chamar nossa atenção."   Com os assuntos de negócios resolvidos, Eliza começou a percorrer as lojas. Já que estava lá, decidiu aproveitar para fazer compras.   Ela examinava uma exposição de bolsas de grife quando uma voz familiar fez seu sangue gelar.   "Ora, ora. Olha quem está aqui," a voz irritante ecoou, puxando a atenção de Eliza das bolsas.   Derek estava a poucos metros de distância com a sorridente Maya agarrada ao seu braço.   Eliza lambeu os lábios e apertou a bolsa que segurava.   De todas as pessoas que poderia encontrar hoje, tinha que ser justamente eles.   No entanto, ela estava de bom humor após sua conversa com o rei.   Aquele dia estava prestes a ficar muito mais interessante.
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