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1271 Words
18 Elara. Os portões de ferro da propriedade Thorne pareciam selar um túmulo. A viagem de volta da cidade tinha sido silenciosa, o ar no carro denso com o cheiro metálico da adrenalina de Silas e o aroma desvanecendo da adega. Ele não me tocava desde que saímos do restaurante, mas sua presença era um peso físico contra mim, um calor territorial que me impedia de respirar direito. Ao entrarmos no hall de entrada, a casa pareceu diferente — mais vazia. Os funcionários já haviam sido dispensados, deixando os extensos corredores de pedra à mercê das sombras e do tique-taque constante e rítmico do relógio de parede. Silas não parou para me servir uma bebida. Não checou suas mensagens. Agarrou meu braço com firmeza, deixando marcas, e me conduziu diretamente escada acima em direção à ala principal. Estávamos a meio caminho do corredor quando uma sombra se desprendeu da porta da biblioteca. “Você realmente fez isso, não é?” A voz de Julian era um rouco rouco e entrecortado. Ele estava encostado no batente da porta, uma garrafa meio vazia do uísque mais caro do pai pendurada entre os dedos. Parecia um fantasma — pálido, suando e completamente desorientado. “Eu não acreditei. Mesmo depois do restaurante, eu pensei... pensei que ele estivesse te forçando. Mas você está subindo aquelas escadas como se pertencesse àquele lugar.” Silas não soltou meu braço. Nem sequer diminuiu o passo. “Vá para a cama, Julian. Você está bêbado e está testando uma paciência que já se esgotou há anos.” “Eu não vou a lugar nenhum!” gritou Julian, a garrafa se estilhaçando no chão de madeira, os cacos de vidro espalhando-se pelo tapete persa. Ele se lançou para a frente, cambaleando em nossa direção. “Ela era minha, pai! Você levou tudo! A empresa, a casa e agora a única mulher que realmente me olhou como se eu fosse um homem. Você é um monstro.” Silas parou então. Virou-se, e a pura e predatória imobilidade de sua postura fez Julian congelar no meio do passo. “Eu não a tomei, Julian. Eu a aceitei. Há uma diferença. Você a deixou afundar em suas dívidas enquanto buscava emoções fortes em Las Vegas. Você não queria uma mulher; você queria uma rede de segurança. E agora essa rede se foi.” “Elara, por favor”, Julian soluçou, com os olhos vermelhos e suplicantes enquanto me olhava. “Diga a ele para parar. Venha comigo. Podemos ir embora. Agora mesmo. Eu vou me trocar, eu juro.” Olhei para Julian — para o rapaz que um dia me prometeu o mundo e não me entregou nada além de uma conta que eu não podia pagar. Depois olhei para Silas. Olhei para o homem que naquele momento tinha a minha vida nas mãos, o homem que me arruinou numa mesa, numa parede de vidro e no chão de uma adega, sem nunca perder a compostura. “Não há nada para onde voltar, Julian”, eu disse, com a voz firme apesar das fortes batidas do meu coração. “Você é uma lembrança. Ele é a minha nova realidade.” A expressão no rosto de Julian era de pura e absoluta agonia. Parecia que ele tinha levado um soco. Silas não lhe deu um segundo para se recuperar. Arrastou-me o resto do caminho até a suíte principal, as pesadas portas de carvalho batendo e trancando com um som definitivo. O quarto principal era um templo de seda escura e luar frio. Silas não disse uma palavra. Nem sequer acendeu as luzes. Apenas agarrou a minha nuca, os dedos enroscando-se nos meus cabelos, e obrigou-me a olhar para a porta que acabávamos de fechar. “Ele está bem ali fora”, rosnou Silas, com a respiração quente e cheirando a vinho encorpado. “Ele está ouvindo. Ele está esperando por um som que lhe diga que ele estava certo — que eu sou um monstro e você é uma vítima. Você é uma vítima, Elara?” “Não”, exclamei, com a voz embargada, enquanto minhas mãos buscavam os botões de sua camisa. Ele não esperou que eu terminasse. Arrancou o vestido de seda preta do meu corpo, as alças delicadas estalando como gravetos secos. Jogou-me na enorme cama king-size, os lençóis cor de carvão frescos e caros contra a minha pele nua. Ele tirou as calças e abriu o zíper, revelando seu pênis grosso e duro, pulsando com uma vida própria, frenética e territorial. Ele rastejou por cima de mim, seu peso me prendendo ao colchão. Agarrou meus joelhos, empurrando-os para trás em direção aos meus ombros até que eu estivesse completamente dobrada, e penetrou em mim com uma força esmagadora. Eu gritei, minha cabeça batendo para trás contra os travesseiros de seda. Ele estava tão fundo que eu podia sentir cada saliência do seu corpo, cada pulsação do seu sangue enquanto ele chegava ao fundo contra meu colo do útero. Ele começou rápido e forte, seus quadris se chocando contra os meus com um baque surdo que eu sabia que ecoava pela porta. “Ele está ouvindo?” Silas ofega, sua mão encontrando minha garganta e apertando o suficiente para intensificar o prazer em algo letal. “Ele ouve o quão alto você está gritando para o pai dele? Ele ouve o jeito que você está me possuindo por inteiro?” “Sim”, solucei. “Deixe-o ouvir. Deixe-o saber que ele nunca foi suficiente.” A fricção era avassaladora. Impulsionado pelo confronto, ele me atingia com uma velocidade e uma intensidade que turvavam minha visão, transformando-a numa névoa de luar e sombras. Ele percorria cada saliência sensível do meu interior, seu pênis atingindo pontos que enrijeciam meu corpo inteiro. Toda vez que ele entrava de carro, a cama tremia debaixo de nós. Ele mudou a posição das mãos, virando-me de modo que eu ficasse de quatro, com o rosto enterrado nos lençóis de seda. Ele me penetrou por trás num movimento profundo e intenso. Ele agarrou meu cabelo, puxando minha cabeça para trás e me obrigando a olhar para a porta. “Diga a ele”, ordenou Silas, com passos cada vez mais animalescos. “Diga a ele quem é seu dono agora, Elara. Use meu nome para que ele saiba que não há engano.” “Silas!” gritei, o som ecoando pelos tetos altos. “É Silas! Sou sua! Só sua!” O clímax me atingiu violentamente e eu tremia da cabeça aos pés. Eu uivava contra a seda, minhas paredes se contraindo ao redor dele num aperto desesperado e pulsante que parecia que nunca ia soltar. Silas não diminuiu o ritmo; em vez disso, agarrou minha cintura, puxando-me de volta para cima dele com uma força que fez a estrutura da cama ranger, e então soltou um gemido baixo. Ele me prendeu ao colchão, seu corpo tremendo enquanto ele penetrava fundo em mim, sua testa encostada nas minhas omoplatas quando finalmente chegou ao clímax. Ficamos assim por uma eternidade, o único som sendo o distante e abafado dos passos de Julian se afastando pelo corredor e nossa própria respiração irregular e ecoante. “Ele se foi, Elara”, disse Silas, com a voz fria e firme mais uma vez. “Ele saiu de casa há cinco minutos. Não vai voltar.” Olhei para ele, com o coração ainda acelerado, enquanto rastejava em sua direção, encostando a cabeça em suas costas, minha pele pálida e marcada pelo luar. “Eu sei”, sussurrei. “E estou exatamente onde quero estar.”
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