Dentro de um quarto de hospital de luxo.
Uma jovem estava deitada, completamente inconsciente na cama. Suas sobrancelhas estavam fortemente franzidas, e seu rosto, embora pálido e delicado, carregava uma expressão de pura agonia. Uma fina camada de suor cobria a testa — claramente presa em um pesadelo ou em algum desconforto profundo.
"Doutor, quando é que minha neta vai acordar?" A voz ansiosa do senhor cortou o ar.
De repente, os olhos da menina se abriram.
Faye ficou momentaneamente atordoada pelo cheiro forte de desinfetante. Os olhos percorreram o quarto rapidamente — era claramente um hospital, cheio de equipamentos médicos.
Incrédula com o que estava vendo, Faye beliscou a própria coxa com força total. A pontada aguda de dor confirmou tudo — isso não era um sonho.
Ela não estava morta.
As mãos se cerraram em punhos. Estava tão abalada que não conseguia dizer uma palavra. Mas só de pensar em Mara e Ethan, cada nervo do corpo parecia pulsar e gritar. A dor quase tirou seu fôlego.
Os olhos brilhavam com lágrimas contidas enquanto uma onda de ódio crescia por dentro.
"Cassandra, Cassandra, minha qierida, você acordou!" A voz do senhor tremia de alegria enquanto ele segurava firmemente sua mão, o rosto bondoso dominado pela emoção.
Faye encarou o homem desconhecido, mas gentil, com um olhar vazio. Confusa, murmurou: "...Quem é você?"
O velho congelou, depois disse gentilmente: "Cassandra, sou seu avô."
Faye franziu ainda mais as sobrancelhas. Cassandra? Ele estava falando com ela? Esse nome não era dela. Ficou imediatamente em alerta, a desconfiança voltando à tona.
"O que você está dizendo? Eu sou Faye, a filha mais velha da família Hawthorne. E quem exatamente é você? O que está fazendo aqui?" O tom carregou desconfiança e um pouco daquela arrogância natural que sempre carregara.
Apavorado, Alexander Taylor chamou rapidamente o médico.
A explicação médica: uma lesão na cabeça durante um acidente de carro causara uma concussão — alguma confusão de memória ou amnésia temporária era esperada.
Ao ouvir isso, o velho tentou se acalmar e explicou: "Cassandra, o médico disse que o acidente afetou sua memória. Você pode estar confundindo datas ou nomes, mas isso vai passar. Você é Cassandra Taylor, filha do Grupo Taylor. Eu sou seu avô. Quanto à Faye... ouvi dizer que ela caiu da escada ontem. Não sobreviveu."
Faye ficou paralisada, a mente em caos.
Ela era... Cassandra?
Faye... tinha morrido ontem?
O que diabos estava acontecendo?
"...Estou um pouco cansada." A voz saiu pouco mais que um sussurro, o rosto pálido e abalado.
Alexander murmurou algumas palavras gentis e saiu do quarto, achando que ela precisava descansar.
No momento em que ele saiu, Faye arrancou o soro da mão e saltou da cama, correndo para o banheiro.
Ficou diante do espelho, os dedos percorrendo as feições que a encaravam. Bonito, mas completamente estranho. A pele ainda parecia um pouco doentia, mas aquelas feições — sobrancelhas longas e elegantes, olhos profundos como estrelas, nariz reto e lábios rosados que curvavam levemente nos cantos.
Não era seu rosto. Nem de longe.
Alguns segundos de silêncio atordoado.
Então —
"Haha... Mara, Ethan, vocês dois nunca imaginaram isso, né?" Faye segurou o próprio rosto com as duas mãos, lágrimas escorrendo pelas bochechas enquanto o riso irrompia — alto, trêmulo, cheio de raiva e tristeza e algo próximo de um alívio selvagem.
Reencarnação? Possessão? Ela não dava a mínima para o termo técnico ou sobrenatural daquilo.
Já que o universo lhe dera uma segunda chance, ela usaria esse novo corpo, esse novo rosto — tudo — para arrastar aqueles mentirosos direto para o inferno.