Cassandra não hesitou — deu um t**a forte no rosto de Mara. Mara ficou atônita, segurando a bochecha ardente, os olhos arregalados de incredulidade. Todos os outros também congelaram, pegos de surpresa com a explosão repentina, sem saber como reagir.
Ainda bufando de raiva, Cassandra agarrou um punhado de rosas brancas que decoravam o caixão e as arremessou sem dó direto na cara de Mara.
Mara ficou parada como uma estátua, o rosto pálido rapidamente se enchendo de marcas vermelhas. Lágrimas desciam pelas bochechas — ela parecia completamente desamparada e lamentável. Mas a presença dominadora de Cassandra era intensa demais, e ninguém ao redor ousou dar um passo à frente para detê-la.
"Mara," Cassandra disparou, a voz gélida. "A Faye deixou bem claro: ela odiava preto, principalmente a porcaria daquele vestido. Ela te tratava como uma irmã de verdade, e é assim que você retribui? Trazendo o que ela mais detestava para enojá-la no próprio funeral? Qual é o seu problema? Estava contando os dias para ela morrer, era?"
'Não bastava ter arquitetado a morte dela — agora você faz questão de esfregar na cara dela a única coisa que ela mais abominava, bem no dia do enterro?'
O coração de Mara saltou com as palavras frias. Tentando manter a compostura a todo custo, ela elevou o tom de voz, numa tentativa desesperada de soar segura: "Cassandra... você — Todo mundo aqui sabe o quão próxima eu era da minha irmã. Se está tentando manchar nosso vínculo, juro que vou te processar por difamação."
Quem diabos era essa mulher? E como sabia tanto sobre o passado com Faye?
Ethan, ao ver a mulher que amava ser agredida daquela forma, finalmente se meteu. Ele segurou o pulso de Cassandra com força, os olhos injetados de fúria: "Cassandra, hoje é o funeral da Faye. Se veio para se despedir, ótimo. Mas se insistir em armar esse circo, não me culpe pelo que eu fizer."
Os olhos de Cassandra estavam marejados, mas seu olhar permanecia fixo e frio naquele homem impecável em seu terno preto sob medida, com cada expressão milimetricamente calculada. Para o resto do mundo, Ethan era o queridinho de Leston — perfeito, elegante, deslumbrante.
Se ela não conhecesse a podridão por trás daquela fachada, talvez também tivesse caído no teatrinho — e quem sabe até se comovido com o papel de "noivo de coração partido".Mas agora, cada milímetro dele só lhe causava repulsa.
"Tira essas mãos imundas de mim." Ela puxou o braço com violência, apontando o dedo direto contra o peito dele. "Ethan, não ouse abrir a boca perto de mim como se estivesse com a consciência limpa.
"Ela jamais esqueceria: aquele funeral havia sido planejado nos mínimos detalhes por ele e por Mara para celebrar a morte dela. Com Ethan ao seu lado, Mara recuperou a audácia.
De jeito nenhum ela recuaria agora. Enxugando as lágrimas, deu um passo à frente e rebateu: "Cassandra, não exagera. Sim, eu sei que a Faye não suportava preto. Mas usar preto em funeral é tradição, é respeito. Não tem nada de errado nisso."
Funeral. Como se Faye já tivesse partido. Como se a história estivesse encerrada.
No segundo em que aquela palavra saiu da boca de Mara, a fúria de Cassandra atingiu o estopim; ela quase sentou a mão na cara dela de novo.
Há quanto tempo Mara esperava por aquele momento? Há quanto tempo ansiava pelo fim dela?
Tudo isso só para poder posar de santa, sem um pingo de vergonha na cara, e chamar aquilo de funeral diante de todo mundo?
"Estou te avisando... a Faye não está morta!" Cassandra gritou, apontando para o corpo no caixão, o corpo inteiro tremendo de puro ódio.
Mara recuou um passo, o rosto desbotando até ficar pálido como papel.
"Já chega, Senhorita Taylor!" Gerald bateu a bengala contra o chão de mármore, e o som seco cortou a tensão no ar. "Se a Faye te deixou um recado, diga. Mas se veio até aqui só para semear o caos, exijo que saia — agora mesmo.
"Ele só dera corda para Cassandra porque ela revelara dois segredos íntimos da família — algo que, obviamente, Faye só contaria a alguém de extrema confiança. Essa era a única razão para ele ainda não ter mandado os seguranças a expulsarem. Mas até a paciência dele estava chegando ao limite.