Capítulo 7

1353 Words
  PONTO DE VISTA DE DEREK   Sempre persegui Eliza por dois motivos fundamentais: sua enorme riqueza e sua inegável beleza.   Não que sua beleza significasse muito para mim. Era apenas uma característica superficial.   Ela era apenas um troféu, um meio para um fim. Um meio que eu não tinha outra escolha senão usar.   A verdade é que eu desprezava tudo no papel dela como dona de casa.   Que contribuição essas mulheres davam ao Reino Lycan? Nada. Absolutamente nada.   Lunas como ela eram, na melhor das hipóteses, decorativas e, na pior, um fardo.   Eliza era o exemplo perfeito de tudo que eu achava frustrante nas dinâmicas tradicionais da alcateia: mulheres que existiam nas sombras dos maridos, não contribuindo em nada para a força ou sobrevivência da alcateia, mas ainda colhendo as recompensas onde não semearam.   A única coisa pela qual eram colocadas num pedestal era por gerar herdeiros para o trono ou simplesmente por serem filhos do Alfa da alcateia.   Essa mentalidade tornou Eliza insuportável.   Não passamos um dia juntos desde que nos casamos, mas não pude deixar de franzir a testa toda vez que ouvi falar do trabalho dela em casa, enquanto eu arriscava minha vida na linha de frente para manter a alcateia segura.   Quer dizer, eu até pensei em mantê-la como minha amante após o divórcio, uma generosidade da minha parte.   Generosidade que ela recusou num piscar de olhos devido à sua arrogância. Mas foi uma perda dela.   Tudo que ela tinha era graças à minha família.   Se ela não conseguia ver isso, então não era melhor do que os mendigos que pediam dinheiro na rua.   Minhas conversas com meus colegas militares frequentemente voltavam a esse ponto. "Uma Luna deve ser mais do que apenas um rosto bonito", eu argumentava, lembrando as incontáveis horas que passei nos campos de batalha, protegendo nossos territórios, lutando nossas guerras. "Ela deve ser forte e independente."   "Uma Luna deve ser capaz de se levantar e lutar pela sua alcateia, independentemente da circunstância. Não se esconder numa mansão ou castelo até que o perigo passe." Os outros normalmente concordavam comigo, sem entender o sentido de uma mulher cujo poder vinha apenas do nome que ela ambicionava.   Maya entendia isso completamente.   Desde o momento em que nos conhecemos, ela representava tudo o que Eliza não era—forte, estratégica, nobre e refinada. Uma verdadeira companheira em todos os sentidos.   Onde Eliza hesitaria, Maya agiria. Onde Eliza reclamaria, Maya resolveria com sua astúcia e coragem.   Conhecê-la havia sido minha sorte grande, e eu não estava disposto a desperdiçar essa chance com alguém como Eliza, especialmente quando não a amava.   Em certo momento, até considerei deixar a Eliza uma parte da minha fortuna para apaziguá-la, mas depois daquela pequena cena que ela fez e do jeito que falou, não apenas comigo mas com Maya, sua futura Luna, ela estava muito enganada se pensava que ia receber um centavo meu.   Ela mordeu a mão que a alimentou e agora era hora dela sentir as consequências.   Afinal, sob a Cláusula 7 do Decreto de Casamento Lycan, o fracasso de Eliza em me dar um herdeiro era a desculpa perfeita para tirar todos os meus bens debaixo do nariz dela. Era uma brecha legal que eu pretendia explorar completamente.   Meu fio de pensamentos naquela noite foi interrompido quando senti o toque de Maya ao meu lado.   Os dedos dela percorreram meu braço, o toque elétrico.   "Em que está pensando?" ela perguntou, a voz pingando mel enquanto se aninhava no meu pescoço.   "Eliza. O divórcio. Tudo." Minhas palavras pareceram irritar Maya, porque o dedo dela pausou por um momento no meu peito, mas antes que eu percebesse ela havia voltado ao normal, os dedos traçando nada em particular.   "Vem cá," ela sussurrou, me puxando para mais perto.   "Esquece ela e o divórcio por enquanto. Foca em mim. Logo o suficiente, vou me tornar sua Luna e então podemos governar a alcateia juntos. De mãos dadas, meu amor." As palavras dela estavam gravadas na minha mente enquanto ela se inclinava e me beijava nos lábios.   