Cassandra se calou instantaneamente, os olhos cheios de lágrimas fixos no avô que estava tão perto — mas a quem ela não podia se revelar. Por um breve momento, a verdade quase escapou por seus lábios.
Mas apertou o punho e se conteve. Sabia o quanto Mara e Ethan eram importantes para o Vô Gerald e para a família Hawthorne.
Naquele cenário, ela não passava de uma intrusa, uma completa desconhecida. Sem provas irrefutáveis, acusar o casal de ter arquitetado o assassinato de Faye não soaria apenas como um delírio insano — provavelmente assinaria sua própria sentença de morte antes mesmo de começar.
"Eu sonhei que a Faye disse…" Cassandra fez uma pausa, puxando um vestido vermelho-vivo de dentro da bolsa. Respirou fundo antes de continuar: "Sr. Hawthorne, o senhor se lembra deste vestido? Era o favorito dela. No meu sonho da noite passada, ela me implorou para trazê-lo. Disse que queria se despedir vestindo a peça que nunca teve a chance de usar em vida. Ela também me confidenciou algo mais... algo de extrema importância. Mas me pediu para esperar o momento certo antes de revelar tudo ao senhor."
Ainda bem que ela veio. Caso contrário, o funeral de Faye teria sido arruinado por aquela bruxa dissimulada de Mara, e ninguém saberia de nada.
Gerald se sobressaltou. Reconheceu aquele vestido. Apenas duas semanas atrás, Faye havia folheado uma revista de moda e dito, brincando: "Vô, amo este vestido — tipo, amoooooo mesmo. É perfeito! Parece que foi feito para mim! Não me importa como, mas quando lançar, você TEM que conseguir para mim…"
Cassandra não só trouxera o vestido favorito de Faye, como também sabia de algo que só elas duas compartilhavam.
E, talvez fosse apenas um pressentimento, mas Gerald não conseguia se livrar da sensação de que aquela garota havia vindo realmente para homenagear Faye — não para causar problemas.
Ele ordenou aos funcionários que vestissem Faye com o vestido.
Enquanto isso, num canto do salão, um homem alto permanecia à margem, quase despercebido. Sua presença refinada era inconfundível mesmo nas sombras. Uma máscara prateada cobria o rosto, revelando apenas um queixo forte e esculpido, e um par de olhos azuis e intensos. Ele observava cada movimento de Cassandra, os olhos frios brilhando com curiosidade oculta.
O funeral transcorreu em paz.
No cemitério, Cassandra chorava enquanto enterravam seu antigo corpo. Permitiu-se desabar — mas apenas por hoje. A partir de amanhã, a fraqueza seria um luxo proibido.
Quando todos os outros foram embora, ela permaneceu, sozinha diante do próprio túmulo.
Na mão, uma rosa ainda coberta de espinhos. Ela a apertou com força até o sangue escorrer pela palma. Mas a dor m*l arranhou a superfície — não comparada à traição e ao assassinato pelas mãos de quem ela amava.
As lágrimas vieram de novo, mas desta vez ardiam de ódio. A voz, baixa e gélida, ecoou pelo ar: "A partir deste momento, existe apenas Cassandra. O nome Faye... está morto."
'Mara, Ethan... É bom vocês começarem a rezar. O acerto de contas bate à porta.'
Perdida na própria raiva, Cassandra não percebeu a figura alta atrás do cipreste próximo. O homem não se movia. Toda a sua presença emanava nobreza e perigo. A máscara prateada ainda cobria a maior parte do rosto, mas os lábios se apertaram — e um lampejo de choque passou por aqueles olhos frios e profundos.
O que ela estava dizendo? Qual era exatamente a ligação dela com Faye?
Após sair do cemitério, Cassandra não voltou para o hospital. Em vez disso, pediu ao motorista que a levasse direto para a residência dos Taylor.
Sentada em silêncio no banco de trás, olhava pela janela enquanto o carro se aproximava — uma arquitetura extravagante que, sob os raios dourados do sol poente, parecia ainda mais majestosa e luxuosa.
Seu olhar declinou. Suas pupilas brilhavam com uma frieza cortante.
Ela cerrou os punhos sobre o colo, sentindo o peso sufocante daquele novo "lar" — uma fortaleza de segredos que ela logo teria que desvendar.