Capítulo 6

813 Words
  O Thomas tinha acabado de me convidar para sair?   Antes que meu cérebro conseguisse processar a pergunta, um menino pequeno veio correndo na minha direção e me enfiou um pedaço de papel dobrado na mão. Olhei para o papel, depois para ele. "Quem te deu isso, garoto?", perguntei, confusa.   O menino apenas balançou a cabeça e saiu correndo, sumindo entre as pessoas.   Com mãos um pouco trêmulas, abri o papel. A mensagem, escrita à mão, era curta e brutal:   Você tem 30 segundos para mandar aquele i****a pastar. Se não mandar, eu mando, e ele vai se arrepender amargamente. Agora seja uma boa garota e dê um fora nele. Beijos, amor?   Engoli em seco. Meu coração acelerou violentamente, e as palmas das minhas mãos ficaram instantaneamente úmidas. Meus olhos vasculharam a rua, tentando encontrar quem tinha enviado a nota, mas não vi ninguém suspeito. A pessoa devia estar escondida em algum lugar, me observando o tempo todo. Uma vigilância íntima e ameaçadora.   "Algum problema, Angelina? Tudo bem?" A voz preocupada do Thomas me puxou de volta.   "Sim! Tudo bem, Thomas, obrigada", respondi rápido demais. "Olha, desculpa, mas hoje não dá mesmo, tenho que trabalhar. Mas a gente compensa, que tal eu te ajudar amanhã? Você me passa todas as suas dúvidas." As palavras saíram num jato só.   "Epa, calma! Tudo bem, sem pressão. Não sabia que você já tinha compromisso. Amanhã tá ótimo. A gente pode se encontrar primeiro no—"   "Sim, onde você quiser! Agora eu preciso ir mesmo… tchau!" Cortei a fala dele e saí andando rápido, quase correndo, sem olhar para trás.   Entrei no primeiro táxi que vi e disse o endereço do trabalho. Ainda estava tremendo. A carta amassada na minha mão parecia queimar. Meu amor. Aquelas duas palavras me deram um calafrio. Isso não era uma brincadeira de adolescente. O tom era de posse, de ameaça real. Meu instinto gritava que era sério, que vinha de alguém perigoso. Decidi ali que contaria tudo para a Lexi no dia seguinte. Eu precisava contar para alguém.   •••   O Sr. Peterson não tinha exagerado: o café estava lotado naquela noite. Havia uma festa de aniversário de um casal de idosos que, mesmo depois de décadas juntos, ainda trocavam olhares cheios de ternura. Era bonito de ver, um tipo de amor que eu só conhecia de fora. Enquanto servia as mesas, me peguei pensando que queria algo assim um dia.   Meu turno acabou muito mais tarde do que o previsto. Ao me despedir dos colegas e sair para o estacionamento vazio, o baque veio:   Droga.   A Lexi me tinha dado carona de manhã. Meu carro estava em casa. Respirei fundo e peguei o celular para chamar um táxi pelo aplicativo.   Enquanto esperava na calçada m*l iluminada, percebi dois homens parados sob um poste de luz um pouco mais adiante. Eles não conversavam, apenas… olhavam. Para mim. Tentei ignorar, virando as costas e fingindo checar o celular. Minutos depois, ao olhar por cima do ombro, eles ainda estavam lá, na mesma posição. Um frio subiu pela minha espinha.   Comecei a andar na direção oposta, com passos rápidos. Na esquina, arrisquei outro olhar para trás.   Meu sangue gelou.   Eles estavam vindo atrás de mim. E agora não eram mais dois – mais três figuras sombrias tinham se juntado a eles do outro lado da rua.   O pânico tomou conta. Virei e comecei a correr. As ruas estavam desertas, passava das onze. Só o som dos meus passos e da minha respiração ofegante ecoava.   Estava quase na próxima esquina quando, de repente, um braço forte envolveu meu torso por trás e uma mão grande e áspera tapou minha boca, abafando meu grito. Fui arrastada para um beco escuro. Me debati com todas as minhas forças, mas era inútil. Quando o homem que me agarrava me virou, eu vi o outro, aquele que tinha estado sob o poste, parado bem na minha frente, com um sorriso c***l.   Minha vida estava em perigo. Iriam me sequestrar, violar, matar.   Meu Deus, eu vou morrer aqui.   O pensamento me deu uma onda de adrenalina. Fiz a primeira coisa que me veio à mente: forcei um grito abafado contra a mão que me calava.   "Sua p*****a insolente!", o homem à minha frente rosnou. Num movimento rápido, ele me aplicou um soco seco no rosto.   A dor foi explosiva. Um gosto metálico de sangue encheu minha boca enquanto eu caía no chão de cimento, atordoada. Ele se aproximou, agarrou-me pelos cabelos e puxou minha cabeça para trás, forçando-me a encarar seu rosto marcado e c***l.   "O trabalho era só te pegar e entregar, quietinha", ele cuspiu as palavras, com seu hálito quente e fétido batendo no meu rosto. "Mas por causa dessa sua criancice…" Ele sorriu, e não havia nada de humano naquele sorriso. "…a gente vai ter que tornar essa viagem um pouco mais interessante pra você."
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