Depois de se acalmar, fragmentos de memória desconhecidos passaram pela mente de Faye. Para sua surpresa, ela percebeu que carregava as lembranças desse corpo. Ele pertencia a uma garota chamada Cassandra — herdeira do Grupo Taylor, a dois meses de completar dezoito anos, diagnosticada com autismo.
Seu pai era presidente do Grupo Taylor. Sua mãe havia falecido durante o parto do irmão mais novo. O senhor idoso de antes era seu avô.
E havia ainda o irmão de cinco anos, Zion Taylor, e uma série de outros parentes que ela m*l conhecia.
Na manhã seguinte —
Quando Alexander foi ao hospital com o pequeno Zion, Cassandra imediatamente disse que queria comparecer ao funeral de Faye. Queria uma última olhada no corpo que fora seu por dezoito anos.
E também queria mandar um recado claro para os dois que a traíram. Ao invés de um ataque repentino, ela preferia uma abordagem lenta — deixar os inimigos se afundarem nos próprios pesadelos.
Quando Cassandra chegou à igreja, vestindo um vestido longo carmesim, o chefe de segurança ficou em alerta. Achando que ela estava ali para causar problemas, avisou que ela precisava sair ou chamaria a polícia.
Ela não entrou em pânico — já tinha um plano enquanto estava a caminho.
Virou-se para pedir o celular emprestado ao motorista quando, de repente, um elegante Spyker C8 prateado surgiu como um fantasma e deslizou suavemente até parar ao lado dela.
A curiosidade falou mais alto. Ela olhou assim que a porta traseira se abriu. Do carro desceu um homem alto, vestido em terno preto sob medida e uma máscara marcante. Nos braços, segurava um buquê de lírios-aranha vermelhos envoltos em papel elegante.
O lírio-aranha vermelho — flor do submundo, a graça do demônio.
Mesmo sem ver o rosto, ela conseguia sentir o poder e a graça que emanavam dele. Não era um homem comum — tinha a presença de quem nasceu para comandar.
O homem mascarado se virou para ela, a voz clara e fria: "Senhorita, você precisa sair. Se está aqui para causar problemas, vou te enterrar junto com ela — e não teria o menor problema com isso."
O tom barítono carregava um toque de refinamento britânico, mas o que realmente se destacava era o frio — como ser arrastada para um abismo gelado.
A postura do chefe de segurança mudou completamente ao ver o cartão que o homem entregou. Ele fez uma reverência rápida e o convidou a entrar.
Cassandra sabia que não devia explicações a ele, mas algo a fez falar. A voz tremia, os olhos brilhavam com lágrimas quando falou ao homem que se afastava: "Faye amava o vermelho mais do que qualquer coisa. Ela odiava a frieza do preto e branco. Sei que este vestido pode parecer desrespeitoso para alguns, mas juro que não é essa a intenção. Não vim aqui para arruinar o funeral dela. Esta é a última jornada dela. Como sua melhor amiga... Eu só queria trazer um toque da cor que ela mais amava."
As palavras escaparam antes que ela pudesse se conter — e depois disso, as lágrimas que estava segurando finalmente rolaram.
Que ironia mais c***l — ela estava viva, comparecendo ao próprio funeral, enterrando o próprio corpo. E as pessoas que a mataram? Estavam lá fora, aproveitando a vida.
O homem parou ao ouvi-la. Se virou e a olhou em silêncio.
Então, Faye — pequena mentirosa que era — tinha uma amiga assim?
Após uma longa pausa, a voz, ainda fria, quebrou o silêncio: "Deixe-a entrar."