Capítulo 5

511 Words
  "Angel, se tiver qualquer coisa te incomodando, eu tô aqui, viu? A qualquer hora." Lexi perguntou, com uma preocupação genuína no olhar. Eu sorri. "Claro que sei, Lex. E juro, tá tudo tranquilo, obrigada!"   Nos separamos e fomos para nossas aulas.   O dia seguiu seu fluxo normal, até que chegou a hora da minha última e favorita aula:   Música.   Sempre amei tocar violão. Era a minha válvula de escape, o que me tirava desse mundo por alguns minutos preciosos.   Ao entrar na sala, vi que todos os lugares estavam ocupados — exceto um. E ficava bem ao lado do…   Ah, não.   Do Thomas.   Eu tinha uma quedinha por ele desde o primeiro ano. Cabelos claros, olhos azuis e um sorriso que derretia meio colégio. Metade das garotas suspirava por ele, e eu me incluía nessa estatística. Mas nunca tive coragem de chegar perto. Só a Lexi sabia do meu crush.   Quando o professor entrou, me apressei para o lugar e sentei ao lado dele. Ele estava absorto no celular e nem notou. Quando pigarreei e sorri, ele m*l ergueu os olhos, fez um aceno breve e voltou a digitar.   Fui ignorada? Que corte.   "Pessoal, hoje não vamos para a teoria. Em vez disso, quero que explorem. Fechem os olhos, esvaziem a mente e deixem que os dedos encontrem uma melodia sozinhos. Deixem o coração guiar as mãos", instruiu o professor.   Resolvi seguir a sugestão. Fechei os olhos e tentei me concentrar.   Mas, em vez de notas musicais, a primeira imagem que surgiu na minha mente foi a daquele carro preto. Era estranho, mas senti uma atração curiosa por ele — uma vontade de saber quem estava atrás daqueles vidros escuros. E, no meio daquela inquietação, surgiu uma sensação… boa.   O professor tinha razão. Deixar os dedos percorrerem as cordas conforme a mente mandava me trouxe uma calma repentina.   Quando abri os olhos, Thomas estava me encarando.   Fiquei vermelha na hora.   Ele sorriu e disse baixinho: "Ei, desculpa te encarar assim, mas… você tocou lindo. Foi tão suave. Não deu pra não ouvir."   Fiquei dez vezes mais vermelha!   "Ah… obrigada. Só deixei fluir."   Ele me devolveu um sorriso de deixar qualquer uma sem ar e continuou me olhando.   Para meu alívio, a campainha tocou. Quase corri para fora da sala. Precisava de ar antes que a vergonha me consumisse. Eu esperava pelo táxi na calçada quando senti um toque no ombro.   Virei e congelei.   Era o Thomas, sorrindo de novo para mim.   Outra onda de calor no rosto. Para com isso, Angel, é só um sorriso, me repreendi internamente.   "Sim?" perguntei, tentando disfarçar o desespero.   "Você esqueceu isso." Ele estendeu minhas anotações de música.   "Obrigada." Guardei-as na bolsa, mas ele não saiu do lugar. Parecia querer dizer algo mais. Ergui uma sobrancelha, curiosa.   "Então… Angelina… é que eu tava pensando… você sabe que eu perdi umas aulas, né? E… bem… será que você poderia vir hoje me dar uma força? A gente podia tomar um café e depois ir pra minha casa", ele falou tudo num fôlego só, visivelmente nervoso.   Fiquei boquiaberta.
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