Capítulo 4

610 Words
  Angelina   "Angelina, acorda! Você vai se atrasar!"   Gemi ao ouvir minha mãe me chamando lá de baixo. Ignorei, enterrando o rosto no travesseiro e puxando a coberta sobre a cabeça para abafar a voz dela.   Ela chamou mais duas vezes. E então veio o grito:   "Angelina Patrick! Se você não descer AGORA, eu vou aí cima e te arrasto pela orelha!"   Meus olhos se abriram de imediato com aquele tom. Quando minha mãe solta o nome completo, é sinal vermelho: a paciência acabou e a Mãe Perigosa está prestes a aparecer.   Com um gemido de protesto, arrastei-me para fora da cama e fui direto para o chuveiro. Um banho rápido depois, escolhi um vestido branco simples — meu estilo de sempre. Nunca tive um corpo para ostentar, então roupas confortáveis e discretas sempre foram minhas preferidas. Olhei-me no espelho e dei um sorriso de aprovação. Ficou bom. Passei um pouco de rímel e desci.   Ao entrar na cozinha, o cheiro doce de panquecas invadiu meu nariz, e meu estômago roncou alto.   "Bom dia, mãe!" Cumprimentei, dando um beijo em sua face antes de me sentar.   "Bom dia, minha filha." Ela sorriu, virando uma panqueca na frigideira. "A Lexi já está a caminho. Como não vou poder te buscar hoje, não se esquece de voltar com ela, combinado?"   "Tá bom, mãe. Ah, e hoje vou me atrasar um pouco. O Sr. Peterson pediu para eu ficar até mais tarde, já que a Linda não vai poder ficar no turno. Parece que vai ter alguma festinha por lá."   Ela pensou por um instante e concordou com a cabeça. "Certo. Mas não chegue muito tarde, hein?" aconselhou. Sorri e ataquei meu café da manhã.   Estava quase terminando quando a mensagem da Lexi apareceu no celular:   Cheguei.   "Mãe, a Lexi tá aqui. Vou indo! Tchau, te amo!"   "Tchau, querida. Toma cuidado." Fechei a porta e corri até o carro. Minha melhor amiga estava, como sempre, impecável.   "Bom dia," disse, entrando no carro.   Ela não respondeu. Estava olhando fixamente para o outro lado da rua, onde um carro estava estacionado. Acenei minha mão na frente do rosto dela para tirá-la do transe.   Ela piscou rapidamente e sorriu. "Oi, Angel! Pronta pra ir?"   "Mais que pronta. Mas o que foi isso? Você parece… preocupada." Comentei.   "É aquele carro ali…" ela disse, apontando discretamente. "Não é o mesmo que você comentou outro dia?"   Meu rosto perdeu a cor num instante.   Era o mesmo. Exatamente o mesmo carro que eu tinha visto ontem. Parado no mesmo lugar. Meu coração disparou, e desviei o olhar imediatamente. "Deixa pra lá, Lexi. Deve ser só um carro parecido." Tentei soar convincente.   Ela anuiu, meio sem convencer, e começou a dirigir.   Tentei me acalmar durante o caminho, mas minha mente teimava em não cooperar. Não conseguia parar de olhar pelo retrovisor, procurando por qualquer sinal de que estávamos sendo seguidas. A sensação de estar sendo observada me deixava com os nervos à flor da pele. Nunca fui de querer chamar atenção — sempre fui a garota quieta, que prefere ficar no seu canto. Aquela exposição invisível me dava vontade de correr e me esconder. Só esperava que, quem quer que fosse, percebesse logo que sou a pessoa mais comum do mundo e cansasse desse jogo.   "Faz cinco minutos que a gente estacionou, e você ainda aí dentro, encarando o vazio como se o mundo fosse acabar," a voz de Lexi cortou meus pensamentos, acompanhada de um olhar revirado.   Só então percebi que ela já havia estacionado na escola e esperava, com o braço no banco do passageiro, impaciente para que eu saísse. "Ah, foi m*l. Viajei total," me desculpei, pegando minha mochila.
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