Capítulo 5

663 Words
  "Cala a boca. Você não tem nem o direito de chamá-la de irmã. Estou aqui para o funeral de Faye, então fique longe de mim. Não estou a fim de armar um barraco hoje." Cassandra ergueu a mão como uma rainha — dedos pálidos e esguios apontando diretamente para o nariz de Mara, com um tom extremamente frio e autoritário.   Seus olhos eram afiados e cheios de veneno, praticamente perfurando Mara,como se quisessem arrancar à força aquela máscara hipócrita de boa moça que ela ostentava.   Aquele olhar — por um milésimo de segundo — gelou Mara até os ossos. Seu corpo estremeceu num reflexo involuntário. Era tão familiar...   Exatamente como o olhar que Faye tinha nos olhos pouco antes de morrer.   "Você..." Mara ficou paralisada diante do gelo no olhar de Cassandra e daquela presença esmagadora. Não lhe restou nada além de punhos cerrados e uma fúria contida.   Os seguranças já haviam se aproximado para tirá-la dali.   "Não me toquem. Só tenho algumas palavras para dizer, depois vou embora." Cassandra os afastou e foi direto até o Sr. Gerald, falando com calma: "Sr. Hawthorne, eu era a melhor amiga de Faye na internet — Cassandra do Grupo Taylor. Sonhei com ela ontem à noite, e ela me pediu para vir vestida assim... Ela me pediu para te entregar um recado. Mas se você não quiser ouvir, vou embora agora."   Enquanto dizia isso, seus olhos pousaram em Mara — cujo rosto empalideceu na hora.   "O que Faye disse?" O Sr. Hawthorne segurou ansiosamente seu braço, mas depois hesitou, estreitando os olhos. "Como sei que você não está inventando tudo isso?"   Cassandra se inclinou e sussurrou: "Eu sei que, quando você era jovem e tentava conquistar a Sra. Hawthorne, disse a ela que ainda era virgem. E também sei que Faye fazia xixi na cama até os sete anos. Ainda acha que estou inventando?"   Um vislumbre de puro constrangimento cruzou o rosto severo do Sr. Hawthorne, seguido por uma onda de lágrimas que inundou seus olhos. Ele finalmente acreditou.   Aqueles eram segredos que só os dois compartilhavam — ele e Faye. Na época, até brincaram: "Se um de nós contar, cortamos o laço de avô e neta."   Dizem que espíritos com assuntos inacabados frequentemente aparecem em sonhos, pedindo aos vivos para ajudar a completar seus últimos desejos.   "O que Faye disse no sonho?" O Sr. Hawthorne perguntou emocionado. A morte de Faye foi tão repentina — ele nunca teve a chance de ouvir suas últimas palavras.   Ele se lembrava perfeitamente de como eram próximos; ela lhe contava absolutamente tudo... mas nunca tinha mencionado nenhuma Cassandra.   E, por mais estranho que parecesse, embora aquela menina não se parecesse em nada com Faye, ele continuava a enxergar traços da neta nela.   "Sr. Hawthorne, posso ver a Faye primeiro?" A voz de Cassandra era baixa, pesada de tristeza.   O Sr. Hawthorne, ansioso para saber o que Faye tinha dito, percebeu que Cassandra não diria mais uma palavra até vê-la. Então, fez um aceno lento e pesado com a cabeça.   Cassandra se aproximou do caixão. Ao olhar para aquele corpo frio e sem vida que nunca mais despertaria, uma raiva começou a ferver no peito.   Nesta vida, ela faria Mara e Ethan pagarem por cada gota de dor. Ela mesma os mandaria direto para o inferno.   "Sr. Hawthorne, quem escolheu esse vestido de funeral?" Cassandra franziu a testa, olhando para o vestido preto em Faye — um vestido que ela sempre odiou. Um lampejo de fúria fria passou por seus olhos.   "Eu mesma escolhi... para minha irmã," Mara engasgou entre as lágrimas, chorando como se o coração fosse partir só de mencionar o nome de Faye.   Todos sabiam que o vínculo entre as irmãs Hawthorne era lendário na alta sociedade. Ao saber que Mara escolhera pessoalmente o vestido e ao vê-la chorar daquele jeito, as pessoas não puderam deixar de sentir ainda mais simpatia por ela.   De repente, o estalo seco de um t**a cortou o ar da capela.
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