Sem hesitar, retribuí o beijo, sentindo meu lobo ficar feroz, fazendo algo em mim ir primitivo de desejo.   Logo o suficiente, o mundo ao nosso redor se dissolveu e nossa noite foi preenchida de paixão.   Na manhã seguinte, enquanto eu me vestia após a noite ardente com Maya, chegou uma convocação real.   Do próprio Rei Lycan.   A convocação foi entregue a mim pelo mensageiro, me deixando ler o conteúdo.   "Após dois dias, você deverá comparecer perante o Rei Lycan a respeito da anulação do casamento com a Luna da Alcateia Lua Prateada. O não cumprimento desta convocação resultará em penalidade não apenas a você mas à alcateia."   Bufei e joguei o pergaminho de lado, o sangue começando a ferver. Maya percebeu minha raiva crescente e franziu a testa, caminhando em minha direção.   "O que houve, meu amor?" Ela me perguntou, seus olhos cheios de preocupação.   "O rei me convocou. Outra tentativa patética de Eliza para salvar nosso casamento, sem dúvida," eu disse a Maya, revirando os olhos. "Ela é iludida se pensa que o Rei vai intervir. Ele já aprovou a anulação. Nunca volta atrás em sua palavra."   A risada de Maya era como música para meus ouvidos.   "Pobrezinha, não sabe a hora de desistir." Ela murmurou em voz baixa, seus olhos brilhando com diversão.   "Quando ele quer te ver?" Maya me perguntou enquanto se afastava para se vestir.   "Após dois dias. Precisamos pegar o próximo voo para o reino Lycan ainda hoje. Não quero nada nos atrasando."   "Ah, quando chegarmos lá, podemos fazer compras? O campo de batalha não deixa espaço para moda e, se vamos ver o rei, gostaria de estar no meu melhor," ela disse, piscando para mim como sempre fazia quando queria algo.   Eu sorri e dei um passo em direção a ela. Como eu poderia dizer não para uma mulher dessas?   "Claro, querida. Vamos encontrar algo adequado para você assim que a gente pousar," sussurrei em seu ouvido.   Maya deu um gritinho animado e sorriu para mim, e eu retribuí o sorriso antes de sair do quarto, precisando fazer as reservas para o nosso voo para a capital.   Enquanto caminhava para fora sob o sol escaldante, tirei o celular do bolso e liguei para meu agente na agência de viagens. A ligação tocou três vezes antes de eu ouvir uma voz feminina leve.   "Golden Air. Em que posso ajudá-lo, senhor?" ela me perguntou num tom animado.   "Duas passagens de primeira classe para o Reino Lycan. De preferência num voo que saia nas próximas três horas. Tem algum?"   "Um momento, por favor," ela respondeu.   A linha ficou silenciosa enquanto eu ouvia o som de teclado ao fundo.   "Temos um voo disponível saindo daqui a quatro horas. Como o senhor gostaria de pagar?"   "Coloque da minha conta no aeroporto. Pego as passagens quando chegar lá."   "Com certeza, senhor," ela falou antes da linha cair.   Eu suspirei e franzi a testa.   Eliza não estava tornando as coisas fáceis para mim, mas logo o suficiente, ia mostrar a ela que eu não era alguém com quem se brincasse. A colocaria no lugar dela.   Logo o suficiente, embarcamos no avião para a capital.   Uma viagem de duas horas passou num piscar de olhos, já que Maya e eu conversamos durante a maior parte da jornada.   Assim que o avião parou no aeroporto, desembarcamos e fomos para a cidade de táxi, sem nos dar ao trabalho de alugar um carro já que não ficaríamos no reino por muito tempo.   Antes mesmo de irmos para a suíte de hotel que eu já tinha reservado, a Maya já estava eufórica para ir às compras.   O pedido doce dela era impossível de recusar.   Maya me arrastou de uma loja para outra, experimentando roupa após roupa, cada uma mais linda nela do que a anterior.   Estava me divertindo, mas então tudo desmoronou. Como uma piada c***l do destino, eu a vi.   Eliza.   A poucos metros de distância, examinando uma bolsa de grife.   Nossos olhos se encontraram.   E naquele instante, soube que esse encontro mudaria tudo.   Não importava.   Eu estava pronto. Eu tinha cartas na manga.
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